Miguel Salgueiro conquista medalha inédita para ciclismo de pista português
Portugal somou a sua segunda medalha nos Campeonatos do Mundo de ciclismo de pista, que decorrem em Xangai, na China. Miguel Salgueiro garantiu a medalha de bronze na corrida por pontos, a primeira que Portugal ganha nesta vertente, juntando o seu feito ao terceiro lugar alcançado na quarta-feira por Maria Martins na disciplina de scratch.
O ciclista lisboeta, de 27 anos, totalizou 27 pontos ao longo da prova, ficando a apenas um ponto do francês Benjamin Thomas, que assegurou a prata com 28, e a oito do britânico Mark Stewart, que se sagrou campeão mundial. Salgueiro pontuou em sete dos 16 sprints disputados, vencendo com pontuação máxima quatro deles.
Na fase decisiva, a luta pela medalha de prata dependia do duelo direto com Thomas, pentacampeão do mundo e campeão olímpico de omnium em Paris 2024. O corredor luso, que na estrada representa o Crédito Agrícola-Tavira, terminou o sprint final no quinto posto, sem pontuar, enquanto o francês cortou a meta no quarto lugar, somando dois pontos decisivos para arrebatar a prata e a sua 11.ª medalha em Mundiais.
🥉🇵🇹 HISTÓRICO, MIGUEL SALGUEIRO! 💥🚴♂️ Da queda dura no Europeu de Konya ao pódio mundial! Uma enorme história de superação que termina com a medalha de bronze na corrida por pontos!💪 É a primeira medalha de sempre de Portugal nesta disciplina em Campeonatos do Mundo! 🇵🇹🥉 https://t.co/O9ifFhCqo4
— Eurosport Portugal (@EurosportTV_Por) October 16, 2026
Este pódio assume contornos de superação, dado que surge cerca de oito meses após Salgueiro ter sofrido uma violenta queda na prova de eliminação na sua estreia em Europeus, acidente que o deixou hospitalizado com várias fraturas em Konya, na Turquia.
«Um momento inesquecível, é o meu primeiro Campeonato do Mundo e não podia estar mais contente. Vim para este Mundial com o objetivo de dar o meu melhor e tentar pontuar o máximo possível, mas claro que não estava à espera de fazer pódio na minha estreia», afirmou, citado pelo site da federação de ciclismo.
Já o selecionador português, Gabriel Mendes, considerou que Miguel Salgueiro fez «uma corrida espetacular: «Foi a primeira vez que faz uma prova desta natureza em contexto de campeonato do mundo. Sabíamos, antecipadamente, que seria uma corrida extremamente difícil e exigente, não só pela qualidade dos adversários, mas também pelas condições do velódromo, com temperaturas e níveis de humidade muito elevados, que obrigavam a uma gestão muito cuidada do esforço. Montámos uma estratégia que permitisse pontuar de forma regular e equilibrada e isso fez com que, a partir de metade da corrida, estivéssemos nos lugares cimeiros e na discussão das medalhas», disse. «O Miguel esteve extremamente bem, pontuou várias vezes e venceu vários sprints, algo que acabou por ser essencial. A atitude competitiva que demonstrou até ao final foi muito importante para sairmos daqui com uma medalha de bronze, que premeia todo o trabalho desenvolvido. É um pódio extremamente importante e um justo reconhecimento do empenho que o Miguel e toda a equipa têm demonstrado», completou o treinador.
Salgueiro torna-se no quarto ciclista nacional a subir ao pódio em Mundiais de pista, elevando para nove o total de medalhas de Portugal na competição. Junta-se a Maria Martins, detentora de três bronzes (scratch em 2020 e 2026, e omnium em 2022), Iúri Leitão, com três presenças no pódio (ouro no omnium em 2023, prata na eliminação em 2021 e bronze no scratch em 2025), e Ivo Oliveira, medalha de prata em 2018 e de bronze em 2022 em eliminação individual.
Antes de Miguel Salgueiro conquistar a medalha, Ivo Oliveira tinha sido sétimo na qualificação de perseguição individual e Maria Martins foi 10.ª no Omnium.
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