Villas-Boas fala da relação com os rivais de Lisboa - Foto: FC Porto
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Villas-Boas e a relação com Rui Costa e Frederico Varandas: «Está ferida de morte»

Presidente do FC Porto participou no Cardiology Gaia Meeting 2026

À margem da sua participação no Cardiology Gaia Meeting 2026, realizado hoje na Alfândega do Porto, André Villas-Boas abordou as relações institucionais e pessoais com os rivais Sporting e Benfica. Integrado num painel dedicado à 'Construção de equipas de alta performance', o presidente do FC Porto revelou que o plano pessoal entre os dirigentes dos três grandes atravessa um momento de rutura profunda, embora reconheça sintonia com os leões em matérias estratégicas.

Convidado a separar a vertente racional da emocional no relacionamento com os rivais de Lisboa, o líder dos dragões contextualizou a postura dos portistas e o ambiente vivido no desporto em Portugal.

«O futebol português é um campo de batalha difícil, em todo o seu esplendor, e com muita animosidade negativa seguramente. O FC Porto como um bastião de determinados valores, um dos quais ser um defensor da sua região, pelo menos assim o entende e assim motiva também a sua militância, o que é o Porto, o que é esta região… Temos um enquadramento muito específico em relação a determinados clubes, nomeadamente clubes sediados em Lisboa, a nossa capital, onde basicamente estão sediadas todas as grandes instituições do país», começou por salientar.

De seguida, o dirigente vincou a fratura ao nível das relações diretas entre líderes de clubes, diferenciando o cenário institucional face a Sporting e Benfica: «Esta é uma primeira fotografia. Depois há aquela que está relacionada com a relação com os presidentes. Há uma parte que é pessoal, que está ferida de morte naturalmente, entre diferentes acusações de uns para os outros, onde não existem relações. E depois a outra que está relacionada com a visão destes três para um melhor futebol português. Nesta, no que navega dentro dos objetivos comuns que temos, há um alinhamento mais preciso do ponto de vista estratégico entre o FC Porto e o Sporting, que não existe no caso do FC Porto e do Benfica, porque têm diferentes visões para determinadas coisas, e desde logo a questão dos direitos audiovisuais, que neste caso partilhamos com o Sporting e não partilhamos com o Benfica.»

Por fim, Villas-Boas estabeleceu um paralelismo com o panorama internacional, apontando como exemplos as tensões no futebol espanhol e o modelo de cooperação promovido pela European Football Clubs.

«Internacionalmente há todo um respeito maior e voltando atrás só para dar um exemplo… Real Madrid e Barcelona estão também neste limbo, de desentendimento relativamente a um dos casos que pairam sobre o futebol espanhol. Isto também pode acontecer aqui… Há os estratégicos e há os que estão relacionados com o âmbito desportivo, que leva a esta animosidade e a muitos alertas e head lines e por aí fora. Internacionalmente há uma união, uma visão, a European Football Clubs caminha para mais de mil clubes membros. Aqui há um alinhamento estratégico muito forte, ainda agora houver a Assembleia Geral onde o FC Porto tem a sua presença. O futebol português também precisava deste alinhamento. Se vamos chegar lá algum dia? É possível, devagarinho, mas é possível. Há fazer um caminho a fazer do ponto de vista estratégico, estrutural, infraestrutural, da qualidade do produto… Tem de haver um corpo comum de ideias", referiu.

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