Rui Jorge, ex-selecionador Sub-21 de Portugal, está hoje no comando dos sub-20 do Azerbaijão - foto: LUSA/António Pedro Santos
Rui Jorge, ex-selecionador Sub-21 de Portugal, está hoje no comando dos sub-20 do Azerbaijão - foto: LUSA/António Pedro Santos
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Rui Jorge arrasa Pedro Proença: «Foi desonesto e de baixo valor humano»

Após quase 15 anos aos comandos dos Sub-21, o técnico revela mágoa pela forma como saiu, acusando o presidente da Federação de não ter tido «uma palavra» na hora do adeus

A saída do comando técnico da Seleção Nacional Sub-21 continua a deixar marcas profundas em Rui Jorge. Em entrevista concedida à agência Lusa, o atual selecionador sub-20 do Azerbaijão quebrou o silêncio sobre o fim do seu ciclo de quase 15 anos na Federação Portuguesa de Futebol (FPF), lançando duras críticas à liderança do organismo e ao seu presidente, Pedro Proença.

Nem sei se me agradeceram em comunicado. O que sei é que acho que deveria ter saído de outra maneira, com outro respeito. Acho que foi, não só desonesto da forma como o fizeram, como também de baixo valor. De baixo valor humano, de baixo valor profissional. Isso é uma coisa que me deixa alguma mágoa», atirou o técnico.

Rui Borges, ex-selecionador Sub-21, hoje nos sub-20 do Azerbaijão - foto: LUSA/António Pedro Santos

Ligado durante década e meia aos escalões jovens de Portugal — e com um passado marcante também enquanto internacional —, Rui Jorge entende que a mudança de ciclo e a opção por Luís Freire eram «perfeitamente naturais», mas condena sem rodeios o tratamento que recebeu da cúpula diretiva do futebol nacional.

«São muitos anos ligados à nossa seleção e não é, para mim, admissível que, quando se vai embora, o presidente não tenha uma palavra connosco. Além de não ser feito de uma forma clara, não é admissível. Não é de uma pessoa de bem. E isso deixou-me obviamente triste», desabafou, acrescentando que se tratou de «um momento feio e que não dignifica a FPF».

A rutura foi de tal forma dolorosa que o treinador admite evitar ver os jogos da atual Seleção de Sub-21, por ainda guardar no pensamento o planeamento que tinha desenhado para os jovens talentos nacionais.

«Quando vejo o Mateus Fernandes, o Quenda, o Mora, o Forbes... Eram muitos jogadores que já estavam naquela fase e que eu perspetivava um apuramento seguinte e um Campeonato da Europa seguinte de uma determinada maneira. Então prefiro não ver», justificou.

Apesar da mágoa em relação à direção da FPF, Rui Jorge garantiu não guardar qualquer rancor do futebol português nem do seu sucessor, revelando que fez questão de ligar a Luís Freire no momento da nomeação: «Telefonei-lhe para lhe desejar toda a sorte e para que fosse tão feliz na seleção sub-21 quanto eu fui. Se ele puder conquistar o troféu que eu tanto tentei e não consegui, vou-lhe pedir para estar lá na final e para me deixar tocar um bocadinho nesse tal troféu.»

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