FC Porto: Villas-Boas recorda investimento histórico e destaca «recuperação competitiva»
Na mensagem de abertura do Relatório e Contas do FC Porto relativo ao exercício 2025/26, publicado esta quinta-feira pela CMVM, André Villas-Boas faz um balanço detalhado de um ano marcado pelo regresso às conquistas e por uma profunda reorganização interna.
O presidente dos dragões sublinha que a última época representou «uma etapa particularmente importante no processo de transformação» do clube, apontando como marco fulcral a reconquista do título principal.
«A conquista do 31.º Campeonato Nacional confirmou essa recuperação competitiva e premiou o trabalho, a exigência e a capacidade de superação demonstrados ao longo de toda a época», destaca o líder máximo da SAD portista, vincando que «vencer faz parte da identidade do FC Porto», mas lembrando que «cada conquista renova a responsabilidade de voltar a vencer».
Para sustentar a retoma desportiva, a sociedade portista realizou um esforço financeiro sem precedentes no mercado de transferências. André Villas-Boas lembra que no defeso foram investidos «cerca de 110 milhões de euros no reforço e reconstrução do plantel, o maior investimento de sempre do FC Porto numa janela de transferências».
Este esforço «produziu um retorno desportivo imediato», mas teve de coexistir com a consolidação das contas, já que «a ambição desportiva do FC Porto não é negociável», mas «só será duradoura se for acompanhada por rigor na gestão, disciplina financeira e capacidade de aumentar, de forma consistente, as receitas estruturais».
O sucesso em campo estendeu-se às bases da formação, com as equipas de sub-19, sub-17 e sub-15 a vencerem os respetivos títulos nacionais, concretizando um «pleno nos principais escalões da formação masculina» e reforçando «a importância estratégica do desenvolvimento de talento no futuro desportivo e económico do Clube».
No futebol feminino, a conquista da II Divisão garantiu a segunda subida consecutiva e a chegada ao escalão principal, somando-se a presença inédita na final da Taça de Portugal. Nas modalidades, o presidente enalteceu o título europeu no hóquei em patins, a reconquista do campeonato de basquetebol dez anos depois e o bicampeonato no voleibol feminino, confirmando ainda que «foram lançadas as bases para a entrada do FC Porto no futsal sénior em 2026/27».
Fora dos relvados, o clube atingiu o máximo histórico de 180.470 sócios e esgotou pela primeira vez a lotação de Lugares Anuais (31.665), com uma média de 45.612 espetadores na Liga Portugal. No plano das infraestruturas, além dos 16 milhões de euros investidos na primeira fase de modernização do Estádio do Dragão, Villas-Boas destacou o arranque dos trabalhos e o lançamento da primeira pedra do novo Centro de Alto Rendimento, assinalando que «competir ao nível a que o FC Porto ambiciona exige condições de treino, preparação, recuperação e desenvolvimento de talento compatíveis com as melhores organizações europeias».
A mensagem presidencial ficou também marcada por um momento de homenagem a Jorge Costa, cuja perda assinalou de forma indelével a época. O antigo capitão e dirigente «representou, como poucos, aquilo que significa defendero clube», frisou Villas-Boas, acrescentando que «a sua exigência, coragem e profundo sentido de pertença permanecerão como exemplo para todos aqueles que têm a responsabilidade de representar o FC Porto». A preservação da memória histórica esteve igualmente em evidência com a abertura do Memorial Permanente dedicado a Pinto da Costa no Estádio do Dragão, homenageando um percurso de 42 anos na presidência.
Ao projetar a época 2026/27, que está em curso, assinalada pelo regresso à Champions — «o palco onde o clube construiu algumas das páginas mais importantes da sua história» —, o presidente enfatiza que a recuperação económico-financeira permanece um desafio de médio prazo. «O FC Porto pertence aos seus Sócios e é na força desta comunidade que encontramos uma parte essencial da nossa capacidade para continuar a crescer e a vencer. Continuaremos a fazê-lo com ambição, método, exigência e sentido de responsabilidade», conclui André Villas-Boas.