Ceferin questiona defensores da Superliga e fala em «palhaço de uma das federações»
Ceferin, presidente da UEFA (imago/PA Images)

Ceferin questiona defensores da Superliga e fala em «palhaço de uma das federações»

INTERNACIONAL28.01.202410:39

«Nunca dissemos que não podem jogar a sua própria competição. Eles falam em criar algo e depois são os primeiros a pedir para jogar na nossa. Peço-lhes que não joguem na nossa prova e que comecem a trabalhar na deles», referiu o presidente da UEFA

Aleksander Ceferin, presidente da UEFA, comentou a decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia, que deu luz verde à criação da Superliga.

Ceferin, presidente da UEFA (IMAGO)

«O que mais me surpreendeu e desiludiu foi o comunicado de imprensa, que era completamente diferente da decisão. A decisão é melhor para a UEFA do que para a outra parte. Tudo o que a A22 [empresa promotora da Superliga] faz é andar por aí, filmar-se a si própria e tentar dar entrevistas. Entretanto, nós gerimos o futebol», começou por referir, em entrevista ao The Guardian.

«A história da chamada Superliga é a história da nossa sociedade, é a questão de saber se o dinheiro pode comprar tudo. Conheci uma senhora idosa na rua, no meu país, a Eslovénia, depois da sua primeira tentativa [da criação da Superliga] em 2021. Tinha 80 ou 90 anos e já não acompanhava o futebol há muito tempo. Parou-me e disse: ‘Obrigado por ter impedido estes sacanas’. Se eles têm recursos suficientes para viajar e fazer este espetáculo dos Monty Python, tudo bem. Eu não quero saber e a comunidade futebolística também não. Eles não têm ninguém. Tinham 50, 20, 200.... São piadas que não nos interessam», prosseguiu, questionando os defensores da Superliga.

«Nunca dissemos que não podem jogar a sua própria competição. Eles falam em criar algo e depois são os primeiros a pedir para jogar na nossa competição. Peço-lhes que não joguem na nossa competição e que comecem a trabalhar na deles, tendo em conta o número de clubes que têm. Não entendo o que os está a impedir…», atirou.

O dirigente abordou ainda a saída de Zvonimir Boban, antigo futebolista, do cargo de diretor da UEFA. O ex-Milan demitiu-se por não concordar com Ceferin, que está a tentar promover uma alteração dos estatutos para que se possa candidatar a mais um mandato.

«Essa saída não causou grandes problemas, muito menos ondas de choque. Vamos discutir esse assunto quando chegar o momento apropriado. Sobre as mudanças, há questões jurídicas e factuais. Em 2017 tivemos um congresso onde propus um limite de mandados. Mas era algo tão pouco tão claro. Não tínhamos limite de mandados, porque após cada alteração nos estatutos os mandatos anteriores não contam. Não sabia disso. Estamos a fazê-lo para que fique mais claro. Se não o fizermos não haverá limite e eu poderia concorrer para sempre. Há um palhaço de uma das federações [refere-se a Razvan Burleanu, presidente da federação romena] que liga diariamente para outras federações e meios de comunicação e queixa-se que isto é uma conspiração. Fomos informados pelas outras federações sobre esse comportamento. Ninguém me perguntou nada e estou feliz por poder explicar. Se quero concorrer novamente em 2027? Vou anunciar a minha decisão quando chegar a altura certa. Para ser sincero, estou cansado depois de tudo o que passámos nos últimos anos», completou.