Rui Borges: «Queremos estar entre os melhores e disputar a Champions até ao fim»
A excelente campanha do Sporting na fase de liga UEFA Champions League - que terminou com um sétimo lugar - tem colocado o nome de Rui Borges nas bocas da Europa. O treinador leonino tem sido um dos protagonistas da temporada europeia dos verdes e brancos e, em declarações à UEFA, falou sobre o seu percurso, a ligação à terra natal e até sobre um detalhe curioso que o acompanha sempre no banco: um simples relógio.
Conhecido por usar sempre um relógio Casio durante os jogos, Rui Borges explicou a origem desse hábito e o significado que tem para si. «Hoje em dia os estádios têm placares, e eu comecei lá atrás, em clubes pequenos, onde não há placares, onde eu tinha que ter um cronómetro para ver o jogo, para controlar o jogo e o tempo», recordou.
«Habituei-me a ele. É algo que me identifica, é simples, é puro, tal como eu», afirmou, acrescentando que, mesmo com os marcadores eletrónicos nos estádios modernos, continua a olhar sempre para o relógio. Mais do que um objeto prático, o relógio tornou-se também um símbolo do caminho percorrido. «Identifica muito aquilo que tem sido o nosso trajeto, não só o meu, mas o da equipa técnica, e simboliza tudo o que fomos capazes de ultrapassar ao longo destes anos, até chegar ao Sporting.»
Mirandela no coração
O percurso de Rui Borges começou bem longe dos grandes palcos do futebol europeu, na pequena cidade transmontana de Mirandela, onde representou o SC Mirandela enquanto jogador e, mais tarde, como treinador.
«Mirandela diz-me muito e o clube em si diz-me muitíssimo, porque me deu essa oportunidade de crescer como atleta e de correr atrás de um sonho», confessou. Um antigo treinador que trabalhou com Borges nessa fase da carreira recordou as qualidades que já demonstrava na altura. «Tive a honra de ser treinador do Rui Borges quando ele era jogador do Mirandela. Era capitão de equipa e percebi que tinha qualidade para chegar mais longe e também para seguir a carreira de treinador.»
«É um ser humano espetacular e daí o sucesso que está a ter. Todos os mirandelenses têm que sentir orgulho pelo Rui Borges, por aquilo que ele fala da sua terra e por ser um transmontano de gema. Para nós é um motivo de orgulho e dá visibilidade a Mirandela», acrescentou.
O próprio Rui Borges garante que o sucesso não o mudou: «Mesmo estando num patamar diferente, não mudei. Continuo a ser a mesma pessoa que estava em Mirandela quando treinava o Mirandela, é a mesmo que treina o Sporting. Isso deixa-me feliz, porque eles identificam-se comigo e com aquilo que é a minha personalidade e o meu caráter.»
«A sorte dá trabalho e nós tivemos oportunidades difíceis, mas soubemos agarrá-las e isso ditou aquilo que foi o nosso trajeto, o meu trajeto, porque, se em algum momento não fôssemos capazes, o trajeto teria sido outro e se calhar ainda hoje treinava o Mirandela», admitiu.
A ambição europeia do leão
Depois de uma ascensão rápida nas divisões do futebol português, Rui Borges encontrou em Alvalade o palco ideal para afirmar o seu trabalho. Sobre a campanha de grande nível na Liga dos Campeões, o treinador destacou a ambição e o compromisso do grupo. «A equipa tem tido uma ambição infinita, mas também um rigor e um compromisso fantásticos, e isso levou-nos a fazer aqui uma campanha maravilhosa.»
«Para mim, como treinador, foi muito bom. A primeira época que levo a Champions desde o início e acabar entre os oito primeiros, no meio dos melhores, era impensável. Acho que ninguém em Portugal acreditaria que o Sporting ficasse nos oito primeiros», continuou, deixando uma mensagem de confiança: «Queremos estar entre os melhores e disputar esta Champions até ao fim da melhor maneira, continuando a marcar a história do Sporting nesta competição.»