Algo de misterioso se passa com o n.º 1 do Mundo
O mistério em torno do estado físico de Jannik Sinner continua a adensar-se. Longe dos 'courts' há 84 dias, desde que conquistou o torneio de Wimbledon, o número um mundial confirmou que também falhará o torneio de Shanghai, depois de já ter abdicado de marcar presença em Pequim e nas competições em solo americano. A ausência prolongada começa a colocar sob ameaça a liderança do 'ranking' mundial a favor de Alexander Zverev.
«Infelizmente não poderei estar no campo em Shanghai este ano como esperava. Sempre gostei de jogar lá, lamento não o poder fazer na próxima semana. Obrigado pelo vosso apoio, vemo-nos no próximo ano», comunicou o tenista italiano, sem adiantar pormenores diagnósticos sobre o joelho lesionado.
Na passada sexta-feira, Sinner deslocou-se de Montecarlo até Lyon para uma consulta com um conceituado cirurgião ortopédico e com fortes ligações ao desporto de alta competição. O clínico, conhecido por operar futebolistas ao serviço da Juventus — como Thuram, Locatelli e Bremer —, além de já ter intervencionado Ibrahimovic e avaliado Mbappé, optou por descartar uma cirurgia, prescrevendo a continuidade de uma abordagem conservadora.
O plano de recuperação passa pela aplicação de tratamentos com laser e ondas de choque, complementados com exercícios de estabilização e fortalecimento muscular da região articular. Nos últimos tempos, Sinner tem interrompido os treinos após cerca de dez minutos de atividade devido à falta de resistência física e não por queixas de dor. O problema clínico estará associado a uma tendinite por sobrecarga que afeta a fáscia lata ou a chamada «pata de ganso», na zona interna do joelho.
Antes da viagem a França, o transalpino já havia realizado consultas com dois especialistas distintos em Milão — na Physioclinic, a 4 de agosto, e na clínica Madonnina, a 25 de setembro —, somando dois meses de trabalho infrutífero no JMedical para debelar a inflamação.
Neste momento, desenham-se três cenários para o regresso. A primeira hipótese incide na participação no torneio de exibição Six Kings Slam, em Riad, a 21 de outubro, onde a ausência de pressão competitiva permitiria uma reintegração mais suave. A segunda opção passa pelo torneio de Viena, a 26 de outubro, onde defende o título conquistado no ano passado, tendo em vista as Finals de Torino e a Taça Davis. A terceira via contemplaria uma paragem prolongada até ao início de 2027, cenário que contrasta com o desabafo feito pelo próprio tenista a Anna Wintour durante a semana da moda: «Se não estiver pronto para janeiro é um grande problema...».