(Zal)azar, central que não é super-homem e um Mercedes nas mãos: tudo o que disse Rui Borges
- Como vê a evolução da equipa desde a vitória frente ao Galatasaray? E como analise o Lens?
- Em relação ao Sporting, tem a ver com o que é o nosso crescimento diário. Melhores nos processos, a encontrar melhores soluções para nos tornarmos mais fortes, tendo em conta a valorização individual também. Não só focados na Champions, mas também internamente no campeonato e nas Taças. Estamos focados na nossa competência, em sermos ainda melhores no futuro para encararmos melhor estes desafios contra as melhores equipas da Europa, que pedem ainda mais rigor, crescimento e qualidade. O Lens é uma equipa, como disse o João [Simões], que tem aqui um ambiente difícil em casa. Já bateram o bicampeão europeu. Venceram a Taça de França na época passada também. Tiveram a mudança de treinador e, nesta paragem, tiveram mais tempo para assimilar dinâmicas e ideias. Fizeram um belíssimo jogo com o Lyon. É uma equipa muito intensa, fortíssima, corajosa e um dos melhores ataques da Liga francesa. É uma equipa muito forte no último terço, que cruza muito, coloca muita gente no processo ofensivo e dentro da área. Fortíssimos em bolas paradas... São fortes, em casa principalmente, e teremos de estar preparados para este grande desafio.
- Teme mais o coletivo do Lens ou algum jogador em específico? Vai fazer muitas alterações em relação ao último jogo, com o SC Braga?
- Pode haver uma ou outra alteração, é natural. No Lens olho muito para o coletivo, mas é igual com qualquer adversário. Claro que identificámos quem está em melhor forma, mas estamos preocupados com a intensidade coletiva. Criam muitas situações pelos corredores, chegam à frente com muita rapidez, cruzam muito e isso dita bem da qualidade que têm no último terço, colocam muitos jogadores junto à baliza do adversário. É das equipas que mais situações de golo cria [na Ligue 1]. Sabemos da dificuldade mas faremos de tudo para estarmos preparados.
- Debast não esteve no treino e não viajou com a comitiva, pode dizer o que se passa com o central? E quanto a Ibrahima Ba? Pode ter papel importante amanhã fase à fisicalidade do adversário?
- Depende para o lado em que levamos a fisicalidade. Não tem a ver com os jogadores serem fortes ou altos, tem a ver com intensidade. Temos de ter todos essa intensidade, não só o Ba. O Ba não é um super-homem na parte competitiva. Melhorámos frente ao SC Braga e ganhámos por isso mesmo, e amanhã será semelhante. Um jogo que exigirá muito a nível físico, o Lens é muito intenso de forma coletiva desde os defesas aos atacantes. Têm uma defesa rápida e muito intensa, com dois laterais - ou alas como lhes quiserem chamar - muito intensos, verticais e preponderantes no processo ofensivo, com muita capacidade para voltar e defender também. Vai exigir muita intensidade de jogo e teremos de acompanhar. O jogo com o SC Braga obrigou-nos a níveis [intensos] a todos nós, mas amanhã teremos de estar ainda melhores. O Debast foi à seleção e não jogou, estava a crescer a nível físico mas no treino sentiu um pequeno desconforto. Nada preocupante, mas optámos por não arriscar.
- Sabendo que garantindo continuidade na Champions ajuda o clube no plano financeiro, sendo que diz que a Champions do Sporting é o campeonato, os milhões vão pesar na tomada de decisão para poupar um ou outro jogador?
- Essa pergunta dá razão ao que disse, que a nossa Champions é o campeonato. Para estarmos cá temos de ser campeões. O meu foco é o campeonato. Claro que olhamos muito ao próximo jogo, independentemente da competição, mas queremos competir. Temos um grupo jovem que gosta e quer competir. Claro que a maioria dos jogadores olha para esta competição como um sonho realizado, uma montra. São jovens que sonhavam um dia poder desfrutar desta competição. E acima de tudo é isso que queremos, competir. Independentemente de quem jogue. Mesmo sabendo que vamos ter muitas dificuldades, é isso que queremos fazer amanhã.
- Rui Silva está em risco de perder a titularidade, tendo em conta que tem falhado em alguns lances nos últimos jogos? Pode surgiu oportunidade para Kaique?
- Estão todos em risco, não é só o Rui. Todos estão em risco de jogar ou não. Essa pergunta para mim não existe. Quando sofremos golo não sofre o Rui, caso contrário seria sempre o culpado por ser o último homem. Quando sofremos, sofremos todos, a culpa é de todos e a culpa principal é do treinador. Trata-se de rendimento. Amanhã teremos o melhor onze e aquele que achamos que nos leva a ser melhores perante o adversário.
- Na temporada passada, antes do jogo com o Arsenal, fez a analogia do Peugeot e do Mercedes. Nesta Champions, que carro é o Sporting?
- Vou tentar ser um bocado engraçado também [risos]. O Sporting, hoje em dia, já é uma presença habitual na Champions, é um grande clube, somos um Mercedes, mas não um topo de gama [risos]. Mas temos a validação de sermos uma grande equipa e para a qual toda a gente olha como tendo muita qualidade. Não quero só valorizar a época passada, mas também o crescimento contínuo nesta competição. Sabemos que é uma prova difícil com os melhores da Europa e do Mundo e queremos estar aqui inseridos. E estamos! Depois é competir. Da nossa forma, da nossa maneira, valorizar ao máximo o nosso País, o nosso clube, os nossos sócios e simpatizantes. E a nós também enquanto equipa grande e uma equipa que tem feito por merecer estar entre os melhores.