Patrícia Sampaio e a perda da medalha 'mundial': «Adversárias foram melhores»
Patrícia Sampaio ficou às portas do pódio no Campeonato do Mundo, em Baku, no Azerbaijão, mas perdeu o combate pela medalha de bronze na categoria de -78 kg e ficou classificada na quinta posição, o melhor resultado da comitiva lusa na competição até ao momento.
Após somar três vitórias e uma derrota - esta última, afastando-a do combate do título - Patrícia Sampaio foi derrotada pela japonesa Kurena Ikeda, que lhe aplicou um yuko com cerca de dois minutos de combate.
Visivelmente abalada com o desfecho, a judoca portuguesa analisou a participação neste Mundial. «Nenhum dos dois combates que perdi foram impossíveis de ganhar, mas Yelyzaveta Lytvynenko e Kurena Ikeda foram melhores do que eu», reconheceu.
A tomarense começou por descrever a meia-final perdida com a judoca dos Emirados Árabes Unidos. Sampaio tomou a iniciativa, mas Lytvynenko aproveitou para impor o combate no solo (ne waza) e forçou a desistência da portuguesa através de uma chave de braço (juji gatame).
«O tipo de judo dela é assim, é mais parado, o meu é com mais ritmo e mais a atacar e ela joga mais pelo acerto, tem um judo mais de distância, muito mais à espera, mas eu acho que todas estão à espera do meu erro e do meu contra-ataque, porque sabem que quero começar o combate e projetar, e todas são mais pacientes que eu nesse sentido.»
Depois, abordou o combate decisivo pelo pódio: «Senti-me muito mais cansada do que na fase inicial do dia, obviamente, mas isso também não é desculpa, porque também ela estava mais cansada e também fez combates longos. Eu comecei muito bem, comecei da maneira que era suposto, depois o meu rendimento foi caindo ao longo do combate, já não me consegui impor.»
Depois de um arranque algo preso frente à turca Tuana Gulenay - ultrapassada por waza-ari no prolongamento (ao fim de 5.17 minutos) -, a portuguesa embalou com exibições dominadoras. Sampaio bateu sucessivamente por ippon a belga Vicky Verschaere, em apenas 37 segundos, e a brasileira Beatriz Freitas, aos 1.57 minutos de combate.
Num ano marcado pela recuperação de uma grave lesão com rotura de ligamentos no joelho esquerdo, que a afastou dos tatamis durante um longo período, a judoca apontou ao futuro, mantendo o foco no ciclo olímpico: «Não gosto de me agarrar a histórias tristes, sempre, como disse, superei tudo isso. Mas tem sido difícil e hoje só preciso de respirar fundo. Amanhã vou acordar, vou treinar outra vez, vou preparar os próximos objetivos, porque o meu maior objetivo é daqui a dois anos [Jogos Olímpicos de Los Angeles], mas hoje eu só preciso de não pensar em nada.»