Gil Martins é um dos indiscutíveis para Luís Pinto no Gil Vicente e está a afirmar-se na elite nacional — Foto: Gil Vicente
Gil Martins é um dos indiscutíveis para Luís Pinto no Gil Vicente e está a afirmar-se na elite nacional — Foto: Gil Vicente
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Cresceu no FC Porto e brilha agora em Barcelos: «Clube tem projeto sustentado»

Gil Martins chegou na época passada ao Gil Vicente, estreou-se com César Peixoto e é indiscutível para Luís Pinto. Elogios a rodos a ambos os técnicos e à estrutura dos minhotos. Focado na concretização de sonhos

Ter um mundo inteiro à espera para entrar. Assim pode colocar-se Gil Martins. Ao som da música. Porque, afinal, música é o que o extremo do Gil Vicente dá aos adversários, tamanha é a sua qualidade técnica. Com apenas 20 anos, o criativo que trocou o FC Porto pelos galos demonstra ter os pés bem assentes na terra, mas, em entrevista exclusiva a A BOLA, não esconde que traçou objetivos para a carreira. Que está só a começar...

— Comecemos com um exercício de memória: o que aconteceu no dia 3 de abril de 2026?

— Foi a minha estreia na Liga. Essa era fácil [risos].

— Data que ficará na memória...

— Sim, claro. É um dia que ficará para sempre marcado. Estrear-me na Liga foi algo que sempre desejei, sempre trabalhei para isso, e foi um passo muito importante.

— Seguiu-se a afirmação definitiva na presente temporada. O que sente um jovem jogador quando vê um clube acreditar no seu potencial para chegar a este nível?

­— Todos os jogadores vivem na base da confiança, isso é muito importante. Sinto que aqui há um projeto sustentado. O Gil Vicente tem uma formação de referência que permite aos jogadores chegarem ao topo e onde lhes são efetivamente dadas oportunidades e eu estou a viver essa realidade.

— O Gil Vicente tem vindo a realizar várias épocas de grande qualidade e a estrutura tem sido muito elogiada. Sente que está no clube certo para continuar a crescer?

— Claramente. O Gil Vicente é um clube em crescimento e que está a cimentar bem as suas ideias. É um clube que aposta nos jovens jogadores, que gosta de um futebol atrativo e bem jogado. Isso é algo que me favorece muito.

— Na presente temporada foi titular nos seis jogos que o Gil Vicente já realizou na Liga e soma um golo e duas assistências. Satisfeito com as suas prestações ou é um eterno insatisfeito?

— Claro que está a ser um bom início de época, mas é apenas isso mesmo, o início e quero muito mais. Não vou ficar por aqui, espero eu.

— Definiu alguma meta de golos e/ou de assistências?

— Não. O meu objetivo passa por dar tudo e oferecer o que a equipa necessita em cada jogo. Os números vêm por acréscimo e são sempre consequência do trabalho.

— César Peixoto lançou-o na elite do futebol português e Luís Pinto tem apostado em si de forma absoluta na presente temporada. São dois treinadores marcantes?

­— Sem dúvida. Sou muito grato ao mister César Peixoto por ter-me lançado, tal como também sou muito grato ao mister Luís Pinto por estar a acreditar em mim. Tal como sou a todos os treinadores que fizeram parte do meu percurso e o que sou hoje deve-se a todos eles.

— Tem contrato até 2028. Até onde vão os seus sonhos?

— O meu sonho passa por ganhar ao Moreirense [amanhã]. O futebol é o momento e é nisso que me foco. Quero trabalhar todos os dias para ter consistência e fazer uma boa época. É assim que penso.

— O Gil Vicente está preparado para continuar a bater à porta de uma qualificação europeia?

— Creio que sim. O clube está bem estruturado e os jogadores são de qualidade. Temos de dar continuidade ao trabalho e, dessa forma, iremos atingir os nossos objetivos.

Seleção A é um «objetivo» de carreira

Gil Martins é presença assídua nas seleções jovens de Portugal — Foto: Gil Vicente

Quem é internacional dos sub-16 aos sub-20 tem toda a legitimidade de ambicionar continuar o percurso até ao topo da pirâmide. Gil Martins é um caso paradigmático dessa tese. O criativo do Gil Vicente tem um lastro de presenças nas seleções jovens de Portugal e, sem rodeios, assume que chegar à Seleção A não é apenas um sonho: é mesmo uma meta que pretende atingir, garantindo que tudo continuará a fazer para demonstrar o seu valor e, um dia, ser chamado para representar a Nação ao mais alto nível.

Já depois de ter passado pela formação de Sanjoanense — é natural de São João da Madeira e, como tal, foi no clube da terra que começou a dar os primeiros pontapés na bola — e Estarreja, Gil Martins assumiu-se nos escalões jovens do FC Porto e, dessa forma, as chamadas as várias equipas das Quinas foi uma realidade... recorrente. O atual camisola 20 do emblema de Barcelos somou, dos sub-16 aos sub-20 lusitanos, 53 jogos, 14 golos e 4 assistências, sendo que atualmente é aposta firma dos sub-20 nacionais. O passo seguinte, em teoria, será dado nos sub-21, mas o foco está mesmo apontado ao mais alto patamar.

«Chegar à Seleção A é claramente um objetivo de carreira. Para um jogador, representar o seu país ao mais alto nível é o ponto máximo, naturalmente. Mas uma coisa de cada vez. Tenho de fazer bem o meu trabalho no clube para ser chamado aos sub-20 ou aos sub-21, onde for, e depois logo se vê», analisou, de forma altamente consciente, Gil Martins.

Grato ao FC Porto e feliz com o título

Seis épocas na formação e outras duas na equipa B. Foi este o caminho de Gil Martins ao serviço do FC Porto. «Todos os anos que passei no FC Porto ajudaram-me a crescer enquanto futebolista, mas também enquanto homem. Devo muito do que sou ao FC Porto e estou agradecido por isso», salienta, com total respeito.

O início de trajeto no Gil Vicente foi feito pelos sub-23 (14 jogos e quatro golos), com o virtuoso a ajudar os minhotos a conquistarem um título. «Vinha de um período complicado, tinha tido uma lesão, e o Gil Vicente acolheu-me muito bem. Conseguimos conquistar a Taça Revelação, algo que foi inédito no clube, e foi muito bom para todos. Estou muito feliz e agradecido por isso», revela.

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