Artigo 79.º da Constituição consagra direito ao desporto. Foto A BOLA
Artigo 79.º da Constituição consagra direito ao desporto. Foto A BOLA
Adicione A BOLA às suas preferências do Google

São as famílias quem paga o Desporto em Portugal

Hoje paga-se para jogar num clube, pagam-se os equipamentos, os transportes são por conta própria e o apoio médico é zero. O que está a falhar no fomento do Desporto?

A subida de quase 30 por cento da dotação para o Desporto na proposta de Orçamento de Estado que estará em breve a ser discutida na Assembleia da República é uma excelente notícia. Surge no seguimento de um trabalho sustentado, que tem produzido cada vez mais e melhores resultados, muitos deles de verdadeira excelência para o País. Cumpre-me reconhecer que a atuação da ministra Margarida Balseiro Lopes e do secretário de Estado Pedro Dias demonstra, nos últimos meses/anos, uma aproximação importante aos agentes desportivos e ao que realmente faz mexer a máquina.

Estamos, porém, ainda distantes do cumprimento integral do artigo 79.º da Constituição, de acordo com o qual «incumbe ao Estado (...) promover, estimular, orientar e apoiar a prática e a difusão da cultura física e do desporto», considerados «um direito de todos».

Há três/quatro décadas um(a) jovem praticava determinada modalidade, sobretudo coletiva, sem nada pagar aos clubes, era-lhe fornecido equipamento, havia transporte para os jogos fora de casa e apoio médico. No mínimo um(a) enfermeiro(a) ou massagista, em muitos casos a participação de médicos(as).

Hoje, as famílias pagam mensalidades, pagam os equipamentos, levam os filhos e os colegas em transporte próprio para o estádio ou pavilhão onde eles joguem e arriscam ter de pagar consultas por causa de uma contratura, ou, em alternativa, a passarem horas numa Urgência hospitalar sem que isso passe, no final das contas, de um «muito repouso e anti-inflamatório». E depois logo se vê quando está apto para jogar. «Não doer» é insuficiente, bem o sabemos.

Não digo que todos os clubes lucrem com isto. A maioria apenas sobrevive. O corte substancial imposto a dada altura aos apoios autárquicos pode explicar grande parte do problema. Cabe, então, ao governo central dar respostas às famílias.

Próximo artigo

A iniciar sessão com Google...