Desportos de Inverno: «o caminho da diáspora» que Portugal tem de fazer
A federação que Pedro Flávio preside representa 12 desportos: esqui de fundo, alpino e freestyle, biatlo, bobsleigh, curling, hóquei no gelo, luge, snowboard, skeleton, patinagem artística e patinagem de velocidade e este é o ponto de partida para uma conversa de A BOLA com alguém que começou a esquiar «praticamente no berço».
«Um dos objetivos principais da FDI até 2030 é aumentar o número de atletas que poderão estar nos Jogos Olímpicos e também o número de modalidades. É para isso que nós estamos a trabalhar. Nós estivemos muito perto, em Milão-Cortina, de levar mais atletas. Participámos com três [Vanina e Emeric Guerillot, no esqui alpino, e José Cabeça no esqui de fundo], mas quase qualificámos uma atleta de patinagem de velocidade, a Jéssica Rodrigues, que foi campeã do mundo júnior em 2025», diz Pedro, sempre otimista para um futuro com maior visibilidade dos desportos de inverno em Portugal… e lá fora
«Estamos a trabalhar para que estes atletas tenham as melhores condições possíveis, porque a realidade é que muitos destes atletas começaram em Portugal, mas depois, para fazer o caminho e para conseguir estar ao melhor nível possível, têm de sair do país», afirma.
Por isso é que Portugal percorre «o caminho da diáspora» no que toca aos desportos de inverno, que passa pela «identificação de atletas que treinam no estrangeiro, porque vivem em zonas perto da montanha ou de pistas de gelo e que acabam por praticar estas modalidades na escola, com os seus familiares, e chegam até à FDI».
No entanto, os desportos de inverno «têm provado que estão a crescer» nos últimos anos, garante Pedro Flávio: «Temos aumentado o número de clubes, o número de atletas e temos trabalhado modalidades que antes tinham pouca visibilidade, como o hóquei no gelo, o curling e o bobsleigh.»
Seixal será nova casa dos desportos de inverno
Outra das grandes metas até 2030 é a construção do Pavilhão de Desportos de Inverno, no Seixal. «Já temos um terreno, num acordo feito com o Município. Estamos na fase de licenciamento junto do IPDJ. O objetivo é que possa ser construído o mais depressa possível e que esteja preparado para receber público e as modalidades de hóquei no gelo, curling, patinagem artística no gelo, patinagem de velocidade na vertente short track», explica, antes de acrescentar um desejo. «O ideal seria haver uma infraestrutura [como esta] na zona da Grande Lisboa e outra no Grande Porto».
Adele Vankersschaever, promessa luso-belga de 14 anos
Nascida no Porto, mas filha de pais belgas, Adele Vankerschaver representa Portugal no snowboard e tem impressionado desde tenra idade. «É uma atleta que tem um nível muito bom. Terminou o ano passado no primeiro lugar do ranking mundial de atletas da sua idade. E isso é um sinal de que tem agora estes quatro anos para fazer o caminho, mas quase com toda a certeza vamos ter a Adele também nos Jogos Olímpicos nos Alpes franceses», afirma Pedro Flávio, entusiasmado com o progresso da jovem atleta, que também pode servir como exemplo da captação de talento que Portugal pode fazer.
«Acho que vai ser uma atleta que vai dar muito que falar ao país. Eu não tenho dúvidas de que ela vai fazer um caminho exemplar. É uma atleta com um potencial enorme de crescimento e eu acho que daqui a quatro anos nós vamos ouvir falar da Adele com resultados de excelência para o país, e vai ser alguém que vai levar o nome de Portugal longe, não tenho dúvidas», atira Pedro Flávio, confiante no crescimento de Adele e dos desportos de inverno portugueses.