Arouca bate Belenenses (4-3) num jogo épico com múltiplas reviravoltas (crónica)
O relvado do Jamor, onde se disputa a final da Taça de Portugal, merecia um jogo épico e teve um jogo épico: 4-3 para o Arouca. Empolgante, eletrizante, entusiasmante e a certeza de que, a jogar assim, o Belenenses chegará, mais tarde ou mais cedo, ao lugar onde quer voltar: a Liga principal.
Era um teste de ferro para o Belenenses de Gonçalo Brandão. Após sete vitórias e um empate nos oito jogos de 2026/27 e a liderança isolada na Série B da Liga 3, aparecia-lhe pela frente uma equipa da Liga principal: o Arouca. E só João Lucas, Nuno Tomás e Tiago Morgado, entre os azuis, tinham experiência na Liga principal.
Não era um teste de menor grau de exigência para o Arouca. Vítor Severino, a cumprir o segundo jogo como treinador principal após a saída de Vasco Seabra para o Rio Ave, não quis passos em falso e colocou em campo o mesmo onze que defrontara e ganhara (1-0) ao Estrela da Amadora na jornada 8 da Liga. Brandão exigia coragem e personalidade; Severino afirmava que «não existem divisões na Taça de Portugal».
Os primeiros minutos deixaram a sensação de que o Arouca corria sérios riscos de seguir o mesmo caminho de Académico de Viseu, Santa Clara, Alverca, Moreirense, Nacional e, mais tarde, do Famalicão. O Belenenses entrou em campo como se continuasse a ser equipa da Liga principal e, com dois remates perigosos, fez com que Arruabarrena se tivesse de mostrar ao mais alto nível: Diogo Leitão, por duas vezes (6’ e 11’), pôs à prova o talento do guarda-redes uruguaio.
Porém, como acontece em muitos dos jogos entre equipas de escalões diferentes, o Arouca fez golo na primeira verdadeira tentativa. Trezza teve um primeiro remate sem qualquer direção (16’) e, pouco depois, fugiu pela direita e atrasou a bola para Barbero, que fez o golo (21’). Logo a seguir (26’), o avançado do Arouca lesionou-se e foi substituído por Mansilla. Até ao final do primeiro tempo, quase só deu Arouca, apesar da impetuosidade do moçambicano Chamito em constantes lutas com os centrais arouquenses.
Pós-intervalo, o Belenenses fez o que não fizera no primeiro tempo: um remate, um golo. Cruzamento largo de Diogo Leitão na esquerda e o brasileiro Cesinha (César na camisola), de cabeça, a desviar ligeiramente e a bater Arruabarrena (49’). Voltava tudo à estaca zero.
Vítor Severino sente o perigo e, ao minuto 61, faz três trocas: Fukui por Pedro Santos, Gozálbez por Rukavina e Trezza por Mayulu. Não mete toda, mas mete alguma carne no assador.
Em vão. Aos 76 minutos, aproveitando um ressalto em David Herrera, Bruninho apanhou a bola à entrada da área e, com um remate fulminante, colocou o Belenenses na frente: quinto golo nos últimos sete jogos.
Faltava ainda muito tempo para o final do jogo e, entre equipas de escalões bem diferentes, a menor frescura física poderia aparecer nas pernas dos jogadores do Belenenses.
Gonçalo Brandão decidiu, por fim, voltar a mexer. E, tal como Vítor Severino, mexeu a triplicar: Chamito por Eduardo Souza, Diogo Leitão por Tiago Moninhas e Herrera por Afonso Valente. E, azar dos azares para os azuis do Restelo, Mansilla aproveita bola solta e faz o 2-2. E pouco depois recoloca, de pontapé de bicicleta, o Arouca na frente: 2-3. Mansilla nunca marcara pelo Arouca e, em quatro minutos (87’ e 90’+1), apontou dois golos!
Parecia o ponto final nas dúvidas. Parecia, sim, mas não foi, porque David Monteiro, lateral-direito de 22 anos, formado no Sporting e titularíssimo no Belenenses de Gonçalo Brandão, desferiu um pontapé do meio da rua e fez o 3-3.
O jogo foi para prolongamento e, aos 105’, Nandin picou a bola para a área belenense, Mayulu recebeu-a no peito e, subtilmente, marcou o quarto golo do Arouca e o sétimo do encontro. E na segunda parte do prolongamento quase nada se passou. Algum perigo junto das duas balizas, mas nada que colocasse em perigo a passagem do Arouca a passagem à fase seguinte da Taça de Portugal.