FC Porto: talismã reclama titularidade em tempo de crise defensiva
O futebol tem estas coisas: nada melhora mais a reputação de quem está de fora do que o mau momento de quem joga. Na noite difícil contra o Betis, no Estádio de La Cartuja, a ala esquerda do FC Porto viveu momentos complicados. Francisco Moura teve uma exibição infeliz — falhou no golo do empate e cometeu um penálti escusado que definiu a derrota por 2-3. O desaire não mostrou só um dia mau; voltou a colocar na ordem do dia, com dados bem claros, o nome de Zaidu.
Há um dado curioso no percurso recente do lateral nigeriano. Desde que se lesionou no relvado do Fontelo, contra o Académico de Viseu, devido a um problema no adutor direito, o seu valor na equipa cresceu sem ele jogar. Mesmo fora das opções, Zaidu passou a ser visto como um elemento essencial. Os números da época mostram algo raro: sempre que o lateral foi titular, o FC Porto venceu todos os jogos e não sofreu qualquer golo, mantendo a baliza completamente a zeros.
A sua ida para a enfermaria mexeu, contudo, com o rendimento da equipa. Nos sete jogos após a lesão do africano, a defesa portista cedeu com facilidade preocupante. Foram dez golos sofridos e nenhum jogo sem sofrer. Nem a adaptação de Martim Fernandes à esquerda nem a aposta continuada em Francisco Moura resolveram o problema. Pelo meio, a utilização do jovem Souza frente ao Deportivo da Corunha, um ensaio particular disputado em Espanha no hiato competitivo motivado pelos compromissos das seleções, serviu apenas como teste, provando que as opções do plantel pedem mais maturidade nesta altura da temporada.
É neste cenário de alerta na defesa que Francesco Farioli enfrenta uma decisão muito difícil. O jogo frente ao PSV Eindhoven, para a Liga dos Campeões, no Estádio do Dragão, não dá margem para erros. O treinador italiano sabe que a esquerda precisa de uma solução rápida, mas a escolha envolve riscos. Colocar Zaidu no onze num jogo europeu significa lançar um jogador ainda sem ritmo de jogo e com dúvidas físicas; manter Martim Fernandes garante força física, ao passo que Souza está ainda a envolver-se com as dinâmicas da equipa, ele que é um dos reforços de verão do campeão português.
Em fim de contrato e numa fase importante de conversas para renovar a ligação ao emblema da cidade Invicta, Zaidu joga também o seu futuro no clube. Entre a urgência de travar os ataques do adversário e a necessidade de recuperar a segurança perdida, o nigeriano surge como uma opção forte para a crise. Resta saber se Francesco Farioli vai ter a coragem de apostar de novo no lateral para ajudar o Dragão na Europa. A lateral-esquerda é uma lacuna que se arrasta há temporadas no plantel dos azuis e brancos e que tarda em ser devidamente colmatada...