Figura do Brasileirão revela problemas com o álcool: «Não tinha controlo»
Figura de destaque entre os guarda-redes do Brasileirão há pelo menos 15 anos, Cássio teve de superar problemas de adição ao álcool durante o auge da carreira, quando representava o Corinthians. Ao Charla Podcast, o experiente guardião, agora treinador por Artur Jorge no Cruzeiro, contou como o álcool e outros problemas tomaram conta da sua vida.
Após ter ganho notoriedade com as conquistas da Taça Libertadores e do Mundial de Clubes em 2012, para além do Brasileirão em 2015, Cássio viu o seu estatuto vacilar no ano seguinte. O momento de viragem teve início em maio de 2016, numa fase em que perdeu a titularidade para Walter na sequência do falecimento da avó.
Depois de um jogo dá-se a morte da minha avó, que foi muito marcante no meu percurso. Fui ao velório e não regressei a tempo de um jogo com o Grémio. O Walter jogou e esteve bem. Depois, na antevéspera da partida seguinte, o Tite chamou-nos os dois e disse que ia apostar no Walter.
Início da viragem
Apesar de ter voltado à baliza no mês seguinte devido a uma lesão do concorrente direto, Cássio regressou ao banco de suplentes em setembro. A verdadeira transformação surgiu na viragem para 2017, com uma mudança drástica de rotinas alimentares que o levou a apresentar-se na pré-época com menos seis quilos.
«Nunca tinha feito qualquer dieta ao longo da carreira. Comecei o plano alimentar, cortei totalmente as bebidas alcoólicas e, ao regressar ao Corinthians, todos ficaram surpreendidos por me verem mais magro e focado. O Walter iniciou a época a titular, mas infelizmente lesionou-se, o que me permitiu voltar a jogar e dar seguimento normal à minha trajetória», explicou, antes de sublinhar a importância de ter alterado vários hábitos de vida.
Gosto de conversar com os jovens e partilhar bastante aquilo por que passei. Admito que os primeiros dois ou três meses sem álcool foram extremamente duros. Estava focado em parar de beber, por isso não podia frequentar tabernas ou locais propícios a recaídas. Não tinha controlo, a paragem tinha de ser definitiva. Se tivesse continuado por esse caminho, hoje não me conheceriam.
Em 2017, Cássio ganhou um segundo Brasileirão com o Corinthinas, clube que representou 697 vezes. Mudou-se para o Cruzeiro em maio de 2024 e na época seguinte assumiu papel preponderante na caminhada que levou o clube de Belo Horizonte ao 3.º lugar do Brasileirão. Já em 2026, teve uma lesão no joelho e ainda não jogou ao serviço de Artur Jorge, numa altura em que a baliza tem estado entregue a Otávio, chamado por Carlo Ancelotti à seleção brasileira.