Benfica: «Podem afastar-me de um movimento, mas não das minhas convicções!»
Francisco Benitez, ex-candidato à presidência do Benfica e rosto da oposição encarnada, publicou nas redes sociais uma nota a explicar a sua saída do movimento Servir o Benfica, do qual foi fundador.
«Há dias que custam. Hoje é um desses dias. Hoje chegou ao fim a minha ligação ao movimento Servir o Benfica. Seis anos depois de ter ajudado a criar este projecto, de lhe ter dedicado tempo, energia, convicção e uma parte importante da minha vida, vejo este percurso terminar da forma que menos esperava: por decisão de outros», começou por dizer, esclarecendo que foi afastado e que não foi ele a tomar a decisão.
«E porquê? Porque decidi juntar-me ao UNUM. Porque entendi que, num Benfica tantas vezes dividido, valia a pena construir pontes em vez de alimentar trincheiras. Porque acredito que pessoas com opiniões diferentes podem sentar-se à mesma mesa, conversar, encontrar soluções e trabalhar por aquilo que verdadeiramente as une: o amor ao Sport Lisboa e Benfica», sustenta Benitez, referindo-se ao movimento recentemente criado para debater a atualidade dos encarnados.
«Nunca pensei que querer unir pudesse ser motivo para excluir. Durante seis anos dei tudo o que podia ao movimento. Fi-lo de forma desinteressada, com entrega, lealdade e, sobretudo, com a consciência de estar a fazer aquilo em que acreditava. Houve momentos de enorme alegria, de esperança, de luta e também de desilusão. Houve horas roubadas à família, noites mal dormidas, batalhas difíceis e decisões que não foram fáceis. Mas faria tudo outra vez. Porque nunca estive nisto por conveniência, por protagonismo ou por qualquer interesse pessoal. Estive, estou e estarei sempre pelo Benfica», assegura.
«Não escondo a tristeza. Ser afastado de um projecto que ajudei a criar, não por ter traído os seus princípios, mas por continuar a acreditar na liberdade de pensar e de participar, deixa uma mágoa profunda. Mais do que a decisão, dói perceber que, afinal, a diferença de pensamento pode valer mais do que seis anos de dedicação. Não vou apagar a história, nem renegar o caminho que percorri. Tenho orgulho no que fizemos, nas pessoas com quem partilhei esta caminhada e naquilo que, juntos, procurámos construir. A todos os que estiveram ao meu lado, deixo o meu sincero agradecimento.»
«Também não guardo rancor. A vida ensinou-me que devemos saber sair de cabeça erguida, mesmo quando nos fecham uma porta que ajudámos a abrir. Podem afastar-me de um movimento. Não podem afastar-me das minhas convicções, da minha liberdade de pensamento ou do meu amor ao Benfica. Saio triste, naturalmente. Mas saio de consciência tranquila, com a certeza de que nunca deixei de ser fiel àquilo que me fez começar esta caminhada. E se há coisa de que não abdico é de acreditar que o Benfica será sempre maior do que qualquer movimento, qualquer grupo ou qualquer um de nós», diz, finalizando depois: