Caravela navegou em Blesa e roubou a (N)joya madeirense (crónica)
Quem diria que duas equipas em crise iriam proporcionar um jogo de qualidade, com golos e emotivo até final. O Rio Ave sacudiu-a depois de quatro jogos sem vencer - e voltou a sorrir em casa o que já não acontecia desde 15 de março, quando derrotou o Estrela da Amadora – e o Nacional aprofundou-a, averbando o sexto desaire consecutivo na Liga.
«Tolerância zero», tinha avisado Alexandre Santos no lançamento do jogo. Um alerta ao erro, que não se aplicava apenas à sua equipa, mas também ao Rio Ave, atendendo às circunstâncias. E, no final, o treinador lamentou o desacerto que originou o golo do triunfo dos vilacondenses, quando Dongmo – que se estreou pelos insulares – pisou Blesa na área, com o espanhol a não desperdiçar a grande penalidade. Numa altura em que os nortenhos jogavam com menos um, também por um erro infantil de João Tomé, que, para a sua equipa, não teve consequências. Pelo contrário, foi em inferioridade numérica, que o Rio Ave marcou mais vezes. O lateral viu dois cartões amarelos no espaço de quatro minutos, aos 50 e 54, o segundo quando agarrou Song Min-Kyu junto à linha lateral, sem necessidade.
No abanão que as duas equipas precisavam os dois treinadores operaram uma revolução nos onzes. Cada qual fez cinco alterações, e no Nacional houve quem aproveitasse (e bem) a oportunidade. Como Njoya Abdel, possante avançado que faturou por duas vezes e que deu muito trabalho à defesa local. Antes de faturar pela primeira vez, finalizando de cabeça, o avançado camaronês falhou por pouco, atirando por cima.
No Rio Ave, o dinamarquês Clemmensen também foi novidade no onze e chegou-se à frente, reagindo rápido à vantagem madeirense e a Kokolo, após uma bola que saiu de enorme defesa de Marín, para empatar. Já com menos um, a Caravela arribou e chegou à vantagem, com o antigo médio do Goteborg a descobrir espaço para Bezerra entrar na direita e finalizar. Uma jogada que começou com um toque de cabeça de Blesa na linha de meio-campo, numa transição a aproveitar o adiantamento dos madeirenses.
A (N)joya do Nacional voltou a brilhar e o empate chegou rapidamente, com o avançado a picar a bola por cima de Vitor Hugo, aproveitando uma assistência… de Miguel Patrício, quando o médio vilacondense pretendeu aliviar de cabeça. Lá está, mais um erro, que poderia ter sido fatal no resultado, se não surgisse a tal falha de Dongmo descrita mais acima, e que abriu caminho para Blesa fixar o triunfo do Rio Ave.
Na nova vida do Rio Ave, Vasco Seabra surpreendeu com a titularidade do extremo dinamarquês de 23 anos, que chegou do Goteborg. E foi aposta ganha. Marcou um golo, o que anulou a vantagem inicial dos madeirenses, reagindo mais rápido que Kokolo para finalizar, e assistiu Bezerra no 2-1, colocando o extremo só com Renato Marín na frente, dando sequência a uma vistosa transição.
As notas dos jogadores do Rio Ave (4x2x3x1): Vitor Hugo (6), João Tomé (4), Ntoi (5), Gustavo Mancha (5), Vrousai (5), Miguel Patrício (5), Liavas (5), Clemmensen (7), Sellouki (5), Bezerra (5), Blesa (6), Galcik (5), Petrasso (5), Santi Garcia (5), Diogo Nascimento (5) e Tamble Monteiro (-).
Alto e possante, deixou água na boca aos adeptos do Nacional, nesta sua primeira aparição na equipa. Contratado aos lituanos do Hegelmann, o avançado camaronês apontou dois golos e foi o catalisador da esperança alvinegra em inverter o ciclo negativo. Deu muito trabalho à defensiva vilacondense e até poderia ter saído com hat-trick, porque antes de abrir a contagem falhou boa ocasião.
As notas dos jogadores do Nacional (4x2x3x1): Renato Marin (5), Deivison (5), Chico Gonçalves (5), Zé Vítor (5), Kokolo (5), Laabidi (5), Dongmo (4), Daniel Júnior (5), Matchoi Djaló (5), Song Min-kyu (5), Njoya Abdel (7), Nava (5), Miguel Baeza (5), Obando (5), Joel Silva (-) e Stavros Gavriel (-).