Ronaldo volta à normalidade saudita: carinho, golo e intocável (crónica)
Mais do que o regresso de um campeonato, o Al Nassr-Al Diriyah assinalava o regresso de Cristiano Ronaldo à competição depois do terremoto criado pela clivagem profunda na Seleção Nacional durante os jogos da Liga das Nações. E dentro dos parâmetros da liga saudita, o avançado voltou a sentir-se como peixe na água. Marcou, esteve perto de bisar, fez passes para colegas marcarem e jogou os 90 minutos. Resumindo: voltou a sorrir e a equipa colou-se ao Al Qadsiah na liderança da liga saudita.
Sentindo o apoio dos adeptos locais que cantaram o seu nome e apresentaram uma tarja gigante com a inscrição «A grandeza conquista-se», em homenagem ao goleador e capitão, Ronaldo chegou fez abanar as redes aos 9', com passe de rotura de João Félix, mas a bola picada sobre Waleed de nada valeu tendo em conta que estava (muito) fora de jogo.
Do outro lado estava uma equipa dirigida por Bruno Lage que tenta jogar com a defesa muito subida e numa das muitas transições ofensivas o Al Nassr chegou, aos 23', ao 1-0 com assinatura CR7: Coman sprintou a partir da linha do meio campo, encostado à direita, foi derivando para o centro, rematou de pé esquerdo, o guardião defendeu para a frente e Ronaldo apareceu para a recarga e para o festejo habitual.
Sempre em jogo e recebendo muitas bolas dos colegas, o ponta de lança esteve perto do 2-0 aos 29 após uma carambola na área, mas o veterano guardião saudita (40 anos) roubou-lhe o golo. Antes destes dois lances já Cristiano Ronaldo conseguira deixar Samu Costa na cara do guarda-redes com um pequeno toque na pequena área.
Os visitantes raramente incomodavam (Darwin Núñez muito longe de outras noites) e o Al Nassr chegou ao 2-0 aos 35', numa entrada de cabeça de Samu Costa a canto aberto cobrado por João Félix. Ronaldo celebrou como se fosse ele a marcar.
O terceiro golo podia ter sido de outro português, mas João Félix, isolado a partir da linha do meio-campo (muito descompensada a equipa de Lage), permitiu a mancha de Waleed quando tinha Mané a seu lado.
O jogo iria para intervalo e a segunda parte foi muito pior: jogadas a passo, muito espaço para circular a bola, mas pouco discernimento de parte a parte. Cristiano Ronaldo esteve quase meia-hora sem tocar no esférico e quando teve finalmente uma oportunidade, atirou muito por cima.
João Félix, muito mais utilizado na Seleção, foi poupado pelo treinador e recebeu ordem de substituição, ao contrário de CR7, que ficou até ao fim, assistindo, por isso, ao 3-0 apontado por Coman (77'), que partiu isolado ainda antes da linha do meio-campo. Tudo fácil e Cristiano Ronaldo em modo felicidade, estando agora apenas a 20 golos dos tão ambicionados mil. Se o número mágico será alcançado na Arábia Saudita ou em Portugal, essas já são outras contas.