Vasco Seabra estreia-se pelo Rio Ave - Foto: Rio Ave
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Vasco Seabra: «Não há desculpas, Rio Ave é um projeto ambicioso»

Treinador dos vila-condenses fez a antevisão do jogo com o Nacional da Madeira e abordou a sua saída do Arouca

Na antecâmara da receção ao Nacional, Vasco Seabra abordou os motivos que ditaram a sua saída do Arouca rumo ao Rio Ave. O técnico vincou a ambição depositada na estrutura de Vila do Conde e garantiu uma equipa competitiva e focada na evolução coletiva, recusando qualquer cenário de crise face ao arranque de campeonato. O treinador recordou a dificuldade em deixar para trás o trabalho consolidado em Arouca, mas destacou a determinação demonstrada pela liderança vilacondense: «Foi um momento especial e difícil. Deixar Arouca foi difícil pela ligação a todos. Criámos algo realmente especial e foi complicado largar o lugar, uma equipa bem oleada e um sentimento que construímos algo de muito bom. Quando surgiu a hipótese Rio Ave foi tudo muito rápido devido à forma como o presidente e o investidor me abordaram e a convicção que demonstraram em ser a escolha ideal para liderar este projeto ambicioso, que tem tido dores de crescimento naturais. A hierarquia demonstrou-me que era a pessoa indicada para liderar este projeto e, desde que isso ficou definido e muito claro, também surgiu a minha ambição de querer liderar neste projeto.»

Relativamente às condições e o investimento que envolveram a sua contratação, Seabra explicou que as perspetivas estruturais foram decisivas para aceitar o desafio: «Financeiramente é um contrato muito mais vantajoso, mas isso é transversal a qualquer profissão. Se alguém receber uma proposta melhor irá sempre ponderar, mas também posso revelar que há três meses recebi uma proposta financeiramente bem mais elevada do que a do Rio Ave, pelo que, muito mais do que a parte financeira, a minha opção está relacionada com a minha convicção sobre este projeto ambicioso, bem como pela perspetiva de poder liderar algo que pode ser sustentável. O Rio Ave já anunciou o projeto de uma nova bancada, há também uma nova bancada para formação, uma equipa sub-23 competitiva, dois campos relvados só para a equipa principal. Uma estrutura grande que demonstra capacidade e que é um motivo para orgulhar o Rio Ave. A forma como podemos assumir um projeto com esta dimensão foi o que mais pesou.»

O técnico encara o investimento como um estímulo adicional: «É um fator de motivação, de responsabilidade e de confiança. Não há ninguém que queira vencer mais do que eu, pelo que vou assumir isso com convicção e energia para representar uma ideia do que queremos ser. Uma equipa com responsabilidade e alegre. Todos vamos estar a lutar por Vila do Conde.»

Apesar do pouco tempo de trabalho antes do próximo embate, Seabra estabeleceu os princípios que pretende ver refletidos em campo e deixou um elogio ao seu antecessor: «Temos cinco treinos, mas não vou estar constantemente a falar que preciso de mais tempo porque já sabia que ia entrar de imediato. Quero apresentar já coisas relacionadas connosco, uma ideia de jogo que não é do treinador, mas do clube. Demonstrar raça, competitividade, ambição para recuperar a bola e ter prazer em ter a bola e ferir o adversário. Estes são os princípios inegociáveis e quero que os adeptos sintam já essa predisposição. O modelo de jogo contempla algumas coisas idênticas, mas os princípios de pressão e de construção são muito diferentes. Quero também deixar uma palavra ao Sotiris, que deixou trabalho de conquista e que vamos tentar, dentro das nossas ideias, orgulhá-lo pelo que deixou.»

A multiplicidade de nacionalidades no plantel também não é encarada como um obstáculo pelo novo timoneiro dos verde e brancos: «Em termos de nacionalidades até brinco com eles porque em Arouca houve um jogo em que jogámos com 10 ou 11 nacionalidades diferentes. Não é algo diferente ao que estava habituado a trabalhar, mas o importante são as relações. Estamos cientes que temos de ser mais equipa e sofrer mais uns pelos outros e orgulharmo-nos mais uns pelos outros. É um chavão dizer que temos de ser uma família, mas dentro da minha família, quando discuto com a minha mulher, é com o propósito de resolver algo juntos. No Rio Ave será o mesmo. Blindar o balneário e sentir que cada um de nós é capaz de dar a vida.»

Com quatro pontos somados à 7.ª jornada, Vasco Seabra afastou o dramatismo e exigiu foco no processo de trabalho para alcançar os resultados pretendidos: «Desde o momento em que assumo um desafio não me vou agarrar a desculpas, sejam elas do relvado ou dos jogadores. Parece-me redutor dizer que não há margem quando estamos na 7.ª jornada. São quatro pontos conquistados e parece que já estamos a falar em crise ou a fazer o funeral, até porque vejo um grupo com potencial e um clube com condições de trabalho para inverter o rumo. Contudo, antes de falar de vitórias, o que é que temos de falar é o que fazer para lá chegar. A forma como nos queremos desafiar é que nos fará chegar a vitórias consolidadamente. Temos muita margem de crescimento e o plano é convencer os adeptos com energia de dentro para fora.»

No que concerne à estreia diante do Nacional, o técnico perspetivou as dificuldades do encontro, alertando para a evolução do adversário: «O Nacional começou mal com o Alexandre, mas aproveitou claramente a paragem para aproximar as ideias. A necessidade de olhar para o próprio desempenho e manter níveis elevados de compromisso coletivo é a chave apontada para responder às exigências competitivas, independentemente do oponente.

Sublinhando a preparação do rival, foi deixado o aviso para a postura que a equipa terá de assumir em campo: «É um técnico metódico e é um adversário que também quer dar uma resposta, mas, mais do que a qualidade individual do adversário, se queremos conseguir responder temos de olhar muito para nós.»

O nível de competitividade de qualquer opositor foi igualmente vincado como um fator a ter em conta: «Todos os adversários são extremamente competitivos, chame-se ele Nacional ou qualquer outro, pelo que temos de ganhar duelos, correr muito e mostrar que somos uma equipa que se liga e que comunica.»

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