Selvi Clua chegou esta temporada ao Casa Pia e já se assumiu como um dos pilares da equipa de Filipe Coelho — Foto: Casa Pia
Selvi Clua chegou esta temporada ao Casa Pia e já se assumiu como um dos pilares da equipa de Filipe Coelho — Foto: Casa Pia
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Jovem espanhol virou ganso e já voa alto: «Vitória deu-nos ainda mais confiança»

Casa Pia teve arranque de época negativo, com cinco derrotas e um empate nos primeiros seis jogos, mas triunfo frente ao Estoril foi o clique que faltava. «Sabíamos que estávamos a trabalhar bem», revela Selvi Clua

Titular nos último cinco jogos do Casa Pia, já depois de ter sido suplente utilizado nas duas primeiras rondas, Selvi Clua está feliz em Pina Manique. O jovem médio espanhol, de 21 anos, está nos gansos por empréstimo do Almería, e promete continuar a dar o melhor de si para ajudar a equipa a fazer uma época tranquila. E o primeiro golo que marcou foi decisivo para a estreia a vencer dos casapianos na Liga. Eis um médio que promete.

— Está em estreia no futebol português. Como têm sido os primeiros tempos no Casa Pia?

— Têm sido muito bons. Fui muito bem recebido por toda a equipa. Mesmo não sendo o meu idioma, entendo tudo muito bem. Estou num bom clube e, além disso, também gosto muito de Lisboa.

— Chegou a um clube com grande história e que nos últimos anos tem vindo a sustentar o seu lugar na Liga. Que fatores foram determinantes para aceitar o desafio?

­— Desde o primeiro momento que me senti bastante desejado. Quando assim é, quando te transmitem isso, é sempre diferente. Senti-me muito desejado. Além disso, e porque também só tinha jogado em Espanha, queria experimentar outro campeonato. O Casa Pia é um clube humilde, algo em que eu me revejo, pelo que foi fácil decidir aceitar vir para cá.

— Está emprestado pelo Almería, mas o Casa Pia tem opção de compra do seu passe. Gostaria que o seu futuro continuasse a ser ao serviço dos gansos?

— Sinceramente, não penso nisso. Estou concentrado na temporada. Depois, no final, e em conjunto, que é sempre o mais importante, veremos o que poderá acontecer. Agora só penso em ajudar a equipa ao longo da época.

— O início de temporada não foi nada fácil, com cinco derrotas e um empate nos seis primeiros jogos. O que se passou nesse período?

— Foi um início difícil, os resultados não apareciam, mas sabíamos que estávamos a trabalhar bem todos os dias. Sabíamos que essa confiança iria aparecer e que chegaríamos à primeira vitória.

— E esse primeiro triunfo surgiu, diante do Estoril. Foi o clique que faltava para uma época tranquila?

­— Sim. Tal como já referi, com o trabalho que estávamos a desenvolver já merecíamos a vitória e sabíamos que iria aparecer. Eles até marcaram primeiro, o que foi duro para nós, mas fomos buscar forças e conseguimos dar a volta ao marcador. Ficámos muito contentes e foi um resultado que nos deu ainda mais confiança, claro.

— O Selvi participou em todos os jogos e nos últimos cinco foi titulares. E até já marcou um golo. Fale-nos um pouco das suas características individuais.

— Falando humildemente, considero-me um jogador forte, que dou equilíbrio à equipa e que piso várias zonas do terreno. Taticamente penso que sou bom, entendo os espaços e o que devo dar à equipa em cada momento, e com bola também tento dar qualidade à primeira fase de construção. Gosto de ter bola, assim como também gosto de chegar a zonas mais adiantadas e, se possível, finalizar.

— Agora que se estreou a marcar, e mesmo não sendo um avançado, tem alguma meta de golos?

— Todos os que puder marcar, obviamente [risos].

Quatro amigos portugueses no Almería

Com formação dividida por Reus, Nàstic e Girona — clube ao serviço do qual se estreou na LaLiga, na época 2023/2024 —, Selvi Clua representou também o Almería e o Mirandés antes de rumar ao Casa Pia. E no Almería, na primeira metade da temporada passada, o jovem médio partilhou balneário com quatro jogadores portugueses, casos de Luís Martins, Nélson Monte, André Horta e Gui Guedes.

Selvi Clua chegou ao Almería em fevereiro de 2025 — Foto: Almería

«Gosto dos portugueses, tenho uma excelente relação com todos eles, em especial com o Gui Guedes. Quando surgiu a possibilidade de vir para Portugal e para o Casa Pia, falei com o Nélson [Monte] e com o Gui [Guedes] e eles também me ajudaram a tomar a decisão de aceitar este desafio de vir para o futebol português para jogar no Casa Pia», confessou, nesta entrevista exclusiva a A BOLA.

Depois dos primeiros passos inerentes à adaptação a uma nova realidade competitiva, Selvi Clua agarrou um lugar no onze e que se pode dizer atualmente é que, em condições normais, Filipe Coelho já dele não abdica quando toca a elaborar as estratégias para os jogos. Porque, tal como o próprio médio espanhol assume na primeira pessoa, é um jogador que oferece todos os equilíbrios de que a equipa precisa, saltando à vista a intensidade nos duelos individuais e a inteligência na ocupação de espaços. Mas não é tudo: sendo evoluído tecnicamente, Clua não rejeita a responsabilidade de dar início à primeira fase de construção ofensiva e, com a bola nos pés, lá está ele a empurrar a equipa para a frente. Bela aposta do Casa Pia.

Seleção de Espanha é um dos sonhos

Mesmo sem ter nenhuma internacionalização pelas camadas jovens de Espanha, Selvi Clua não esconde que no horizonte tem uma meta para cumprir. «Tenho o sonho e o objetivo de jogar na Seleção de Espanha. Claro que sei que não é fácil, especialmente depois da conquista do Mundial e de o melhor jogador ser a minha referência, caso do Rodri. É a minha referência atual, mas desde pequeno que seguia o [Sergi] Busquets, que estava no Barcelona. Representar o seu país é o sonho de qualquer jogador e espero um dia poder vir a alcançá-lo. Vou trabalhar para isso», salientou o camisola 16 dos gansos, que expressou outro desejo para a sua carreira: «Também sonho jogar a Champions.»

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