António Simões
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Lenda do Benfica critica «discurso violento» dos dirigentes

António Simões responsabilizou todos os agentes desportivos, destacou a importância de «mudar a mentalidade» e abriu a porta... a 'time-outs' no futebol

António Simões foi um das principais figuras presentes na primeira iniciativa organizada pelo UNUM, projeto de adeptos do Benfica que se apresentou como uma casa de ideias independente para transformar a reflexão sobre o clube em propostas.

A arbitragem foi o tema do evento inaugural e a lenda do Benfica não poupou críticas à postura de todos os atores desportivos face ao «ato mais complicado e difícil no futebol». «A melhoria não tem apenas a ver com o árbitro», frisou.

António Simões destacou o «discurso violento dos dirigentes» que «incendia e provoca mal-estar», antes de defender que os treinadores «têm de perceber que os seus jogadores têm de ser homens, valentes e extremamente competitivos», mas também «honestos».

Os jogadores também mereceram reparos: «Vejo jogadores a não terem respeito por si próprios, árbitros, adversários e até pelo público. Quando não se tem respeito não se tem respeito pelo público. Todos os intervenientes são extremamente importantes.» Simões defendeu que os atletas «tudo fazem para enganar o árbitro» e «empurram o árbitro para o erro».

«Acham que existe cultura desportiva em Portugal ou apenas cultura clubística? Temos de aprender a ver o jogo, há quantos anos andamos a falar do mesmo? Acreditam que nunca fui expulso? Têm ideia quantos jogos fiz, como jogador e treinador? Como é que nunca fui corrido de um jogo? É muito mais que um prémio, é termos respeito por nós próprios, por quem também quer ganhar», frisou o campeão europeu ao serviço das águias em 1961/62.

As críticas antecederam sugestões para melhorar a arbitragem, inspiradas no modelo norte-americano. António Simões apontou à implementação de «um ou dois time-outs oficiais por parte», mas também à possibilidade de um treinador ter a oportunidade de pedir a intervenção do VAR num determinado lance.

«Porque é que o treinador não tem direito a fazer uma paragem por entender que o árbitro errou?», questionou. «Mudar a mentalidade» é a chave para a lenda encarnada.

A direção do Benfica entregou um documento com propostas de reforma para a arbitragem do futebol português à Federação Portuguesa de Futebol, em reunião realizada a 11 de setembro. José Eduardo Martins, advogado e um dos 32 fundadores do UNUM, saudou a posição da direção encabeçada por Rui Costa: «O que interessa não é quem chega primeiro, é que as boas ideias avancem.»

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