Caminhada de brilho intenso concluída com nota artística (crónica)
Se o selo Europeu já tinha sido colocado após a goleada (4-0) imposta a Gibraltar, na jornada anterior, Portugal não quis deixar de iluminar ainda mais a caminhada de glória colocando na bagagem da viagem para a Albânia e Sérvia — países organizadores da fase final da competição, que vai realizar-se no próximo ano — outra dose de brilho. O percurso, entenda-se, a qualificação, foi concluída com nota artística. Não que tenha sido uma exibição absolutamente espetacular, mas porque, acima de tudo, foi uma prestação que traduz na perfeição o que tem sido esta equipa orientada por Luís Freire: madura, organizada e letal. Quando se dominam todos os momentos do jogo, a(s) vitória(s) fica(m) sempre à mão de semear. Tudo a conferir.
E se a isto adicionarmos outro dado, então o estimado leitor ainda ficará mais convencido da imensa qualidade que reina no seio da jovem equipa das Quinas: é que Luís Freire operou sete (!) mudanças no onze titular tendo como termo de comparação o encontro com Gibraltar, realizado na passada quarta-feira, nos Açores. João Afonso, Diogo Travassos, Mateus Fernandes, Gonçalo Moreira, Mezian Soares, Geovany Quenda e Rafael Nel não foram, desta vez, titulares, cedendo os seus lugares a Diogo Ferreira, Daniel Banjaqui, Tiago Gabriel, Mathias de Amorim, Carlos Forbs, Afonso Moreira e Gustavo Varela. Que luxo!
Portugal entrou pressionante, jogando maioritariamente no meio-campo ofensivo, mas numa primeira fase teve dificuldades em entrar na bem organizada defensiva contrária. Carlos Forbs (16') e Afonso Moreira (17') tentaram, mas Adam Dvolak foi adiando... o inadiável. A magia surgiu com a assinatura de Daniel Banjaqui, que, ao minuto 28, arrancou em velocidade pela direita, fletiu para o centro e, já na área, atirou de pé esquerdo, beneficiando de um desvio num defensor contrário antes de ver a bola no fundo das redes. Mas o lance do lateral-direito do Benfica é para ver e rever. Alta rotação!
A etapa complementar ofereceu a mesma toada, sempre pintada de vermelho, cabendo a Afonso Moreira (56') fechar a contabilidade, após assistência de cabeça de Tiago Gabriel, na sequência de um livre bem batido por Rodrigo Mora.
Foram dois... podiam ter sido mais. Venha de lá esse Europeu!
Muitíssimo competente a defender, aquela que é, no fundo, a principal missão de um lateral-direito, mas sem nunca descurar as subidas pelo corredor. Foi numa dessas incursões que juntou a velocidade à técnica e, já depois de deixar dois adversários para trás, arriscou o remate, de pé esquerdo. Resultado? Um golaço!
Nada podia fazer nos dois golos sofridos — no primeiro até foi traído pelo desvio de um companheiro de equipa, na sequência do remate de Daniel Banjaqui — e sempre atento nos restantes lances, evitando, várias vezes, que a sua equipa saísse de território nacional com um resultado mais desnivelado.
As notas dos jogadores de Portugal:
Diogo Ferreira (6), Daniel Banjaqui (7), Tiago Gabriel (7), Gonçalo Oliveira (6), Rodrigo Rêgo (5), Dário Essugo (6), Mathias de Amorim (6), Carlos Forbs (6), Rodrigo Mora (7), Afonso Moreira (7), Gustavo Varela (5), Quenda (5), Gabriel Brás (5), Flávio Gonçalves (5), Diogo Sousa (—) e Rafael Nel (—).
As notas dos jogadores da Chéquia:
Adam Dvorak (6), Filip Lass (6), Mikulas Konecny (5), Eric Hunal (5), Jiri Micek (5), Milan Lexa (5), Dominik Pech (5), Alexandr Buzek (5), Tobias Boledovic (5), Matyas Vojta (5), Tom Sloncik (5), Simon Sloncik (5), Tomas Jelinek (5), Matej Mikulenka (5), Matej Sin (5) e Hugo Sochurek (—).
Luís Freire (selecionador de Portugal)
Jogámos contra um adversário que vai ao play-off e que ainda pode estar no Europeu. Tentaram explorar o nosso erro, com um bloco muito fechado e nós procurámos sempre encontrar espaços. Fomos tendo paciência e desbloqueámos o jogo com um golo do Banjaqui. Podíamos ter feito o segundo golo mais cedo, mas nunca concedemos oportunidades ao adversário. O segundo golo acabou por aparecer, tranquilizou a equipa e os jogadores estiveram sempre muito sérios no compromisso. Estivemos sempre muito comprometidos e foi uma vitória segura. Fizemos o que tínhamos a fazer, controlámos o jogo e vencemos com inteira justiça.
Jorge Jesus marcou presença em Leiria
Dois dias depois do triunfo (2-1) diante da Noruega, que permitiu à Seleção A terminar este ciclo de quatro jogos consecutivos referentes ao Grupo A4 da Liga das Nações com o pleno de vitórias, Jorge Jesus fez questão de deslocar-se a Leiria para assistir ao vivo ao último encontro de apuramento dos sub-21 para o Campeonato da Europa da categoria.
O selecionador nacional esteve na tribuna de honra do Estádio Dr. Magalhães Pessoa, onde teve oportunidade e observar de perto os jovens craques lusos, tirando, muito provavelmente, notas para o futuro. Recorde-se que há vários elementos que têm alinhado pela equipa de sub-21, orientada por Luís Freire, com legítimas aspirações em serem chamados por Jesus para compromissos futuros da Seleção A, pelo que o experiente técnico, de 72 anos, está particularmente atento a tudo o que diz respeito às soluções que estão à sua disposição a curto/médio prazo. Recorde-se que Portugal volta a competir já no mês de novembro, recebendo, em Braga, a Dinamarca (dia 14) e deslocando-se ao País de Gales (17), em mais dois jogos do Grupo A4 da Liga das Nações.
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