Pepa: «Nunca podemos deixar de ser equipa competitiva, agressiva e irreverente»
Após praticamente três semanas de paragem no campeonato, as emoções da Liga estão de volta, com o E. Amadora a deslocar-se a casa do Arouca, para cumprir a 8.ª jornada.
Na conferência de imprensa de antevisão do desafio com a equipa da Serra da Freita, Pepa abordou o que conseguiu trabalhar e aquilo que foi uma nova realidade para os tricolores: «Trabalhámos com uma dificuldade que muito nos orgulha, que foi ter oito jogadores nas seleções espalhados pelo Mundo fora. Uma novidade para nós, o que é muito bom. A verdade é que passando pelas coisas há coisas boas e também menos boas. O grupo ficou partido, distante, só que gosto de olhar sempre para as coisas positivas. E o quê? É o conhecimento e aproveitamos esse tempo e essas ausências também para trabalharmos e conhecermos os nossos jogadores dos sub-23, o que é muito bom. Acima de tudo, conhecer o dia a dia, o perfil, a personalidade, não só a qualidade futebolística, mas acima de tudo, tê-los integrados connosco a cem por cento, durante duas, três semanas, foi benéfico.»
«Também estivemos sempre a acompanhar os atletas que estavam nas seleções e aproveitámos também para dar muito volume, o bom volume, aquilo que era necessário para os jogadores que também têm tido menos minutos, por opção, não por culpa deles, porque todos trabalham num limite. Portanto, foi assim, este interregno grande, é tempo demais sem competir, mas é algo que já estava planeado e temos que nos adaptar àquilo que já sabíamos que ia acontecer», acrescentou.
Quanto ao que espera do Arouca, que mudou de treinador, e se isso, de alguma forma, lhe dificultou a preparação do jogo, Pepa foi claro: «Sim, dificultou um pouco naquilo que poderemos encontrar, mas não naquilo que é o nosso foco principal, que é a nossa equipa, isso é o mais importante. Situações que identificámos há algum tempo, que temos andado a insistir, a querer melhorar, a querer crescer enquanto equipa, não só numa questão setorial, mas acima de tudo numa questão coletiva mesmo, intersetorial, isso é o mais importante para nós, é o foco na nossa equipa.»
«Falando especificamente do Arouca e da situação da saída Vasco [Seabra], treinador que ia na sua terceira época, com conhecimento muito profundo de uma equipa que, um pouco à imagem de algumas equipas que já têm o seu treinador já há mais tempo, essas equipas com naturalidade jogam de olhos fechados, com uma panóplia de variabilidade de opções na construção, nas bolas paradas, no processo defensivo também muito identificado. Ao dizer isto, não estou a dizer que as equipas que têm treinadores recentes, que não a tenham, agora fica mais propício a trabalhar outro tipo de situações muito mais específicas e fora da caixa. E este Arouca, além de ter essas variabilidades, acredito que não as vai perder, porque são jogadores que estão juntos há muito tempo e com umas dinâmicas muito fortes já desde o ano passado», explanou.
«O mais importante para nós é conhecer as individualidades do Arouca, que são muito boas, uma equipa que fez um grande campeonato o ano passado. Este ano o que está a fazer, para mim, sinceramente, não é surpresa, porque a qualidade está lá, individual e coletiva, portanto, respeito total por tudo e por todos, sempre foi assim, mas sabemos da grande dificuldade que vamos ter amanhã e do grande jogo que acreditamos que vai ser», complementou.
No regresso à competição após a primeira derrota no campeonato, diante do Ac. Viseu (0-2), Pepa disse que a paragem não terá impacto: «Gostava de ter jogado logo a seguir. Até porque, sobre esse jogo, já está para trás, não deu para cortar logo ali pela raiz, foram muitos jogadores para fora. Nós, pura e simplesmente, naquele jogo, não competimos, mas isso já está para trás, já foi dissecado, já foi identificado e analisado. Temos aqui dentro esse espírito, durante este início de campeonato, bem vincado, que podemos empatar, podemos perder, podemos ganhar, mas nunca podemos deixar de ser Estrela, competitivos, agressivos e irreverentes.»
Mesmo com essas ausências no plantel, Pepa enumerou o que conseguiu trabalhar em termos de processos de jogo nesta paragem para melhorar a equipa: «Nunca deixamos de trabalhar. Situações que identificámos, que eu quero partilhar muito [risos], mas que estão bem identificadas, onde o o expoente máximo dessa visibilidade de erros foi no último jogo, são coisas que queremos muito melhorar. E, mais uma vez, é ter uma equipa jovem que recebe como uma esponja e gosta de crescer e de aprender, não crescemos só nas vitórias, também crescemos nas derrotas.»
A finalizar Pepa abordou a diferença entre os setores ofensivo e defensivo: 14 golos marcados - quarto ataque mais eficaz da Liga, atrás de Benfica (22), Sporting (20) e FC Porto (18) -, e outros tantos sofridos (dos piores registos defensivos do campeonato): «Na vida há sempre um mas, não é?»
«Quando temos frio, às vezes tapamos a cabeça e ficamos com frio nos pés, ou tapamos os pés e ficamos com frio. Portanto, é este equilíbrio que temos de encontrar. Não queremos perder esta criatividade, esta equipa tem muita potência pelo golo e pelo processo ofensivo, sem dúvida. Agora, temos que ter equilíbrio e, às vezes, a transição defensiva, não é só a questão de atitude, não é só correr mais ou correr menos. Tem muito a ver com aspectos táticos, de estar ligado, concentrado, estar no momento certo, estar no espaço, na zona certa. É ter equilíbrio emocional, equilíbrio tático e crescer», finalizou.