Carlos André Gomes, presidente do Marítimo
Carlos André Gomes, presidente do Marítimo

Carlos André Gomes: «Enquanto estivermos presos aos três grandes, vai ser muito difícil»

Presidente do Marítimo fez um balanço sobre os três anos à frente do clube

Em entrevista ao programa 1910, que estreou nesta terça-feira na Rádio 88.8 JM, Carlos André Gomes, presidente do Marítimo, passou em revista os três anos de mandato, apontando dificuldades que a sua direção sentiu e apelando aos maritimistas para apoiarem a direção e a equipa. O dirigente apontou ainda as desigualdades que existem entre os três grandes e os restantes clubes, que não deixam o futebol português «evoluir» e acredita na manutenção da Liga, que será fundamental para o equilíbrio financeiro do clube, depois de um ano de «esforço financeiro» para conseguir a promoção.

«Foram vários momentos, o mais marcante foi quando ascendemos à Liga, que é o nosso espaço natural. Foram três anos de muitas dificuldades, em que muitas pedras surgiram pelo caminho, mas sempre olhando para o futuro de forma a ultrapassá-las sem nos prendermos ao passado. Houve sempre o cuidado de enfrentar esses problemas de forma a ultrapassá-los e que houvesse o mínimo ruído para o exterior. O caminho que esta direção escolheu foi sempre olhar para a solução e nunca pelo lado do problema», apontou o dirigente, sobre o melhor momento do mandato.

Sobre dificuldades encontradas, afirmou: «Quando elas aparecem a nossa mente vira-se logo para a solução. Houve muitas dificuldades financeiras, momentos de não dormir para saber como arranjar dinheiro para pagar salários e de fornecedores a bater à porta para pagar as dívidas que o clube tinha para com eles. E, sempre procurando o que era melhor para o clube,  de forma tranquila, fomos ultrapassando esses problemas.»

«Temos sempre vindo a encontrar as soluções e, obviamente, o facto de termos subido à Liga, traz-nos alguma folga, mas não resolve os problemas. Foi fundamental a subida, porque se não acontecesse teríamos de aplicar cortes severos na estrutura do Marítimo», reconheceu. «Temos de ter consciência que para estarmos na Liga, houve um esforço financeiro muito grande quando estávamos na Liga 2 e esse esforço vai-se refletir nos resultados da SAD. Mas também temos a consciência de que isso foi fundamental para colocar o clube na Liga e temos de continuar lá, porque temos 3 ou 4 anos muito difíceis pela frente e que são importantíssimos para equilibrar a parte financeira do Marítimo», acrescentou.

Em relação ao futuro, apelou à união de todos os maritimistas: «Há muita coisa peara fazer e acima de tudo, é necessário que todos os maritimistas percebam que gerir uma instituição como o Marítimo, é muito mais do que gerir um clube de futebol. É uma instituição centenária, que tem muitas empresas e que envolve a vida de muitas pessoas. Não é o simples facto de ser um clube de futebol, que é a unidade mais importante desse universo, que a gestão se centre apenas no futebol. Temos de ter um modelo de gestão que tem de ser equilibrado para toda a estrutura. E nesse sentido é muito importante que os sócios percebam que não é deitando abaixo e criticando quem está na direção, que as coisas vão melhorar. Só melhoram se estivermos todos unidos e lutar no mesmo sentido.»

No último ano de mandato, Carlos André Gomes não desfez o tabu sobre uma recandidatura. candidato «Não é importante. Vamos entrar para o último ano do mandato e o importante é estruturar o Marítimo para o futuro. Se com o Carlos André ou outra pessoa, não é importante neste momento. O importante é deixar condições, fazer o mandato e sentir que no momento em que sairmos, ou continuarmos, aquilo que fizemos, ficou bem feito, para quem vier a seguir sentir que há uma parte organizacional que funciona, trabalha bem e que permitiu o regresso do Marítimo à Liga», afirmou.

Sobre que mudanças necessita o futebol português, o presidente do Marítimo apontou que seria necessário diminuir as discrepâncias entre os três grandes e os restantes clubes. «O futebol português não evolui enquanto houver esta separação clara entre os três clubes e os restantes. Nós tentámos, via Liga Centralização, alterar um pouco essa relação de forças, mas a verdade e que o futebol português ainda está agarrados aos três grandes e assim tudo se torna mais previsível, e quando assim é torna-se mais difícil os patrocinadores trazerem dinheiro para um mercado que é previsível. A imprevisibilidade, a competição e a incerteza de quem ganha os jogos é que desperta a curiosidade. Enquanto nós estivermos muito presos aos três grandes, vai ser muito difícil aos outros clubes conseguirem crescer e aparecer», sublinhou.

Carlos André Gomes acredita que o Marítimo irá continuar na Liga: «Vai ser muito difícil, mas tenho plena confiança no trabalho que está a ser feito pela equipa técnica e jogadores. Tudo o que estamos a trabalhar, tenho a consciência de que vai aparecer em campo, por isso, o Marítimo vai-se manter na Liga, não tenho dúvidas.»

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