Noite inspirada
Gyokeres mudou a forma de jogar do Sporting . FOTO IMAGO

O MISTER DE A BOLA Noite inspirada

NACIONAL19.12.202319:52

Tiago Fernandes faz a análise à vitória do Sporting sobre o FC Porto

Plano e estratégia de Rúben Amorim
1.Um dos grandes responsáveis desta vitória do Sporting é Rúben Amorim não só pela estratégia e pelo plano de jogo que delineou, mas porque os leões foram sempre mais fortes do que os dragões, saindo a jogar a partir de trás, sempre com qualidade e muita organização e equilíbrio, com os médios Morita e Hjulmand a desbloquearam muitas vezes a pressão adversária, com os apoios nas costas dos médios do FC Porto e a manter a posse de bola a partir de trás. Isto fazia com que o Sporting saísse para o ataque de forma sustentada, equilibrada e depois com a dinâmica de Geny Catamo, Edwards e Pedro Gonçalves a bola quando entrava no último terço a fazerem a diferença. O Sporting criou sempre muitas situações de perigo, teve uma noite muito inspirada FC Porto, esteve muito bem no jogo e na minha opinião é um justo vencedor. O FC Porto só foi perigoso em alguns momentos de transição, com Galeno a ser o principal desequilibrador mas não teve uma noite inspirada. Taremi esteve muito abaixo, Evanilson também e isso fez muita diferença no jogo porque Quaresma, Diomande e Gonçalo Inácio anularam bem os avançados portistas. Do lado do Sporting, Geny Catamo foi uma boa aposta a lateral direito porque já está a perceber melhor os momentos de transição e orgaização defensiva e no ataque consegue fazer de lateral e de ala, o que acaba por libertar Marcus Edwards para zonas mais interiores, com Gyokeres a ter um apoio mais próximo dele, que lhe dê bolas para ele poder finalizar. 

Leão mandão
2. Na segunda parte o Sporting voltou a entrar muito bem no jogo, a mandar na partida, com muita dinâmica com bola, sempre fiel aos princípios que Rúben Amorim gosta, a sair e de trás e foi uma equipa que nunca baixou, apesar de estar a ganhar por 1-0 e ver vários golos anulados nunca se foi abaixo, mantendo uma atitude muito forte. Após a expulsão de Pepe, o FC Porto sentiu muito a ausência do luos-brasileiro, principalmente nos equilíbrios, porque foi obrigado a baixar Alan Varela para central e, a perder, a tarefa tornou-se ainda mais difícil. O Sporting, com bola, teve mais facilidade em encontrar espaços e penetrar na organização defensiva dos portistas.

O efeito Gyokeres
3. Nesta forma de jogar de Rúben Amorim via-se que o futebol era muito bom mas Viktor Gyokeres veio dar uma alma enorme. É o primeiro jogador a estar na pressão; é o primeiro a defender, a ir na profundidade. É muito forte, muito completo e dá cabo de qualquer defesa e este jogador veio dar o toque de classe que faltava à equipa do Sporting. É muito acima da média, seria bom aguentá-lo no nosso campeonato por mais uns anos mas vai ser difícil, porque o que ele joga e está a fazer esta época – e muito se deve a Rúben Amorim – demonstra que acertaram em cheio para se complementar com Pedro Gonçalves e Edwards, compondo um tridente de luxo. As chaves foram Rúben Amorim, com a estratégia para o jogo para dar mais jogo interior e qualidade ao corredor, com Gyokeres a fazer um grande jogo e Eduardo Quaresma a ter confiança. O Sporting foi justo  vencedor porque jogou muito melhor do que o FC Porto e está justamente no primeiro lugar.