«É fundamental vencermos o jogo com o FC Porto»
— Bem, na Liga dos Campeões, o mais importante é, acima de tudo, tentar ficar entre os 24 primeiros clubes e passar à fase seguinte; depois, já veremos o que nos espera nessa fase, mas, como objetivo principal, tentar avançar e, acima de tudo, não esquecer a LaLiga e voltar a qualificar-nos para Champions pelo segundo ano consecutivo, o que seria também um verdadeiro marco para o clube, pois nunca na história conseguimos estar dois anos consecutivos na prova.
— Como é que a própria cidade de Sevilha, os adeptos 'beticos', está a viver esta realidade da Liga dos Campeões?
— A verdade é que os adeptos estão muito, muito entusiasmados com esta competição, sobretudo com as deslocações. Tivemos a sorte— ou talvez também por termos adversários difíceis, sobretudo os alemães— de termos duas deslocações muito agradáveis, e há uma verdadeira loucura na preparação dessas deslocações.
Em casa, o público não falha, no nosso Estádio Benito Viilamarín. Ou seja, quer joguemos na Liga dos Campeões ou não, o estádio fica cheio e a gente apoia a equipa, mas é com grande entusiasmo que se vive a experiência de grandes estádios, como o do Borussia Dortmund ou do Bayern de Munique, que serão jogos muito interessantes para se viver uma deslocação em massa.
— Como é que encaram este jogo com o FC Porto?
— É um jogo importante. Penso que, depois da primeira vitória que conseguimos fora de casa, na primeira jornada da Liga dos Campeões [3-2 ao Lille], enfrentar o primeiro jogo em casa contra um adversário tão difícil, tão forte como o FC Porto, com tanta tradição na Liga dos Campeões, acho que isso é muito importante para nós. Para tentarmos alcançar esse objetivo de passar à segunda fase, é fundamental somar pontos e vencer o FC Porto, o que não vai ser fácil. Penso que é um adversário difícil.
— Como é que o clube se conseguiu recuperar nos últimos anos, depois de algumas épocas difíceis? Na época de 2014-15, estava na LaLiga 2… Qual o segredo?
— Bem, no fundo, isto não é segredo nenhum, isto é trabalho: tentar levar a cabo um projeto. É verdade que há 10 anos, quando houve uma mudança na direção do clube, sobretudo na presidência e no Conselho de Administração. O Betis atravessava um período muito conturbado, em que havia pouca estabilidade social, tanto na sociedade desportiva como no clube. Foi tudo feito com trabalho, esforço e, acima de tudo, apoio. Acho que o Betis é um clube que tem de estar sempre na posição em que nos encontramos agora, pela ‘afición’, pela história. Não há segredo algum. É trabalho, muito trabalho...de muitas pessoas, não só da Direção, mas também dos jogadores, dos treinadores e de todo o pessoal que trabalha para o clube. Estamos a viver um momento muito interessante que queremos que vá ainda mais longe.
— Como é que se consegue equilibrar as contas, cumprir os pressupostos financeiros impostos pela Liga espanhola e ter um plantel competitivo?
— Quanto à questão da repartição de direitos televisivos, se é verdade que não é equitativa, mas, bem, se se for acumulando boas épocas com boas classificações, essas receitas vão aumentando cada vez mais; isso também é uma das chaves do sucesso, mas não pode ser a única razão. No final do dia, clubes como o nosso precisam de vender jogadores em todas as épocas, tentando equilibrar o orçamento o máximo possível e com ambição, mas sem cometer grandes loucuras e melhorando o plantel. Neste momento, temos um plantel bastante competitivo.
— Olhando agora para o mercado português, no verão do Betis, o clube mostrou interesse no Ivanovic, do Benfica. Por que é que o processo não se concretizou?
— Era um dos nomes que estavam em cima da mesa, juntamente com outros, não era o único. Além disso, as circunstâncias em que a situação se inseria naquele momento — o que o Benfica, neste caso, pretendia, em conjunto com o avançado — estavam longe do que podíamos aceitar para aquele perfil do jogador. Mas enfim, eram nomes que estavam em cima da mesa. Acho que foi mais alarido mediático do que verdadeiros momentos de progresso e, finalmente, chegou um grande avançado como o Parrot, que, na minha opinião, está a fazer um trabalho incrível.
