Cátia Azevedo e a polémica saída do Sporting: «Nunca foi só um contrato, foi falta de respeito»
Cátia Azevedo atleta olímpica portuguesa que deixou o Sporting após ter sido mãe, ao cabo de 18 anos de ligação aos clube leonino, recorreu este domingo às redes sociais para abordar o tema, mais de uma semana depois de ter tecido uma primeira reação a A BOLA.
«Fui educada com dois princípios: trabalhar todos os dias pelos meus sonhos, em silêncio, mesmo depois de as luzes se apagarem; respeitar todos à minha volta, sejam fortes ou fracos, pobres ou ricos. A derrota nunca foi o meu fim. A vitória também não. Da minha carreira guardo honra e orgulho em tudo o que dei ao atletismo nacional, em especial aos 400 metros. Nas reuniões que tive, essa honra foi diminuída, descartada e desvalorizada. Senti que ser mãe era tratado como um peso, e que me faziam quase um favor por me manterem. Nunca foi só um contrato. Nunca foi só um corte de salário. Foi falta de respeito», dispara Cátia Azevedo, numa extensa mensagem publicada no Facebook, marcada por duras críticas ao Sporting.
«Vivemos tempos descartáveis, sem diálogo e sem espaço para ouvir o outro. O problema nunca foi o dinheiro. São os valores humanos. Saí ferida, mas saí mais forte. Conheço os meus limites e digo 'basta' a cada desrespeito. Na minha opinião, o rumo que este clube dá ao atletismo é um erro, e o silêncio da instituição não o corrige. Eu sigo sem clube, mas de cabeça erguida e com a dignidade intacta. E a quem acha normal tudo o que uma mulher (mãe, futura mãe ou não) tem de enfrentar para chegar ao mesmo patamar que os homens: um dia, alguém que amam pode precisar dessa compreensão. E pode não a encontrar», prosseguiu a atleta, de 32 anos.
«Continuo a correr. Continuo a sonhar. Porque é realmente aquilo que controlo! Obrigada a todos pelo amor e carinho transmitido», rematou.
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