Estava lá tanta gente e ninguém viu nada?
Cristiano Ronaldo teve o privilégio, certamente conquistado e merecido por todos os anos de dedicação a uma carreira ímpar, de ter o País e o Mundo inteiros a citá-lo quando na verdade aquilo a que se chama «comunicado» estava apenas nas mãos do grupo de comunicação do qual é acionista e de um outro órgão de Comunicação Social onde, digamos assim, teve um grande amigo nos últimos dias. A agência Lusa tinha umas frases, faça-se justiça. Só uma hora depois o «comunicado» foi publicado nas redes sociais do jogador.
Dantes, um comunicado era-o em duas situações: enviado a todas as redações ou à Lusa, que por natureza de função o fazia correr pelas redações. Hoje aceita-se que também o é quando publicado nas redes sociais do comunicante. Demorou uma hora, repito. Mas foi um «comunicado». E desta vez, felizmente, era verdadeiro. Espero melhor escrutínio em situação futura, não vá a Inteligência Artificial fazer mais uma das suas e envergonhar toda a gente.
Mas isso está longe de ser o mais importante de toda esta história que degrada o futebol português. Com mais razão ou menos razão, mais para frente ou mais para trás, mais lobista menos influenciador, não vislumbro uma parte que saia bem deste caso. Se calhar é negativismo da minha parte, mas a verdade é que um capitão de equipa teve um ato de rebeldia grave. O treinador e o presidente da instituição que ele serve apressaram-se a meter paninhos quentes e dizer que o regresso é possível. Por absurdo que pareça, foi o próprio capitão a dizer que merece uma punição disciplinar pelo que fez. Mas está pronto a voltar. E depois vamos todos sorrir e ser amigos outra vez, a não ser que o treinador se aborreça e, do alto da sua idade e experiência, diga que não quer mais nada com isto e vá à sua vida. O que não deixaria o presidente em bons lençóis, dado que por acaso o treinador, com e sem capitão, até ganhou, e com nota artística de permeio.
No meio de tudo isto, há algo muito intrigante: no dia em que Ronaldo abandonou o estágio da Seleção, estavam no mesmo espaço físico pelo menos cinco dirigentes ou diretores eleitos ou contratados pela FPF: Pedro Proença, Lourenço Pereira Coelho, Toni, Domingos Paciência e João Vieira Pinto. Nenhum deles tinha sido chamado para estar ao lado de Jesus nas reuniões mantidas anteriormente com o diretor desportivo do Al Nassr (?) e um conselheiro de CR7. Mesmo assim: naquele dia, tanta gente e ninguém tentou sequer demovê-lo? Manda quem pode...