— Por falar em mercado português, O Wiliam Carvalho esteve muitos anos no Betis. Que recordações guardam dele os adeptos?
— É um jogador fantástico. Sempre fui fã do William Carvalho, mesmo antes de ele chegar ao Betis. É um jogador diferente, capaz de entusiasmar os estádios com jogadas de grande qualidade, e considero que o balanço global do período em que esteve connosco foi muito positivo. É um futebolista que nos proporcionou muitos momentos de alegria aos adeptos e é aquele típico jogador icónico, que, mesmo que faça pouco num jogo, dá para ver que é diferente. Sou um grande fã do William e estou satisfeito com o desempenho geral que ele teve. Obviamente com os seus altos e baixos, mas isso acontece com todos os jogadores.
PORTUGAL É UM PAÍS DE TREINADORES
— Agora na vertente do investimento, depois de ter vendido o capital social da SAD do Amora, pondera investir noutro clube português?
— Neste momento, penso que ainda é cedo. Acho que, após quatro anos em Amora, onde residia em Sevilha, tinha o meu emprego lá e continuava a exercer as minhas funções no Betis, tendo de fazer a viagem Sevilha-Lisboa quase todas as semanas; acho que, ao longo de quatro anos, o desgaste pessoal e familiar, sem contar com a vertente financeira, foi difícil. E, neste momento, penso que, mais do que investir noutro clube em Portugal, gostaria de continuar a trabalhar no futebol português e estou aberto a opções, mas acho que, neste momento, o mercado também não oferece oportunidades reais em que se possa investir a um preço justo, valorizar o clube e fazer um bom trabalho. Penso que, nestes últimos anos, o futebol português tem sido, obviamente, muito atrativo para a entrada de investidores; realizaram-se muitas vendas, algumas delas importantes, tanto na Liga como na Liga 2, e, neste momento, penso que comprar um clube em Portugal é caro e além de caro e não há opções assim tão interessantes.
— Quais as razões que levam a tanto investimento estrangeiro em clubes portugueses. Pelo talento dos jogadores que se pode potenciar e depois vender os seus passes?
— Penso que Portugal é um destino atraente para a entrada de investidores e tem-no sido nos últimos anos, talvez porque — embora agora já não seja tanto o caso — havia muitos clubes com dificuldades financeiras, o que fazia com que o preço de entrada fosse acessível; e o que este tipo de investidor procura é a valorização dos jogadores e do clube. Portugal tem talento suficiente, como todos sabem; é um país que, na minha opinião, é o que mais jogadores fornece à Europa e ao resto do mundo, e o talento está cá. Tem também grandes treinadores; digo sempre que Portugal se sai bastante bem na formação de treinadores, e isso faz com que seja um país onde, com um custo de entrada relativamente baixo em comparação com outras ligas, os projetos possam ser desenvolvidos.
— Como viveu a descida do Amora ao Campeonato de Portugal? Ficou desiludido?
— Continuo a acompanhar, logicamente, porque tenho amigos lá e tenho um certo carinho pelo clube. Acho que, assim que saímos do projeto, chegou um novo grupo; sempre que alguém vem de fora, custa um pouco conhecer a realidade do país, a realidade da competição; foram feitas algumas mudanças e acho que, no primeiro ano, a equipa sofreu bastante, demasiadas mudanças num curto espaço de tempo. Mas a equipa estabilizou, apesar de estar no Campeonato de Portugal, penso que é um plantel bastante competitivo. O Luís [Branca], o diretor desportivo, está a fazer um trabalho bastante importante e interessante e estou convencido de que é um dos favoritos para ficar no topo na tabela. O Campeonato de Portugal, apesar de ser a quarta divisão, é uma competição muito difícil, bastante competitiva, onde há muito investimento e bons jogadores. Penso que o Amora tem de chegar, pelo menos, à fase de promoção e, depois, veremos. Adoraria que subisse. Estou sempre a querer o melhor para o Amora e para habitantes daquela localidade.