Reentrada no caminho Marítimo para a vitória (crónica)
Bem antes de ser escolhida para acolher o novo aeroporto de Lisboa, ou de receber a Academia do Sporting, Alcochete já tinha entrado no mapa mediático do país quando se anunciou a construção da segunda travessia do Tejo na capital, por ocasião da Expo 98.
A ponte seria batizada como Vasco da Gama para homenagear o navegador que, em 1498, descobriu o caminho marítimo para a Índia.
Numa coincidência entre o futebol e a história nacional, o Marítimo apresentou-se na tarde deste domingo frente ao Alcochetense na tentativa não de desbravar a rota das especiarias, mas a dos triunfos, fosse de que forma fosse.
Afinal, o conjunto de Mitchell van der Gaag não conhecia o sabor da vitória há seis jogos oficiais, ainda que, pelo meio, tenha defrontado dois grandes: Benfica e FC Porto. Como a cara de quem ganha é bem diferente da de quem perde, o técnico neerlandês operou algumas alterações no onze, mantendo, contudo, os dois criativos em campo: Maxime Dominguez e, sobretudo, Martin Tejón.
Os insulares começaram a partida, tal como se esperava, instalados no meio-campo adversário e com elevado domínio de bola, embora bastante desfasados na hora de definir no ataque. A primeira oportunidade surgiu logo aos 11 minutos, quando Boakye se mostrou excessivamente altruísta: em boa posição, em vez de atirar ao alvo, serviu a zona central da pequena área. No entanto, não apareceu uma única alma verde-rubra para encostar para o fundo das redes de Luís Ribeiro.
Logo a seguir, a formação comandada pela velha raposa Toni Pereira respondeu com um excelente trabalho de José Precatado na direita, sem que surgisse ninguém para a emenda ao segundo poste.
Todavia, o momento mais alto da primeira parte aconteceu ao minuto 28, quando Martin Tejón — 1,65 m de pura magia futebolística — rematou em arco, vendo a bola esbarrar com estrondo na trave.
Após o descanso, lá chegou o golo do emblema da Liga. Cruzamento na direita de Simo Bouzaidi e Boakye encostou sem dificuldade (55’). Seis minutos volvidos, num lançamento longo do guardião Gonçalo Tabuaço, Ayuma isolou-se e Fábio Celestino não resistiu à tentação da falta dentro da área: Simo converteu o penálti.
Pensava-se que o destino da eliminatória estava traçado, mas o marcador ainda mexeu. José Precatado — belíssimo valor da equipa do Campeonato de Portugal — trabalhou de forma brilhante no interior da grande área e reduziu a desvantagem alcochetana (66’). Na jogada imediata, Yuran, com nota artística num toque de calcanhar, esteve pertíssimo de restabelecer a igualdade.
Até ao apito final nada mais de relevante se registou, ficando para a história — lembram-se? — a vitória dos leões da Almirante Reis e a digníssima réplica do Alcochetense.