Se Rui Borges tem Mercedes, que carro é o Benfica de Marco Silva? Tudo o que disse o treinador
— Quais são as expectativas do Benfica para o jogo de amanhã? Depois do Hearts, será muito diferente defrontar o Celtic?
— É um jogo diferente. Estávamos a falar de fases diferentes. E, claramente, a dimensão do adversário. O seu historial em termos de títulos e domínio no futebol escocês falam por eles. Temos de nos preparar da melhor forma. Começámos com o pé direito no jogo em Itália e agora queremos dar continuidade a isso. Temos de dar continuidade também aos resultados perante os nossos adeptos. Esperamos um excelente ambiente. Percebe-se que há uma ligação cada vez mais forte entre a equipa e a massa adepta e, naturalmente, tornamo-nos muito fortes.
— Quão importante seria alcançar mais três pontos e chegar aos seis? Seria meio caminho andado para conseguir chegar à próxima fase da Liga Europa?
— Será muito importante. Tivemos começo muito bom para nós com os três pontos, teremos de dar continuidade a isso mesmo, respeitando muito aquilo que é o Celtic, a sua qualidade. Uma equipa que em termos de competições europeias não começou tão bem este ano, querem ter uma reação. A nós compete-nos estar ao nosso melhor nível, que nos permita ganhar o jogo, podendo aliar isso a uma boa exibição. Porque o Celtic, pela qualidade, pela dimensão que tem como clube, possivelmente irá jogar de uma forma diferente do que jogou o nosso último adversário e o jogo irá exigir de nós outras coisas também.
— Vai haver mudanças? Em relação aos centrais, como é que está a pensar utilizá-los?
— Temos três centrais. Temos depois o quarto central, podemos pensar num outro jovem que tem jogado mais na equipa B, e temos sempre a questão do Manu, que acreditamos que possa fazer a posição, não sendo a sua posição de raiz. Podemos gerir da forma que acharmos que é o melhor para a equipa. Temos vindo a gerir. Circati teve o seu processo de adaptação ao clube, às nossas ideias, a uma forma de defender completamente diferente. Requer aprender rotinas e criar rotinas novas nele individualmente para que perceba a forma como nós queremos jogar. Deu um resposta muito boa para um jovem que acabou de fazer 23 anos. É bom ter três jogadores com características diferentes. Em relação à questão dos guarda-redes, posso adiantar que o Trubin vai começar o jogo.
— Há a possibilidade de Sudakov ocupar posição diferente?
— Vou ser sincero, temos vindo a pensar na posição do Sudakov. Com bola não há absolutamente diferença nenhuma na posição do Sudakov jogando como interior-direito ou interior-esquerdo. Há a diferença depois no momento da nossa organização defensiva, em que nos posicionamos mais num 4-4-2 sem bola e em que ele neste caso terá de ser um dos médios mais posicionais. É este o aspeto em que teremos de trabalhar mais com ele, precisa de ganhar rotinas como segundo médio sem bola. Acredito que com mais trabalho, com mais tempo de treino, com mais regularidade dele a sentir aquela posição em treino, estará mais preparado para isso, porque não? Fê-lo algumas vezes no Shakhtar.
— Importa garantir quanto antes um apuramento para aliviar um pouco o calendário?
— Seria importante, mas lá está, a este nível e ao nível a que estamos não dá para pensar no daqui a dois meses. Quando vierem esses últimos jogos da fase de liga será numa altura da época fundamental, com muitos jogos também. Neste caso, não há jogo no fim de semana, podendo sempre fazer algumas alterações porque na paragem internacional existiram jogadores que fizeram muitos jogos num período curto de 15 dias. Se tivermos de fazer alguma rotação iremos fazer, mas com o objetivo claro que é ganhar o jogo. Acho que o nosso jogo em Itália provou também que é possível de outra forma e os jogadores nesse aspeto estiveram excelentes.
— Sente que a equipa está num ponto em que pode mudar de peças sem perder rotinas?
— Eu acredito que sim. O nosso jogo em Itália foi um jogo de características um pouco diferentes, mas fizemos alguns ajustes táticos que eram importantes para aquele jogo. Este mês e meio até à paragem vai-nos dar oportunidades de vermos outra vez acontecer algo parecido em termos de rotatividade. E que quando mudamos alguns jogadores o impacto não é pela negativa, mas impacto positivo pela oportunidade, como falou, de outros jogadores entrarem e quererem mostrar serviço. Não há que esconder: quando se mudam 9 ou 10, independentemente da qualidade, há um risco. E eu assumi esse risco e disse-vos que havia um risco grande na tomada de decisão, mas há um risco porque há rotinas que são importantes alguns jogadores terem.
— João Palhinha regressou recentemente à Seleção Portuguesa, foi também mérito de Marco Silva? E há uns dias, Rui Borges qualificou o Sporting como um Mercedes na Liga dos Campeões; que carro considera ser o Benfica na Liga Europa?
— [risos] Vamos começar pelo João Palhinha. Foi importante o Benfica voltar a ter três jogadores na Seleção principal de Portugal. O João acabou por jogar mais do que os outros dois, é importante. Foi importante para ele ser chamado. Em relação ao mérito, é do jogador. Em relação à segunda questão, não vou entrar em marcas de carros, não podemos, temos um acordo com uma marca de carros e não podemos impor outra. Começámos bem, mas até provarmos que podemos chegar à final ainda há muito caminho, muito trabalho, muita vitória e muitos três pontos para serem disputados. Olhando para a Liga Europa, estão lá três, quatro, cinco grandes clubes a nível europeu e que estão muito mais habituados à Champions League do que à Liga Europa, mas isso só por si não é um sinal de favoritismo e só por si não é um sinal de que vais ganhar o próximo jogo.
— Que experiências teve com equipas escocesas?
— Trabalhei com o capitão Robertson. Em Inglaterra é tudo muito perto, claro que também sigo a competição escocesa. É um grande clube. Vamos enfrentar um grande clube, um grande clube na Europa, um clube com grande tradição. Vai ser um jogo difícil. É sempre excelente quando sentes o ambiente, a atmosfera à volta do Celtic, e claro que os adeptos do Celtic vão querer mostrar isso. Mas também não é muito fácil jogar no nosso estádio e vamos tentar fazer uma noite difícil para o Celtic.
— Trabalhou com Callum Osmand [no Fulham], tem vindo a acompanhar o seu progresso no Celtic?
— Sim, é muito bom vê-lo. É um grande rapaz que tomou uma decisão de ir de Inglaterra para a Escócia. Ele assinou por um grande clube e foi um grande passo para ele. Claro que desejo o melhor para ele, porque ele é um rapaz espetacular.
— Já teve alguma oportunidade de trabalhar na Escócia?
— Sou fã de futebol, claro que sigo os grandes jogos e os grandes dérbis que têm lá. O Celtic é um clube que vai tentar tornar a nossa vida muito difícil e nós temos de estar no nosso melhor nível... ser Benfica.