«Mourinho não vai mudar, não sabe viver com a derrota»
Ricardo Carvalho é detentor do recorde de jogos sob o comando de José Mourinho: 293, no FC Porto, no Chelsea e no Real Madrid. E em entrevista ao jornal La Vanguardia, desmontou a ideia de que a maturidade do treinador dos merengues signifique que ele seja agora um pacificador.
«Quando os jogos começam, a atitude dele não vai mudar. É verdade que está mais maduro, mais moderado, mas não sabe viver com a derrota. Se as coisas não correrem bem, vai zangar-se», frisou o antigo jogador de 46 anos, desmistificando qualquer atrito com o treinador. «Aprendi muito com ele e sei que o melhor é aceitar a sua personalidade. Como jogador pensas que ele quer o melhor para a equipa, não há nada pessoal com ninguém, ele quer o máximo. Não te podes zangar com ele, fará tudo o que for possível para ganhar. Quando o consegue, a sua personalidade é diferente; quando perde, custa-lhe lidar com a derrota», vincou, antes do clássico de domingo entre Barcelona e Real Madrid.
Das palestras de Mourinho, Ricardo Carvalho recordou em particular a da final europeia de 2004 pelos dragões, contra o Mónaco: «Lembro-me da que nos fez antes de jogar a final da Liga dos Campeões com o FC Porto, em 2004, quando insistiu na ideia de ganhar, e não apenas jogá-la, de que ninguém sabia com certeza se teria mais oportunidades. Nessa época crescemos pessoal e profissionalmente com ele.»
Ao abordar os anos em Espanha, o antigo internacional luso justificou a decisão de trocar Londres pela capital espanhola aos 32 anos: «Vinha de estar seis anos no Chelsea. Era mais fácil continuar lá, mas quando o Real Madrid me chamou sabia que tinha de tentar. Para mim, não há dúvidas de que está noutro nível.»
Sobre a rivalidade incandescente com o Barcelona, Ricardo Carvalho admitiu os excessos competitivos da época. «Havia um pouco de tudo, havia diversão, mas muita tensão nos jogos. Há que ter limites na tensão e há momentos, naqueles clássicos, em que passávamos esse limite», reconheceu, apontando Lionel Messi e Andrés Iniesta como as principais dores de cabeça: «Messi, obviamente, quando jogava como falso nove era algo diferente para um central. Um jogador que se movimenta tão bem entre linhas e é tão forte no um para um... Não o conseguias travar. Outro diferente era Iniesta, era um prazer vê-lo jogar.»
Houve ainda espaço para elogiar Deco, atual dirigente do Barcelona com quem partilhou balneário no FC Porto, no Chelsea e na Seleção de Portugal: «Era impressionante como jogador. Penso que encontrou a função na qual se sente confortável e que lhe dá prazer. Li que podia estar até um mês num hotel para contratar um futebolista.»
Após ter concluído um ciclo de quatro anos como adjunto de Roberto Martínez na Seleção, Ricardo Carvalho revelou estar dedicado à família e à sua qualificação como técnico. «Foi um prazer trabalhar com Roberto Martínez, um privilégio. Agora estou com tempo para me formar. Falta-me o diploma UEFA Pro e quero que a minha próxima etapa seja melhor como treinador. E também tenho três filhos e quero compensar o tempo perdido quando era futebolista e estar com eles», concluiu.
Artigos Relacionados: