Adversário do Sporting conta calvário que viveu: «'Já não és capaz, tens de parar'»
Jonathan Gradit, central do Lens, próximo adversário do Sporting na UEFA Champions League, viveu momentos de grande provação no último ano, mas o calvário parece já ter ficado para trás.
Afastado dos relvados durante cerca de dez meses devido a uma fratura na tíbia e perónio da perna direita, lesão contraída em novembro de 2025, o defesa-central regressou à competição durante o mês passado, somando minutos frente a Le Mans e Monaco.
Em conferência de imprensa realizada esta quarta-feira, a dois dias do embate com o Lyon, o jogador de 33 anos desabafou sobre o impacto psicológico da paragem e confessou ter ponderado o fim da carreira: «Foi com imensa emoção, parecia que estava a fazer o meu primeiro jogo como profissional. Também havia um pouco de stress, não vale a pena esconder, porque é muitas vezes difícil após uma ausência tão longa como esta. O que atravessei foi muito complicado a nível pessoal.»
Habitual titular e um dos jogadores favoritos dos adeptos antes da grave lesão, Gradit não escondeu a dureza dos meses de recuperação e os pensamentos que o assaltaram durante o processo de reabilitação: «Foram momentos muito complicados, com muita solidão. Mesmo com o clube a ser extraordinário no acompanhamento, tal como a minha família e os meus amigos mais próximos, foi preciso combater um pouco os pensamentos negativos. Temos sempre pensamentos negativos nestas alturas, pensa-se no pior e houve fases bastante difíceis. Há apenas três meses não sabia se ia conseguir continuar a minha carreira.»
A recuperação do central ganhou um novo fôlego graças ao apoio estrutural da Direção do emblema gaulês, personificado pelo diretor desportivo Jean-Louis Leca e pelo diretor-geral Benjamin Parrot. A proximidade dos dirigentes revelou-se determinante numa fase em que a rescisão de contrato chegou a passar pela cabeça do futebolista.
«É verdade que a dada altura não via muitas melhorias. Tive um grande momento de quebra e sempre disse que não iria fazer o ano a mais no final da minha carreira. Em determinado momento, era preciso ter a lucidez de dizer 'já não és capaz, tens de parar'. E não estive longe de dizer isso a mim próprio», confessou Gradit, antes de recordar o diálogo decisivo com a estrutura: «Tive uma conversa com o diretor desportivo há quatro meses sobre o meu futuro. Por isso, venho de longe e estou muito orgulhoso de mim. Agora é só desfrutar, são bons momentos que tenho de aproveitar. Gostaria também de destacar a importância que Benjamin Parrot e Jean-Louis Leca tiveram neste processo. Estiveram sempre ao meu lado a tentar motivar-me e a dizer que eu ia conseguir. Isso demonstra bem o espírito familiar deste clube.»
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