Portugal vai à luta pelo Mundial e Francisco Neto avisa: «Temos de saber sofrer»
Francisco Neto quer um Portugal fiel à sua identidade, mas preparado para sofrer na primeira mão da primeira ronda do play-off de acesso ao Mundial, diante da Irlanda do Norte. O selecionador nacional reconhece as dificuldades que a equipa vai encontrar, desde a dimensão física das adversárias às características do relvado sintético, mas recusa qualquer desculpa: o objetivo passa por sair da partida com a vitória.
«Não podemos perder a nossa identidade. Queremos impor o nosso jogo, sabendo que vai ser difícil. E isso é normal quando está em causa um apuramento para um Campeonato do Mundo», afirmou o técnico, na antevisão ao encontro, ao Canal 11.
Francisco Neto espera uma Irlanda do Norte «muito física» e «vertical», além de agressiva na pressão. «É uma equipa que gosta de pressionar, gosta de saltar para vir pressionar as linhas defensivas, empurrar as equipas adversárias para trás. Quando tem bola, gosta de um jogo mais vertical», explicou, garantindo que Portugal está preparado para responder a esse tipo de futebol.
«Teremos que ser muito maduras e perceber que vai haver momentos em que vamos ter que saber sofrer. A este nível tem que se saber sofrer», sublinhou. Mas deixou também a exigência para os momentos em que Portugal tiver bola: «Há momentos em que temos que impor o nosso jogo e, nesses momentos, temos que ser realmente competitivas.»
As várias ausências de peso na Seleção marcam este duplo compromisso. Francisco Neto lamenta não poder contar com todas as jogadoras, mas mostra confiança no plantel que tem à disposição. «Muito confiante no grupo que aqui temos, que é um grupo capaz, muito experiente, maduro», afirmou, lembrando que várias das convocadas já têm experiência em Campeonatos da Europa e do Mundo.
Outro desafio será o relvado sintético e as dimensões mais reduzidas do estádio. O contexto será diferente daquele a que a Seleção está habituada, mas o técnico não quer que isso sirva de justificação. «Não pode ser desculpa. Temos de nos adaptar e vamos atrás daquilo que nós queremos, que é o resultado, que é a vitória», vincou.
Questionado sobre se esta é uma Seleção mais preparada para chegar ao Mundial do que aquela que conseguiu a histórica qualificação para a edição anterior, Francisco Neto reconheceu a evolução. «É um Portugal mais experiente naquilo que têm sido os últimos anos. Um Portugal mais diversificado», considerou.
Mas há uma prioridade imediata. «Mais do que pensar no Campeonato do Mundo, tem que pensar muito a sério é no jogo de amanhã, que será um jogo também muito complicado», concluiu.
Caso elimine a Irlanda do Norte — a segunda mão é a 13 de outubro, em Portimão —, Portugal defronta, em novembro e dezembro, o vencedor da eliminatória entre Croácia e Islândia pela vaga no Mundial.