Fabiano Freitas, num clássico com o Benfica de Cardozo - A BOLA
Fabiano Freitas, num clássico com o Benfica de Cardozo - A BOLA

Reencontro entre Benfica e Omonia com uma pitada de FC Porto

Cipriotas têm guarda-redes veterano que diz muito aos portugueses e há contas para ajustar por causa de uns quantos clássicos. Histórias curiosas do adversário dos encarnados esta quinta-feira, na Liga Europa

'O Benfica cá do sítio'. Foi assim que os media cipriotas descreveram o Omonia, em 1981, quando o clube recebeu o Benfica na primeira eliminatória da Taça dos Clubes Campeões Europeus. A expectativa em redor da partida era enorme, face à visita de um nome ilustre do futebol europeu, e foi feito paralelismo, devido à enorme massa associativa de cariz popular.

No primeiro confronto, que teve lugar a 16 de setembro, na Luz, o Benfica venceu confortavelmente, por 3-0, golos de Nené, Carlos Manuel e Filipovic. Em Nicósia, 1-0, golo de Chalana. Era a última vez que o Benfica defrontaria uma equipa cipriota, mas 45 anos depois está à vista novo duelo, precisamente com o mesmo clube, mas com equipa bem diferente e onde figura um guarda-redes que é velho conhecido das águias: Fabiano Freitas, ex-Olhanense, ex-FC Porto, agora com 38 anos, tem sido o titular do Omonia nas provas europeias e é idolatrado pelos adeptos.

O brasileiro tem história com o Benfica e está a perder: pelo Olhanense, empate e derrota com as águias, pelo FC Porto também não foi totalmente feliz. Enfrentou os encarnados em cinco ocasiões, vencendo duas e perdendo outras duas, mas uma delas na Taça de Portugal (1-3), significando eliminação. O empate (0-0) não seria necessariamente negativo, mas doeu também: meia-final da Taça da Liga, 2014, penáltis em pleno Dragão, avançando o Benfica, depois de Fernando acertar no poste. Haverá, pois, seguramente contas para ajustar entre o antigo guarda-redes portista e os benfiquistas, agora com nova camisola.

Fabiano Freitas, refira-se, é o capitão e uma lenda para um clube que tem trevo como símbolo, mas não tem tido muita sorte no passado recente, marcado por uma divisão política e desportiva. O Omonia foi fundado em 1948 por dissidentes de esquerda que abandonaram o APOEL e em 2018, no decurso de uma crise financeira, o clube converteu a gestão de futebol numa SAD, motivando revolta numa fatia de adeptos. Membros da claque Gate 9 separaram-se e fundaram um clube gerido por adeptos, o Omonia 29 de Maio.

E foi precisamente em maio de 2026 que o impensável aconteceu: na mesma semana em que o Omonia conquistou o título de campeão do Chipre, o Omonia 29 de maio garantia a promoção à primeira divisão. Em dezembro haverá, pois, duelo que divide ideologias, amigos e famílias no Chipre.

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