Cristiano Ronaldo, capitão da Seleção Nacional (foto: Miguel Nunes)
Cristiano Ronaldo, capitão da Seleção Nacional (foto: Miguel Nunes)

Volta o campeonato nacional e muda o foco, mas a polémica na Seleção Nacional continua a marcar a atualidade: esteve em destaque nas antevisões dos jogos da jornada feitas pelos treinadores dos três principais clubes portugueses.

Cristiano Ronaldo é incontornável no panorama desportivo mundial — e não só. Temos de nos orgulhar de ele ser português e saber lidar com o mediatismo que o acompanha, nos bons e nos maus momentos. Para além do peso desportivo de CR7, não pode ser ignorada a importância económica e comercial que tem para a Federação Portuguesa de Futebol e para um país que será um dos anfitriões do próximo Mundial. Seguramente, a FIFA não imaginará um Campeonato do Mundo em Portugal sem a bandeira mediática e a influência de Cristiano Ronaldo, capazes de ajudar a pôr em marcha a roda dos milhões.

Portugal também sabe disso, como prova o aproveitamento político do primeiro-ministro, que, com o País a atravessar tantos problemas, finalmente se lembrou do futebol e de lembrar aos portugueses que está atento e em campo no mal-entendido entre Cristiano Ronaldo, Jorge Jesus e a Federação.

Culpas à parte — porque creio que todos as tiveram nesta novela, uns mais do que outros —, pouco importará agora conhecer mais pormenores sobre o que se passou: os que já conhecemos são sobejamente absurdos. Também pouco deverá importar o castigo que o capitão receberá por ter abandonado o estágio da Seleção. Cristiano Ronaldo, o melhor jogador português de todos os tempos, merece um estatuto diferente, e nem me choca que beneficie de regras disciplinares distintas ou que estas possam ser contornadas para viabilizar o seu regresso à Seleção.

O que mais preocupa é o que virá a seguir: que mal-entendido poderá surgir, que comportamento terão Ronaldo e Jorge Jesus e como reagirá a equipa, que, verdade seja dita, pareceu em campo muito pouco afetada por ter perdido uma referência tão importante. E, já agora, que capacidade terá a Federação para gerir uma situação muito delicada que, na verdade, não controla.

Pedro Proença, presidente da Federação, falouno sábado para dizer muito pouco: que estão a sentar-se à mesa para tratar do regresso de Cristiano e que «todos, sem exceção» querem o regresso de CR7. Aqui já tenho as minhas dúvidas. Se a convicção se estender aos portugueses, sei que nem todos entendem que Cristiano Ronaldo deva voltar como se nada se tivesse passado.

E volta para quê? Para ser titular? Suplente utilizado? Para fazer apenas alguns jogos? Para passear o estatuto e a influência até ter uma despedida mais digna? A não ser que a estratégia seja muito bem montada e todos concordem com ela, o elefante na sala continuará a ocupar cada vez mais espaço — e poderá ser apenas uma questão de tempo até surgir um novo mal-entendido.

A iniciar sessão com Google...