Bananas insufláveis em Anfield? A história por trás da tradição
Num ambiente de forte hostilidade em Anfield, os adeptos do Manchester City responderam à contestação exibindo centenas de bananas insufláveis no primeiro jogo da Premier League desde que foi considerado culpado de violações das regras financeiras. O organismo considerou que o clube de Manchester violou sistematicamente uma série de regulamentos financeiros entre 2009 e 2018, tendo inflacionado as suas receitas através de esquemas de financiamento dissimulados. Os citizens já recorreram da sentença, assegurando dispor de provas irrefutáveis em sua defesa.
A receção dos apoiantes do Liverpool, principal adversário dos citizens na última década, foi particularmente dura. Nas imediações de Anfield, cerca de hora e meia antes do pontapé de saída, vendiam-se cachecóis e bandeiras com as imagens dos jogadores do Manchester City acompanhadas pelas palavras como «culpados» e «batoteiros». Com vista a manter a segurança foi reforçada a presença policial no local. Enquanto o autocarro do Liverpool foi recebido com grande euforia pela multidão, as duas viaturas do City optaram por uma rota alternativa e mais tranquila para contornar os ajuntamentos. Fora do recinto, entoaram-se cânticos que afirmavam que o clube iria «descer» e apelidavam o adversário de «aldrabões».
Dentro do recinto, o clima adverso intensificou-se. A entrada dos jogadores em campo e cada toque na bola durante os minutos iniciais foram acompanhados por uma enorme vaia, tendo sido igualmente estendida numa bancada uma tarja com a frase «uma geração de adeptos enganada».
Em resposta, os apoiantes visitantes aplaudiram os seus futebolistas antes do início da partida e agitaram bananas gigantes. Organizada pelo grupo 1894, a iniciativa de recuperar este adereço insólito pretendeu enviar uma mensagem clara. Um membro do grupo 1894 explicou, em declarações ao Manchester Evening News, a intenção por detrás do gesto: «Serve para lembrar a todos que, independentemente da liga onde formos parar, estaremos sempre presentes. É uma parvoíce, é um pouco de diversão. Os adeptos do City vão lá para a festa.»
Esta manifestação resgata uma tradição que nasceu nos anos 80, numa época igualmente sombria para o futebol e para a sociedade britânica. Na década marcada pelo hooliganismo, pela tragédia de Heysel em 1985 — que baniu as equipas inglesas das competições europeias por cinco anos —, pela governação de Margaret Thatcher, pelos conflitos na Irlanda do Norte, pela Guerra das Malvinas em 1982 e pela Guerra Fria, as bancadas de Manchester encontraram na festa uma forma de resistência.
A origem do fenómeno remonta a novembro de 1987, quando o antigo jogador Imre Varadi, que chegara do West Brom em 1986 e fora autor de um quarto dos golos na época da descida de divisão, se deparou com o objeto no aquecimento em Maine Road. Tudo começou com uma aposta ganha pelo adepto Frank Newton, num período em que os jovens saíam da discoteca diretamente para o estádio.
«Entrei a correr numa noite e alguém estava a acenar com uma banana. Começaram a chamar-me Imre Banana e eu a pensar: 'O quê?!'. No jogo seguinte, havia 25 a 30 bananas e toda a gente me chamava Imre Banana», recordou Varadi.
Depois de terem celebrado um triunfo com dez jogadores no dérbi em Old Trafford, a recente decisão da comissão independente apagou os sorrisos dos adeptos do Manchester City. Contudo, em Anfield, o regresso em força dos insufláveis não passou despercebido, com Varadi a ser um dos muitos a acolher a exibição com satisfação.
Depois de constatar a presença constante de bananas insufláveis nos jogos do Manchester City, Varadi decidiu, há alguns anos, registar a marca «Imre Banana» e fundar uma empresa dedicada à sua comercialização. O projeto ganhou dimensão oficial, contando com a adesão do próprio clube e da Puma, patrocinadora dos equipamentos, que passaram a disponibilizar os insufláveis nas lojas oficiais desde o início da temporada transata.
Varadi expressou a sua satisfação com o ambiente em torno dos adeptos e antecipou o cenário para a deslocação a Anfield: «Há sempre humor com os adeptos do City, o que é fantástico. Estou ansioso por ver todas as bananas na bancada em Anfield. Tenho a certeza de que será um pouco como um Carnaval.»
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