Sudakov marcou o segundo do Benfica (SÉRGIO SANTOS)
Sudakov marcou o segundo do Benfica (SÉRGIO SANTOS)
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Aquecer e jogar meia hora às vezes dá muito jeito… (crónica)

Benfica esteve imparável até perto do intervalo. Velocidade, múltiplas trocas de bola e dois ou três jogadores, sobretudo Prestianni, bem acima da média. O Vitória cresceu na segunda parte, mas sem nunca incomodar Samuel Soares

O Benfica entrou em campo (utilizando uma frase muito em voga nos últimos dias) com uma atitude de quero, posso e mando. O plano que Marco Silva propôs aos seus jogadores foi aceite: velocidade, múltiplas trocas de bola, dois ou três jogadores acima da média, sobretudo Prestianni, mas alguma (ou bastante) displicência na hora de rematar e fazer golo.

O Benfica queria golos. Aliás, não queria poucos, queria muitos. Porém, como tantas vezes acontece, entre querer e fazê-lo ia uma longa distância. A mesma que, logo ao minuto 4, fez com que Rafa, após jogada brilhante de Prestianni e remate de Schjelderup à figura de Zych, enviasse a bola, com estrondo, à barra. Foi um momento de frustração de Rafa, sim, mas que não apaga coisa nenhuma do que o número 27 tem feito na Luz nos últimos nove meses.

Era o primeiro sinal mais de uma exibição muito forte que se prolongaria quase até ao intervalo. Houve mais uma jogada, aos 21’, entre Prestianni e Schjelderup, com o norueguês a rematar ao lado. Pouco depois, o momento mais alto do primeiro tempo e talvez até do jogo todo. Dahl recebe a bola sobre a esquerda, tabela com Pavlidis e, quando o sueco fica cara a cara com Zych, pica-lhe a bola e faz um bem bonito e merecido golo.

Dahl, sejamos sinceros, pode nem ser o jogador que mais autógrafos dá ou mais selfies tira com os adeptos do Benfica, mas é, decerto, um dos que mais recebe e dá carinho aos fãs. Há José Neto, há El Karouani, mas o titular, até ver, é Dahl. É credível e fiável e, por isso, os benfiquistas não devem inventar problemas onde eles não existem.

A colocação de Schjelderup ao meio e a confirmação de Prestianni à esquerda e de Rafa à direita trouxe sempre altíssima rotação ao ataque encarnado, com mobilidade, agressividade e múltiplas trocas de bola.

O Vitória, de forma compreensível, raramente saiu da sua área. Falha que, pelo fogo atacante do Benfica, não é apenas da responsabilidade dos minhotos. Não deveria ter acontecido, na perspetiva vimaranense, mas compreende-se. A entrada em campo dos encarnados foi forte e quase imparável até ao intervalo.

Porém, após o descanso, talvez pelas palavras de Tiago Margarido naqueles 15 minutos, a atitude do Vitória mudou. Os jogadores, quase em uníssono, responderam não a que a derrota fosse decretada de forma tão prematura. O lugar deles era em campo e a lutar pelo resultado.

E o Vitória, no segundo tempo, passou a ter mais bola, mais fluidez quando a tinha e, sobretudo, andando mais perto da zona de Samuel Soares. Talvez aproveitando o eventual desgaste dos jogadores do Benfica mais utilizados na longa paragem para os jogos das diversas seleções. Mesmo assim, o guarda-redes encarnado não teve trabalho algum. Esta é, acreditem, a mais pura das verdades.

Por volta da hora de jogo, os treinadores começaram a mexer. