Kylian Mbappé (IMAGO)
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Mãe de Mbappé declarada testemunha assistida no 'Caso Sanhadji'

Processo que envolve o responsável pela segurança da seleção abala o futebol francês. Mbappé já foi ouvido

Fayza Lamari, mãe e empresária de Kylian Mbappé, evitou uma acusação formal e foi colocada sob o estatuto de «testemunha assistida» no âmbito do Caso Sanhadji. O processo, centrado na figura do antigo agente policial encarregado da segurança da seleção de França, continua a abalar as estruturas do futebol gaulês.

De acordo com as informações avançadas pelo jornal L'Équipe, Fayza Lamari foi ouvida por três juízes de instrução. No sistema judicial francês, a figura jurídica de «testemunha assistida» aplica-se quando existem indícios que tornam plausível o envolvimento nos acontecimentos investigados, embora os magistrados não disponham, nesta fase, de elementos graves e concordantes que sustentem uma indiciação formal. No mesmo âmbito, o avançado do Real Madrid, Kylian Mbappé, também já prestou declarações perante as autoridades.

Em causa relativamente à mãe do internacional francês está o alegado pedido feito a Mohamed Sanhadji para que este intercedesse na obtenção de quatro vistos. Paralelamente, os investigadores analisam uma doação de 60300 euros realizada por Mbappé a Sanhadji, em junho de 2023, verba proveniente dos prémios do Mundial disputado no Qatar, no final de 2022. Um mês após esse pagamento, o antigo responsável de segurança acompanhou o jogador numa viagem familiar aos Camarões, país natal do pai do avançado, procurando a justiça aferir se o episódio correspondeu a uma missão privada remunerada fora das suas funções policiais.

O processo já motivou buscas judiciais tanto na sede da Federação Francesa de Futebol (FFF) como na residência de Fayza Lamari. Momo Sanhadji, que durante duas décadas foi visto como o guardião dos segredos do balneário dos bleus, encontra-se formalmente acusado de crimes de peculato, corrupção ativa e passiva, tráfico de influências, fraude e branqueamento de capitais.

As averiguações levadas a cabo pela Inspeção-Geral da Polícia Nacional (IGPN) apontam para a criação de uma vasta rede de contactos no futebol, sustentada numa política de favores e ofertas para benefício próprio e progressão de carreira. Além do clã Mbappé, personalidades como Franck Ribéry, Noel Le Graet, Philippe Diallo e o humorista Jamel Debbouze foram igualmente inquiridas pela IGPN.

Segundo a investigação, Sanhadji terá recorrido a cerca de 15 figuras do futebol gaulês — lista que inclui nomes como Yann M'Vila, Sabri Lamouchi, Hugo Lloris, Raphael Varane, Patrick Vieira, Willy Sagnol, Nicolas Anelka, Mattéo Guendouzi, Laurent Blanc e Kylian Mbappé — para solicitar empréstimos cujo montante global ascendeu a 215 mil euros. Aos atletas abordados, Sanhadji pedia discrição absoluta: «É um segredo... Se não, estou morto.» Mais recentemente, a 25 de outubro de 2024, terá confessado a Mattéo Guendouzi: «Se isto vier a público, será o meu fim...»

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