Jovem espanhol virou ganso e já voa alto: «Vitória deu-nos ainda mais confiança»
Titular nos último cinco jogos do Casa Pia, já depois de ter sido suplente utilizado nas duas primeiras rondas, Selvi Clua está feliz em Pina Manique. O jovem médio espanhol, de 21 anos, está nos gansos por empréstimo do Almería, e promete continuar a dar o melhor de si para ajudar a equipa a fazer uma época tranquila. E o primeiro golo que marcou foi decisivo para a estreia a vencer dos casapianos na Liga. Eis um médio que promete.
— Está em estreia no futebol português. Como têm sido os primeiros tempos no Casa Pia?
— Têm sido muito bons. Fui muito bem recebido por toda a equipa. Mesmo não sendo o meu idioma, entendo tudo muito bem. Estou num bom clube e, além disso, também gosto muito de Lisboa.
— Chegou a um clube com grande história e que nos últimos anos tem vindo a sustentar o seu lugar na Liga. Que fatores foram determinantes para aceitar o desafio?
— Desde o primeiro momento que me senti bastante desejado. Quando assim é, quando te transmitem isso, é sempre diferente. Senti-me muito desejado. Além disso, e porque também só tinha jogado em Espanha, queria experimentar outro campeonato. O Casa Pia é um clube humilde, algo em que eu me revejo, pelo que foi fácil decidir aceitar vir para cá.
— Está emprestado pelo Almería, mas o Casa Pia tem opção de compra do seu passe. Gostaria que o seu futuro continuasse a ser ao serviço dos gansos?
— Sinceramente, não penso nisso. Estou concentrado na temporada. Depois, no final, e em conjunto, que é sempre o mais importante, veremos o que poderá acontecer. Agora só penso em ajudar a equipa ao longo da época.
— O início de temporada não foi nada fácil, com cinco derrotas e um empate nos seis primeiros jogos. O que se passou nesse período?
— Foi um início difícil, os resultados não apareciam, mas sabíamos que estávamos a trabalhar bem todos os dias. Sabíamos que essa confiança iria aparecer e que chegaríamos à primeira vitória.
— E esse primeiro triunfo surgiu, diante do Estoril. Foi o clique que faltava para uma época tranquila?
— Sim. Tal como já referi, com o trabalho que estávamos a desenvolver já merecíamos a vitória e sabíamos que iria aparecer. Eles até marcaram primeiro, o que foi duro para nós, mas fomos buscar forças e conseguimos dar a volta ao marcador. Ficámos muito contentes e foi um resultado que nos deu ainda mais confiança, claro.
— O Selvi participou em todos os jogos e nos últimos cinco foi titulares. E até já marcou um golo. Fale-nos um pouco das suas características individuais.
— Falando humildemente, considero-me um jogador forte, que dou equilíbrio à equipa e que piso várias zonas do terreno. Taticamente penso que sou bom, entendo os espaços e o que devo dar à equipa em cada momento, e com bola também tento dar qualidade à primeira fase de construção. Gosto de ter bola, assim como também gosto de chegar a zonas mais adiantadas e, se possível, finalizar.
— Agora que se estreou a marcar, e mesmo não sendo um avançado, tem alguma meta de golos?
— Todos os que puder marcar, obviamente [risos].
Quatro amigos portugueses no Almería
Com formação dividida por Reus, Nàstic e Girona — clube ao serviço do qual se estreou na LaLiga, na época 2023/2024 —, Selvi Clua representou também o Almería e o Mirandés antes de rumar ao Casa Pia. E no Almería, na primeira metade da temporada passada, o jovem médio partilhou balneário com quatro jogadores portugueses, casos de Luís Martins, Nélson Monte, André Horta e Gui Guedes.
«Gosto dos portugueses, tenho uma excelente relação com todos eles, em especial com o Gui Guedes. Quando surgiu a possibilidade de vir para Portugal e para o Casa Pia, falei com o Nélson [Monte] e com o Gui [Guedes] e eles também me ajudaram a tomar a decisão de aceitar este desafio de vir para o futebol português para jogar no Casa Pia», confessou, nesta entrevista exclusiva a A BOLA.
Depois dos primeiros passos inerentes à adaptação a uma nova realidade competitiva, Selvi Clua agarrou um lugar no onze e que se pode dizer atualmente é que, em condições normais, Filipe Coelho já dele não abdica quando toca a elaborar as estratégias para os jogos. Porque, tal como o próprio médio espanhol assume na primeira pessoa, é um jogador que oferece todos os equilíbrios de que a equipa precisa, saltando à vista a intensidade nos duelos individuais e a inteligência na ocupação de espaços. Mas não é tudo: sendo evoluído tecnicamente, Clua não rejeita a responsabilidade de dar início à primeira fase de construção ofensiva e, com a bola nos pés, lá está ele a empurrar a equipa para a frente. Bela aposta do Casa Pia.
Seleção de Espanha é um dos sonhos
Mesmo sem ter nenhuma internacionalização pelas camadas jovens de Espanha, Selvi Clua não esconde que no horizonte tem uma meta para cumprir. «Tenho o sonho e o objetivo de jogar na Seleção de Espanha. Claro que sei que não é fácil, especialmente depois da conquista do Mundial e de o melhor jogador ser a minha referência, caso do Rodri. É a minha referência atual, mas desde pequeno que seguia o [Sergi] Busquets, que estava no Barcelona. Representar o seu país é o sonho de qualquer jogador e espero um dia poder vir a alcançá-lo. Vou trabalhar para isso», salientou o camisola 16 dos gansos, que expressou outro desejo para a sua carreira: «Também sonho jogar a Champions.»