«Maradona era uma bomba-relógio e livraram-se dele»
A reta final do julgamento sobre a morte de Diego Maradona arrancou no Tribunal de San Isidro com duras alegações por parte do Ministério Público. O procurador Patricio Ferrari considerou que o antigo futebolista foi vítima de um «grupo de amadores» e que o óbito, ocorrido a 25 de novembro de 2020, poderia ter sido evitado caso tivesse existido uma assistência clínica adequada.
Após mais de 40 audiências e 103 depoimentos recolhidos desde abril entre testemunhas e arguidos, a acusação sustentou, perante as filhas do astro argentino — visivelmente emocionadas na sala de audiências —, que a residência em San Andrés, Tigre, não reunia quaisquer condições para acolher um paciente com o quadro clínico de Maradona.
«A 11 de novembro de 2020, Maradona era uma bomba-relógio. Livraram-se dele e levaram-no para aquela casa onde, 14 dias depois, morreu», começou por acusar Patricio Ferrari, apontando o dedo à decisão de avançar para um internamento domiciliário precário.
O magistrado descreveu o cenário desprovido de recursos essenciais com que o antigo internacional argentino se deparou nos seus últimos dias de vida. «Não havia luvas, um soro, uma caixa de primeiros socorros, um desfibrilhador, uma ambulância nem nada do que tinham prometido. Era o vazio absoluto, aquela casa não tinha nada», frisou o procurador, sustentando que os arguidos tinham pleno conhecimento do estado de saúde do antigo jogador.
Ferrari baseou grande parte da sua acusação nas conclusões da Comissão médica interdisciplinar que avaliou o processo. «Foi uma situação que se desenvolveu com o passar dos dias. A Comissão médica interdisciplinar chegou à conclusão de que Maradona não era um homem saudável que morreu subitamente, mas sim um paciente com uma gravíssima complexidade médica. Uma das conclusões foi que a morte era evitável e que a assistência médica foi inadequada», reiterou, classificando os responsáveis pelo acompanhamento como um «grupo de amadores que se esqueceu a todo o momento de que estava a lidar com um paciente vulnerável e complexo».
A intervenção da acusação contou também com o procurador Cosme Iribarren, que recordou as patologias prévias e o historial clínico de Maradona, além de evocar o momento em que se deparou com o corpo no dia do falecimento: «Essa imagem será indelével.»
O julgamento prossegue agora com as alegações dos advogados das partes civis e, posteriormente, com a intervenção das defesas dos sete arguidos, que enfrentam penas que podem variar entre os 8 e os 25 anos de prisão.