O «preço» a pagar num «patamar diferente» e... Francisco Moura: tudo o que disse Farioli
SEVILHA — Francesco Farioli, técnico do FC Porto, fez a análise à derrota por 2-3, diante do Betis, a contar para a segunda jornada da fase liga da UEFA Champions League, na sala de imprensa do Estádio de La Cartuja.
— Sente que o FC Porto merecia outro resultado?
— Foi uma partida em que eles poderiam ter marcado mais golos e nós também poderíamos ter marcado mais. O resultado poderia ter sido diferente. Fica, naturalmente, a sensação de que merecíamos algo mais. No entanto, ao nível da Liga dos Campeões, ao conceder o mínimo espaço, paga-se o preço, porque há jogadores com capacidade para maximizar qualquer lance. São estas as lições que temos de retirar. Não há ressentimentos: há aspetos evidentes a analisar e a melhorar, e dispomos agora de uma semana para preparar o nosso próximo encontro da Liga dos Campeões, no Estádio do Dragão.
— O FC Porto conseguiu equilibrar o jogo e chegou à vantagem quando jogava melhor. O ambiente nas bancadas contribuiu para os erros que acabaram por penalizar a equipa?
— A minha análise à primeira parte é de que, nos primeiros 70 metros do campo, estivemos muito bem, mas, nos últimos 30 metros, não produzimos o suficiente para criar o perigo devido. O adversário fez precisamente o oposto: nos últimos 30 metros, sempre que tocava na bola, criava um remate ou uma oportunidade. Esta é a leitura que faço do primeiro tempo. Na segunda parte, a dinâmica mudou e assistiu-se a um cenário diferente. Não foi fácil sofrer um golo com menos de dois minutos decorridos, mas a reação foi muito positiva, com entradas muito boas do Samu, do Alberto e do Oskar Pietuszewski. Fica, claro, o lamento de não termos feito o 3-1 logo após o golo do Samu, num momento em que dispusemos de duas excelentes ocasiões. Era a altura ideal para sentenciar a partida. Não o fizemos, sofremos o 2-2 e, mesmo assim, continuámos a ter oportunidades para nos recolocarmos em vantagem e para pontuar após o 3-2. Deixámos tudo em campo, mas a Liga dos Campeões é um patamar diferente e temos de aprender a competir a este nível.
— A equipa poderia ter aproveitado melhor o espaço nas costas da defesa do Betis? Francisco Moura vai continuar a ser titular?
— Sendo honesto, quanto à primeira parte da sua questão, na etapa inicial saímos muito bem desde a primeira fase de construção e também na zona dois. Não era fácil jogar, uma vez que a bola não rolava com rapidez e exigia passes com mais força, mas encontrámos muitas vezes o Varela em ótimas condições e gerimos bem essa fase. Faltou-nos, contudo, converter esse volume em perigo real, aspeto em que certamente poderíamos ter feito melhor. Relativamente ao Francisco Moura, é um jogador que vem de um período exigente, de uma segunda metade de época difícil. Nos últimos encontros fez exibições muito sólidas; agora teve um adversário direto bastante complicado e realizou várias ações positivas. Quanto aos últimos dois lances, preciso de tempo para os analisar detalhadamente, mas nunca fui um treinador que coloca a responsabilidade individual sobre os ombros de um único jogador. Não foi o caso esta noite, nem alguma vez será no futuro.
— Depois de duas jornadas e duas derrotas, o que falta para transformar os bons momentos na Champions em pontos e resultados positivos?
— É uma análise bastante acertada e foi exatamente isso que transmiti aos jogadores no balneário após o apito final. Aplica-se ao jogo desta noite e estende-se ao duelo frente ao Manchester City, no qual, até ao minuto 92, o resultado esteve em aberto para conseguirmos pontuar. Importa também enquadrar o contexto: defrontámos o Manchester City no seu melhor momento e defrontámos o Betis também na sua melhor fase da temporada. Por vezes, estes detalhes influenciam decisivamente os desfechos. Fizemos muitas coisas com qualidade, o suficiente para termos somado pontos nestas duas jornadas, mas a Liga dos Campeões exige sempre algo mais.
— Souza ainda não teve minutos. Considera que ainda não está ao nível do que o FC Porto exige nesta altura?
— Chegou até nós numa forma física que não era muito boa. É um jogador que tem qualidade, em cujo potencial acredito muito, mas precisa de completar o seu desenvolvimento de uma certa maneira que me permita ter a sensação de que pode jogar os 90 minutos. Claro que, chegando no último dia do mercado, não é fácil encontrar momentos para lhe dar esta oportunidade. Amanhã [hoje], quando voltarmos ao Olival, teremos um jogo amigável para tentar dar a estes jogadores tempo de jogo e a oportunidade de ganhar uma certa condição física. Portanto, o objetivo é ter todos de volta o mais rapidamente possível, para termos os melhores cenários para decidir que jogador colocar em campo.
— Já disse que não vê vantagens em desequilibrar a sua equipa para desequilibrar o adversário. Como foi gerir, a partir do banco, um jogo tão aberto e emotivo contra uma equipa como o Betis?
— Não é que não gostemos. É que há momentos em que eles são tão bons… Vocês viram que, em cada ação onde a bola chegava aos extremos deles, criavam uma situação de perigo. Mesmo tendo nós laterais muito bons e jogadores fortes no um contra um, isso é um fator a considerar. Para mim, a única parte em que diria que poderíamos ter feito talvez algo mais foi tentar gerar mais a partir dos momentos em que os colocámos em condições de correr em direção à própria baliza. Durante muito tempo na primeira parte, faltou-nos precisão nos últimos dois passes para gerar essa condição. Depois, nós sabíamos como eles eram e quão poderosos eram em campo aberto, nas transições e nos momentos com bola. Portanto, havia muitas coisas diferentes a considerar, e isso era essencialmente o que sabíamos e o que aconteceu esta noite.