Josué Sá marcou no último triunfo gilista diante do FC Porto
Josué Sá marcou no último triunfo gilista diante do FC Porto - Foto: IMAGO

Ajudou a despedir Vítor Bruno e recorda jogo com o FC Porto: «Fizemos a vida difícil aos grandes»

Josué Sá, central que esteve presente (e marcou) na última vitória gilista frente aos dragões, recorda a A BOLA o jogo em janeiro de 2025. Lembra que sem felicidade é (muito) complicado derrubar um gigante. Nova etapa em Lourosa marcada por lesão grave no joelho

Na antecâmara da receção do Gil Vicente ao FC Porto no Cidade de Barcelos, em duelo da 9.ª jornada da Liga agendado para amanhã (20h30), Josué Sá esteve à conversa com A BOLA para recordar a última vitória do conjunto gilista frente aos dragões, alcançada na 18.ª ronda do campeonato 2024/25.

O central, autor de um golo determinante nessa partida, que terminou com triunfo caseiro por 3-1 e marcou o fim da era Vítor Bruno nos azuis e brancos, recua no tempo para descrever o cenário: «Vínhamos de uma boa sequência de resultados. O FC Porto estava ali perto da liderança e sabíamos que havia pressão sobre o treinador, que na altura era o Vítor Bruno. Eles não podiam falhar. Começámos bem, de igual para igual, e fizemos golo [Pablo Felipe] aos 10 minutos. Nesse ano também empatámos (0-0) com o Sporting, fizemos sempre a vida difícil aos grandes em casa.»

O tento da igualdade portista surgiu a abrir a segunda parte, da autoria de Gonçalo Borges, mas a resposta de Josué Sá travou a reação: «O FC Porto galvaniza-se à procura do 2-1, mas pouco tempo depois eu fiz o 2-1. Foi um momento determinante. Eles estavam a crescer e a vir para cima de nós.»

«Marcámos numa altura em que sentiam que podiam passar para a frente, o que tornou as coisas mais difíceis para eles. É diferente estar 1-1 e depois passar para 2-1 na segunda parte, pois tinham de dar a volta. A mentalidade num clube como o FC Porto é sempre ganhar o jogo», recorda.

O golo decisivo resultou de pura estratégia: «O golo foi num canto. Lembro-me de trabalharmos essa parte do jogo. O FC Porto agarrava homem a homem e isso dava espaço: qualquer desvio podia ser perigoso e qualquer bola perdida era um 50/50. Trabalhámos muito desviar ao primeiro poste para o segundo.»

A jogada de laboratório funcionou na perfeição: «O lance acabou por ser assim: canto, desvio do Rúben Fernandes ao primeiro poste e eu acabei por acreditar nessa bola. Na marcação homem a homem é difícil defender, porque um corre para a frente e o outro corre para trás. Acabei por encostar bem de pé esquerdo. Foi trabalhado e aconteceu como tínhamos planeado.»

O desfecho reservou ainda emoção nos instantes finais: «No fim eles fizeram o 2-2, já depois da expulsão do Nico [González], mas o central [Otávio] fez penálti e o golo deles foi revertido para o 3-1 nosso [da autoria de Félix Correia]. Tivemos a estrelinha e a felicidade, necessárias para vencer um grande.»

Contariedade em Lourosa

Hoje ao serviço do Lusitânia de Lourosa, na Liga 2, o central de 34 anos recupera de uma rotura completa do ligamento cruzado anterior e do menisco interno no joelho direito. «É um assunto sensível, foi a primeira lesão grave que tive. A pior fase já passou, mas é demorada e cada etapa tem de ser respeitada. Ainda não estamos a meio, mas passou a cirurgia», partilha.

Josué Sá é jogador do Lusitânia de Lourosa

Apesar da paragem forçada, Josué Sá encara o processo com firmeza: «Parece uma montanha muito grande para subir e não vemos o fim, mas a mentalidade tem de ser de gratidão. Olho para o outro lado da montanha e digo: "Esta é a montanha que tenho de escalar para sair mais forte." É uma prova sobretudo mental que superamos com o trabalho de todos os dias.»

«César Peixoto não contava comigo e tudo bem»

Apesar de a sua passagem por Barcelos ter terminado com a perda de espaço na equipa principal, Josué Sá afasta qualquer sentimento de mágoa em relação ao Gil Vicente. Ao nosso jornal, o experiente central esclarece que o afastamento resultou da dinâmica natural do futebol, separando as escolhas técnicas da consideração pelo clube que representou na temporada 2024/25.

Josué não contava para César Peixoto nos galos

«Considero que fui feliz em Barcelos. Na verdade, fui feliz até uma certa parte. Quando o treinador, que era o César Peixoto, chegou na etapa final da época, já não contava comigo. Isto é o futebol: quando um treinador chega e tem uma ideia diferente da nossa, às vezes estes cenários acontecem. Não é por isso que vou ficar com uma má opinião do clube, antes pelo contrário», sublinha o defesa.

Josué recusa mal-entendidos e garante ter deixado apenas portas abertas: «Às vezes as pessoas perguntam-me se fiquei com algo mal resolvido com o Gil Vicente ou algum sentimento negativo. Gosto sempre de deixar claro que não, porque o clube não tem a ver com as decisões dos treinadores. Existiu a relação treinador-jogador, ele não contava comigo e tudo bem. O clube tem de tomar decisões e a instituição tem de seguir em frente.»

A amizade com os galos ficou, de resto, bem evidente na recente cirurgia ao joelho: «Em relação às pessoas do Gil Vicente, à estrutura, ao técnico de equipamentos e ao staff médico, não tenho rigorosamente nada a dizer, antes pelo contrário. Fiz muitos amigos lá e só tenho coisas boas a dizer de um clube onde gostei de estar.»

«Agora na cirurgia, fui inclusivamente operado pelo médico do Gil Vicente, o Dr. Luís Miguel, com quem mantive amizade e que fez um trabalho fantástico comigo. Ficou tudo muito bem com toda a gente, incluindo o presidente e o Flávio Soares [diretor desportivo]», remata o jogador dos lusitanistas.

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