FC Porto instaura três processos relativos aos desacatos na AG
AG dos dragões, realizada na segunda-feira, foi suspensa

FC Porto instaura três processos relativos aos desacatos na AG

NACIONAL06.01.202414:28

«Em 10 ou 15 dias ficará tudo encerrado», diz o presidente do Conselho Fiscal e Disciplinar

O FC Porto instaurou três processos a associados, relativos aos desacatos registados na Assembleia Geral Extraordinária de 13 de novembro de 2023.

«Os inquéritos prévios acabaram e já foram instaurados processos disciplinares. São três, à partida. Neste momento, estão a correr os prazos. Está tudo dentro das conformidades. A tramitação subsequente segue normalmente e penso que em 10 ou 15 dias ficará tudo encerrado», adiantou Jorge Guimarães, presidente do Conselho Fiscal e Disciplinar dos dragões, à agência Lusa.

De recordar que a referida assembleia, destinada a discutir a revisão de estatutos, foi marcada inicialmente para o auditório do Estádio do Dragão, mas depois transferida para o Dragão Arena, por força da forte afluência de associados. A AG acabou depois por ser suspensa, em todo o caso, devido a desacatos entre associados, já na perspetiva de um duelo eleitoral entre Jorge Nuno Pinto da Costa e André Villas-Boas, que esteve presente.

No dia seguinte a direção do FC Porto condenou os incidentes e prometeu recorrer aos meios disponíveis «para identificar os responsáveis pelas agressões físicas», enquanto o Ministério Público (MP) lançou um inquérito.

«A direção sabe o que se está a passar e sabe que os processos foram instaurados após um inquérito rigoroso. Já visualizámos as câmaras de vigilância e o suporte de vídeo do pavilhão. Há vários vídeos que circularam abundantemente nas redes sociais e a própria imprensa escrita tratou de publicar alguns deles. Foi com base nisso que se encerrou o inquérito prévio e que se instauraram as ações disciplinares», explicou Jorge Guimarães.

Os estatutos do FC Porto estipulam que estes processos podem ir da mera advertência à expulsão de sócio, mas o presidente do Conselho Fiscal e Disciplinar não quer antecipar cenários: «A primeira entidade à qual transmitirei isso é a própria direção. Agora, não posso estar a transmitir por antecipação situações que nem a direção conhece muito bem neste momento. Aliás, também nunca me interpelou sobre o assunto, caso contrário eu tinha divulgado o ponto de situação.»

De recordar que a referida Assembleia Geral chegou a estar reagendada para 20 de novembro, mas foi cancelada dois dias antes, pelo presidente da Mesa da Assembleia Geral (MAG), José Lourenço Pinto, uma vez que o Conselho Superior decidiu retirar a proposta de revisão estatutária.

Entre as alterações que gerararam mais polémica estava a possibilidade de alterar a data das eleições de abril para junho, assim como de colocar mesas de voto nas Casas do FC Porto, ou a obrigatoriedade de um sócio ter, no mínimo, dois anos de filiação. Gerou intenso debate também a possibilidade dos titulares de órgãos sociais (ou familiares) ficarem autorizados a fazer negócios pessoais com o FC Porto em caso de manifesto interesse do clube, ou o artigo que salvaguardava a possibilidade de fornecer «apoio técnico, financeiro, organizacional, logístico e material» às claques.