Relatório Sporting vs Aves SAD fevereiro 2026
Sporting com pernas em ritmo de treino, cabeça no clássico e coração nas mãos (crónica)
Quando 21 mil sportinguistas saíram de casa numa noite fria a chuvosa de fevereiro para irem a Alvalade não estavam a contar fazer horas-extra, 120 minutos de jogo e desgaste desnecessário para eles, porque a qualidade de jogo foi sofrível… e sobretudo para a equipa, esforço indesejado às portas do jogo do ano. O leão teve as pernas em ritmo de treino, teve a cabeça no clássico e teve o coração nas mãos até aos 117’, depois e consentir o empate em dois penáltis e a só respirar de alívio no pé mágico de Geny(o) Catamo.
Com um jogo de vital importância para jogar na segunda-feira com o FC Porto no Dragão, vindo de um desgastante encontro com o Nacional na jornada 20 (2-1 aos 90+6’) e com as condições meteorológicas a motivarem alertas vermelhos, Rui Borges mudou. E mudou muito, uma revolução televisionada na Taça de Portugal, oito entradas na equipa titular, apenas três leões a ficarem do onze de domingo para quinta-feira.
As mudanças começaram na baliza, onde João Virgínia fez a vez de Rui Silva; na defesa só Eduardo Quaresma se manteve, saíram Fresneda, Diomande e Maxi, entraram Vagiannidis, Gonçalo Inácio e Mangas; no miolo o já anunciado regresso de Hjulmand a fazer dupla com Kochorashvili reaparecido, um no lugar de Morita o outro no de João Simões; Suárez ficou ponta de lança, que as alternativas escasseiam; no trio a apoiar o colombiano, manteve-se Luís Guilherme, entrou Trincão e Bragança nas vezes de Geny (que ainda havia de ser providencial) e Pedro Gonçalves.
Mas se Luís Guilherme foi um dos três que ficou, também ele mudou no entanto: da esquerda para a direita, pela primeira vez desde que está no Sporting nesse lado e com sinais por demais positivos: aos 16’ rematou para defesa de Bertelli; aos 28’ a ver Rivas tirar o golo numa recarga depois de Luis Suárez ter visto o guarda-redes avense tirar-lhe o golo; aos 29’ marcou mesmo, da direita para zona interior e com remate de pé esquerdo ao poste mais distante.
Foi nesse espaço temporal, do minuto 27 ao 29, que o jogo mais mexeu na primeira parte, que até aí esteve frio como tempo. O leão sempre por cima, o Aves SAD recuado embora com um bloco não tão baixo como se podia prever, tentando sair como aos 15’ e aos 19’, Neiva e Rivas a obrigarem Virgínia a trabalhos.
A segunda parte
Os primeiros 45’ terminavam com Bertelli a tirar o 2-0 a Suárez e a trave a Daniel Bragança no mesmo lance. Prenúncio para um reatar de jogo movimentado com o 2-0 e 0 2-1 aos 49’ e aos 63’, autogolo de Paulo Vítor — o calcanhar do leão não é ponto fraco como o de Aquiles, antes arma letal no pé esquerdo de Luis Suárez que desta vez não marcou como ao Nacional mas no mesmo gesto obrigou ao golo na própria baliza — e Pedro Lima de penálti, que o braço de Hjulmand foi ponto fraco a meter o Aves SAD no jogo ainda com muito por jogar.
Mas nem por isso o ritmo mudou, leão com vontades de treino sem pegar no jogo a meio-campo, nem mesmo quando João Simões e Pedro Gonçalves foram lançados por Rui Borges para ensaiar equipa mais próxima da que vai ao Dragão.
Nota mais positiva para os leões foi a experiência de Luís Guilherme na direita, porque no período em que voltou à esquerda (final da primeira parte e início da segunda) baixou de produtividade. Mas não terá sido apenas experiência, terá sido um antecipar do que vai acontecer na próxima temporada, o brasileiro a fazer de Quenda…
O que os leões não podiam antecipar era que aos 90+2’, depois de um jogo mal jogado mas controlado, penálti de Vagiannidis levaria o encontro para um prolongamento indesejado — converteu o velho Nenê. E só não terminou mais cedo porque Virgínia impediu a felicidade a Perea (90+15').
O prolongamento
Nervos à flor da pele, Aves SAD novamente com 11 depois de lance arrepiante que tirara Antoine Baroan de jogo e por isso a utilizar a substituição extra. Rui Borges, que já tinha lançado Nuno Santos e Faye ainda colocou Maxi e Geny. E foi o moçambicano que resolveu aos 117’ o que Suárez não conseguira aos 108’ e aos 113’, por culpa do guarda-redes forasteiro.
Tinha sido de penálti em penálti e já se esperava que até aos penáltis finais… mas o génio de Catamo evitou mais esse sofrimento ao Sporting que até podia ser letal. Não foi, o leão marca encontro com o FC Porto nas meias mas antes há o clássico do campeonato. Não contava era chegar lá com tanto desgaste físico e… emocional.
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