Isco tenta libertar-se da perseguição de Froholdt — Foto: Imago
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Dois golos em espanhol e um final sem tradução (crónica)

O FC Porto resistiu ao assédio do Betis e respondeu à bomba de Abde com dois golos de orgulho, por Gabri Veiga e Samu. A reviravolta parecia perfeita, mas Antony atormentou Moura e um penálti sobre Ortiz ditou uma derrota amarga por 3-2. Os dragões continuam sem pontos na Champions.

SEVILHA — O FC Porto andou com a corda no pescoço na primeira parte, escapou ileso aos disparos do Betis e, depois de levar com uma bomba de Abde na gaveta, sacou do orgulho para virar o jogo em dois lances, graças à dupla espanhola Gabri Veiga/Samu. Era a reviravolta perfeita desenhada por Farioli. Só que a Champions é madrasta com quem acha que feriu de morte o adversário: Antony desmontou Moura sem pedir licença, Ortiz cavou a falta na área e o que parecia um golpe de autoridade resultou numa derrota amarga por 3-2, deixando os dragões com zero pontos na prova à 2.ª jornada.

Num La Cartuja transformado num vulcão, permanecia bem viva a memória da primeira Taça UEFA ganha pelo FC Porto, da superação nessa final de 2003, decidida no prolongamento frente ao Celtic, com o golo de Derlei aos 115 minutos. Um adversário também ele vestido de verde, também, em tese, menos cotado e sem o favoritismo, mas com um coletivo batalhador e organizado e um treinador, Martin O’Neill, capaz, com o seu discurso, de mobilizar um exército.

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Pellegrini faz o mesmo com uma certa fleuma britânica, mesmo sendo chileno, com a diferença de ter montado uma equipa que todos os adeptos gostam de ver jogar, que faz da circulação de bola um mandamento e do ataque uma urgência durante 90 minutos. Tem alas que conquistam o imaginário, mesmo que meio mundo do futebol não os conheça muito bem — a exceção será Antony, a começar no onze apesar das limitações físicas na véspera.

O Betis entrou a sufocar a saída dos dragões, com Marc Roca e Abde a ameaçarem as malhas laterais. Deossa ainda travou um contra-ataque promissor, mas André Silva recebeu duas prendas: um passe errado do guardião, que aproveitou para picar a bola, e uma nova oferta de Natan. Na segunda, podia ter feito melhor, mas acertou na trave. Na resposta do Betis, Diogo Costa, com uma enorme defesa, negou o golo ao estreante na Champions, Ángel Ortiz. Isto foram só os primeiros 15 minutos! Apesar do assédio andaluz, o FC Porto encontrou, nesse período e até ao intervalo, muito espaço para aplicar o contragolpe — faltou melhor ligação com André Silva —, num aparente caos que até fez bem ao espetáculo e animou as bancadas: jogo aberto, sem espartilhos, com as ideias a fluírem à velocidade da luz e, por vezes, de Antony e Abde Ezzalzouli.

O FC Porto percebeu, já perto do intervalo, que neste enquadramento frenético podia ser mais atrevido. No lance do golo anulado a Martim Fernandes — por mão de Borja Sainz —, a equipa deixou de lado alguma da rigidez do seu modelo e aventurou-se com mais gente. E quanto mais gente chega, maior a probabilidade de encontrar um desvio subtil ou um atalho para a baliza. A verdade é que, neste duelo entre um conjunto com um certo espírito kamikaze e outro mais frio e calculista na análise dos riscos/benefícios, o intervalo chegou sem golos, com muita emoção e com os dragões a terem, por André Silva, a oportunidade mais flagrante.

Reviravolta vs. remontada

Lembram-se de termos falado de Abde Ezzalzouli? Pois é, o marroquino assinou uma obra de arte logo a abrir o segundo tempo, um remate ao ângulo superior da baliza de Diogo Costa. Antecipava-se esse momento pela história dos primeiros 45 minutos. Ao perder o norte, o FC Porto ainda viu a trave negar o segundo do Betis — por Troy Parrott —, mas Gabri Veiga voltou a colocar a locomotiva azul nos carris, num livre direto. Curiosidade: o FC Porto precisou de 145 minutos para fazer o primeiro remate enquadrado nesta edição da Champions — e deu golo.

E que dizer do momento libertador de Samu — que também libertou o FC Porto? Um estouro imparável. Golos em espanhol, num tão curto espaço de tempo, trouxeram ao relvado outra realidade. As mexidas promovidas por Farioli resultaram em vários balões de oxigénio para o campeão nacional e numa aparente quebra anímica dos andaluzes. Aparente, porque, no melhor período dos portistas, o Betis empatou — Antony plantou a miséria na vida de Moura, mas não iria acabar aqui — e ganhou renovada chama. Um penálti cometido sobre Ortiz (noite de terror para Moura: parte II) acabou com aquela que tinha sido uma belíssima reação do FC Porto. Sim, não nos esquecemos da grande defesa de Valles na compensação. Mesmo assim….

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