Portugal derrotou a Irlanda do Norte em Portimão. -Foto: LUÍS FORRA/LUSA
Portugal derrotou a Irlanda do Norte em Portimão. -Foto: LUÍS FORRA/LUSA
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Caminho das Navegadoras rumo ao Brasil passa pela Islândia (crónica)

A Seleção Nacional feminina voltou a vencer a Irlanda do Norte e segue para o segundo play-off, para defrontar a Islândia. Reviravolta com as avançadas em destaque

Portugal voltou a vincar a sua superioridade sobre a Irlanda do Norte e confirmou, com nova vitória, a passagem ao segundo play-off de apuramento para a fase final do Campeonato do Mundo de futebol feminino, que se vai realizar no Brasil, de 24 de junho a 25 de julho de 2027.

Nessa nova ronda, a Seleção Nacional terá pela frente a Islândia, que voltou a golear a Croácia, agora por 5-0, depois de ter triunfado na primeira mão por 4-0. As islandesas são de boa memória para as Navegadoras, que em 2023 triunfaram por 4-1 após prolongamento, na final do play-off europeu, tendo depois garantido o apuramento para a fase final do mundial no play-off intercontinental, frente aos Camarões.

Com seis alterações no onze em relação à primeira mão, como lhe competia por ser claramente melhor, Portugal assumiu o controlo das operações, após equilíbrio inicial. As Navegadoras instalaram-se depois no meio-campo adversário e foram construindo – e desperdiçando – várias oportunidades para se adiantar. Com entendimento na frente, Carolina Santiago e Stephanie Ribeiro, no 4x4x2 em losango definido por Francisco Neto, foram setas apontadas à baliza de Burns. Santiago foi perdulária aos 9’ e 28 minutos, e a dupla funcionou em pleno em cima do intervalo quando Stephanie Ribeiro recuperou uma bola junto à linha e serviu a colega de ataque, que depois de acertar no poste, recargou com êxito, anulando a vantagem norte-irlandesa obtida aos 31’ por Kess Elmore contra a corrente do jogo, quando aproveitou uma bola que Carolina Correia não conseguiu cortar.

Com as entradas de Andreia Norton, Jéssica Silva e Telma Encarnação, Portugal ganhou novo fôlego no ataque e foi com naturalidade que deu a volta ao marcador. E novamente com grande responsabilidade das avançadas: Telma Encarnação (75’) cruzou na esquerda e Jéssica Silva surgiu ao primeiro poste para desviar com o peito.

No minuto imediato a Andreia Norton (80’) ter feito tremer a baliza com um tiro aos ferros, surgiu o terceiro de Portugal, de grande penalidade a castigar mão de Ellie Mason, após remate de Tatiana Pinto. Carole Costa não vacilou da marca dos 11 metros.

A melhor em campo: Carolina Santiago

Apesar de ter desperdiçado algumas oportunidades, a avançada foi a que levou mais perigo para a baliza defendida por Burns. Sempre em movimento e procurando espaços livres na área, combinou muito bem com Stephanie Ribeiro e não falhou no momento certo, perto do intervalo, anulando a vantagem das norte-irlandesas.

As notas das jogadoras de Portugal (4x4x2): Patrícia Morais (5), Lúcia Alves (6), Carole Costa (6), Carolina Correia (5), Joana Marchão (6), Dolores Silva (5), Fátima Pinto (5), Andreia Jacinto (5), Andreia Faria (6), Stephanie Ribeiro (6), Carolina Santiago (7), Jéssica Silva (7), Telma Encarnação (7), Andreia Norton (6), Tatiana Pinto (5) e Carolina Tristão (-).

As notas das jogadoras da Irlanda do Norte (4x3x1): Jackie Burns (5), Rebecca McKenna (5), Fionnuala Morgan (5) Ellie Mason (4), Rebecca Holloway (5); Aimee Kerr (5), Natalie Johnson (4); Casey Howe (5), Keri Halliday (4) e Emily Cassap (4), Kess Elmore (5), Lucy Jane Grant (5), Leyla McFarland (4), Abi Sweetlove (4), Naomi Mclaughlin (-) e Charlotte Havern (-).

«O que queremos é ir ao mundial»

Eliminada a Irlanda do Norte, Francisco Neto, selecionador nacional, aponta já à Islândia, próximo adversário de Portugal no caminho para o mundial. «O que queremos é ir ao Mundial. Temos um caminho que pode ser longo, podemos ter de ir a um play-off intercontinental. Seguindo aquilo 'cliché' de treinador, é jogo a jogo e fazer as coisas bem e acreditar: a grande diferença de Portugal nestes últimos cinco/seis anos, é acreditar que pode lá estar. Estamos focados no regresso das jogadoras aos clubes, no trabalho que vão fazer, na observação de perto e depois prepará-las para esse grande embate que será a Islândia», apontou.

 «Acho que em primeiro é termos um estádio cheio. Temos de fazer um bom jogo em casa e ser altamente competitivos. Conseguir um bom resultado em casa é sempre essencial porque temos tido, historicamente, dificuldades  em países mais frios e teremos de ter a capacidade de nos adaptarmos ao clima. A adaptação ao frio é algo difícil, um processo muito individual e as equipas e as jogadoras sofrem com isso. Este 'mind-set' competitivo, do jogo na Irlanda da Norte e depois aqui na segunda parte, tem de aparecer. Se lá estiver, estamos mais perto do mundial», assinalou o selecionador nacional.

Estreia de Tristão e Proença assinalou os 100 jogos de Norton

Carolina Tristão jamais irá esquecer este dia: aos 86 minutos entrou para o lugar de Andreia Jacinto, para os primeiros minutos com a camisola da principal Seleção Nacional. «É mais uma jogadora talentosa de Portugal. Tem feito o percurso dela. Disse-lhe para se divertir. Ela está a jogar por mérito dela, da mesma maneira que, na roda final, dei os parabéns à Nair [Pina] e à [Francisca] Castro pelo trabalho que fizeram. Da mesma forma, tivemos uma palavra final para as jogadoras que não tiveram minutos neste estágio: a Alice [Alves] e a Raquel [Ferreira] que tiveram um comportamento inexcedível», assinalou Francisco Neto. Antes do pontapé de saída, Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, esteve no relvado, para entregar uma placa a Andreia Norton, a assinalar os 100 jogos de quinas ao peito.

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