SC Braga exige saída de Luciano Gonçalves do Conselho de Arbitragem
O SC Braga exige a saída de Luciano Gonçalves do cargo de presidente do Conselho de Arbitragem (CA). Tal anseio está devidamente exposto na carta enviada, este sábado, ao presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Pedro Proença, e ao próprio líder dos árbitros.
A missiva, assinada por António Salvador, presidente da SAD dos guerreiros do Minho, dá conta de que «o serviço prestado» pela arbitragem «piorou» e o texto refere mesmo «falhas flagrantes com impacto na verdade desportiva», facto reportado para um lance sucedido ao minuto 49 do encontro de ontem frente ao Sporting, em que, no entender dos bracarenses, ficou por assinalar um penálti por mão de Doumbia no interior da área dos leões. Na altura, recorde-se, o SC Braga vencia por 1-0, pelo que, caso o castigo máximo fosse assinalado e, claro, convertido, a vantagem da formação de Carlos Vicens passaria a ser de dois golos.
Ainda de acordo com a exposição feita às entidades acima referidas, o SC Braga entende que Luciano Gonçalves «não está a liderar o setor que dirige e não está em condições de cumprir a sua função».
Exmo. Sr. Presidente da FPF
Exmo. Sr. Presidente do CA
Os últimos meses da arbitragem portuguesa têm sido de agitação e instabilidade. Desta feita, mais do que o tradicional ruído vindo do exterior, é de dentro das próprias estruturas federativas que se manifestam divergências, intrigas e suspeições. É inegável o impacto destes episódios, quase todos eles laterais ao quadro de árbitros e video-árbitros, mas com efeito direto no trabalho que se manifesta nos relvados e nas salas de VAR. O serviço prestado ao futebol, há que admiti-lo, piorou.
Como sabem e por certo reconhecem, o SC Braga tem acompanhado este período com interesse e diligência, mas também com recato externo e responsabilidade institucional. Apesar de reconhecer a gravidade das suspeições e dos factos indiciados, o SC Braga tem evitado contribuir para o clamor público, reclamando por esclarecimentos definitivos sem deixar de admitir dúvidas razoáveis, que urge dissipar.
Perante o quadro de todos conhecido, e depois de uma longa paragem competitiva também ela muito ruidosa e com o sector e as suas lideranças amplamente expostas, era de prever e acautelar as máximas condições para que o contexto não desaguasse, no regresso dos campeonatos, em falhas flagrantes com impacto na verdade desportiva. Infelizmente, tal não aconteceu.
Esta sexta-feira, ao minuto 49 do SC Braga x Sporting CP, e num momento em que o resultado era de 1-0, há uma evidente grande penalidade a favor da equipa visitada que o árbitro não consegue vislumbrar em campo, condicionado pela rapidez da jogada e pelo movimento do jogador que defende. O próprio árbitro interrompe o jogo segundos depois, aguardando esclarecimentos do VAR, cuja falha, essa sim, é inadmissível. Um erro flagrante, com impacto no resultado, adulterou o jogo de cartaz da jornada.
O SC Braga assinalou de imediato este erro e reportou-o, cuidando que a liderança do sector pudesse dar a devida importância ao acompanhamento das competições e do seu quadro de árbitros e vídeo-árbitros. Para nosso absoluto espanto, encontrámos no final do jogo o Presidente do Conselho de Arbitragem num estúdio de televisão, diante de um painel de jornalistas e comentadores, exaltado perante notícias e comentários sobre a sua vida particular e a sua situação patrimonial. Um espectáculo surrealista, completamente alheado da função que Luciano Gonçalves desempenha, e esclarecedor sobre o foco da liderança que, no rescaldo de um jogo capital com erro decisivo, protagoniza um momento televisivo que perdurará no anedotário do futebol nacional.
É inegável que o cidadão Luciano Gonçalves terá todo o direito à sua reputação, ao seu bom nome e à defesa da sua esfera familiar, mas a importância do cargo que assume não se suspende por conveniência pessoal. Por mais respeitáveis que sejam as suas motivações individuais, o que o Presidente do Conselho de Arbitragem ontem transmitiu ao seu quadro e ao futebol em geral, minutos depois de um jogo de enorme importância, é que não está a liderar o sector que dirige e não está em condições de cumprir a sua função.
A presente missiva, da qual será dado conhecimento público, é o alerta derradeiro para que a Federação Portuguesa de Futebol, a sua Direção e o seu Conselho de Arbitragem reconheçam a gravidade do contexto criado e do efeito de contágio que ele tem sobre o sector, a sua estabilidade e a qualidade das decisões tomadas em jogo, bem como a respetiva análise e aprendizagem. Aqui chegados, e sob pena de escalada, reclamam-se medidas imediatas que garantam à arbitragem as condições mínimas e a salvaguarda das competições.
Melhores cumprimentos,
António Salvador