Prestianni continua endiabrado e 'partiu' a defesa do Celtic em três ou quatro pedaços. Foto Miguel Nunes
Prestianni continua endiabrado e 'partiu' a defesa do Celtic em três ou quatro pedaços. Foto Miguel Nunes
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O rio encarnado correu forte de mais para os escoceses sobreviverem (crónica)

Um Benfica avassalador no ataque, sobretudo na primeira parte, aproveitou o comando de Prestianni e construiu nova vitória contundente numa época de golo fácil para os lados da Luz

Mais claro era difícil. O Benfica recebeu e bateu o Celtic sem apelo nem agravo, somando a segunda vitória na fase de liga da UEFA Europa League. Foi assertivo desde o início, mostrou cedo ao que vinha e a eficácia na primeira parte também ajudou. O Celtic ainda reagiu, melhor seria, mas esteve longe de fazer o suficiente para contrariar o fortíssimo caudal ofensivo encarnado.

As comportas da previsível barragem do Celtic à corrente atacante do Benfica abriram-se repentinamente logo aos quatro minutos de jogo, quando Murray facilitou num corte dentro da área, não percebeu que Durán vinha lá de trás tirar-lhe a bola e deu um chutão na perna do colombiano, como teria dado no ar se não lhe tem acertado. Penálti claríssimo, Durán a converter à Panenka, caminho aberto para o rio encarnado galgar terreno.

O cabelo está pintado de loiro, mas como Gianluca Prestianni é argentino bem podemos classificar o rio encarnado como de Prata, dada a preponderância do ala em quase tudo o que a equipa de Marco Silva faz em termos ofensivos. Joga na esquerda mas é um 10, porque desequilibra no seu flanco mas também flete facilmente para o meio a fim de servir os amigos lá do outro lado. Bah e Durán, autores dos dois golos seguintes, que o digam.

O equilíbrio conferido pela dupla Palhinha/Aursnes, note-se, é um excelente ponto de partida para a vertigem ofensiva encarnada, na qual ambos participam, mais o norueguês que o português. Depois há uma clara inclinação para a esquerda, natural dado o momento de forma de Prestianni e o excelente entendimento que vem revelando com Dahl e Sudakov, que vai muito mais vezes perto deles do que dos companheiros da direita. Estes, no entanto, estão perfeitamente dentro do processo pensado por Marco Silva e muitas vezes o jogo começa por lá, variando de flanco, ou termina lá, como já se explicou em relação ao golo de Alexander Bah. Lukebakio mostra vontade de provar que pode lutar por um lugar ao Sol na Luz, revelando-se importante sobretudo em transição ofensiva.

Perto da meia hora de jogo o Celtic, ainda com 2-0, mercê de dois pontapés esporádicos aos ferros na mesma jogada, deu ideia de poder tentar uma reação séria, mas foi sol de pouquíssima dura. Incipientes a atacar e moles a defender, os campeões escoceses não tardaram a sofrer novo golo e já sonhavam com o intervalo para poderem sair de dentro de água e respirar um pouco das golfadas constantes do tal rio de Prata.

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O Celtic lá respirou, O'Neill mexeu em duas peças e trouxe para o campo a irreverência de Hassan, que ainda permitiu sonhar com nova reação. Começaram a surgir uns ameaços, o Benfica pressionava menos, o rio corria agora muito menos forte, e quando Marco preparava as primeiras alterações veio o golo do 1-3, meio facilitado por Trubin e marcado por Durán — Camilo, o dos verdes, bem entendido, não Jhon.

Durante dez minutos pairou a sensação de que o Celtic ainda poderia reentrar no encontro com mais um golo, mas o Benfica foi-se tornando de novo mais sólido. E mais incisivo — note-se aliás que houve apenas três amarelos durante a partida e todos para jogadores encarnados. Menos exuberante mas seguro a defender, deixou o jogo partir-se para tentar aquilo que acabaria por acontecer: já com o goleador-mor em campo, Tomás Araújo encontrou-o à entrada da área e Pavlidis dissipou de vez as poucas dúvidas que subsistiam quanto ao mais do que lógico vencedor deste jogo.

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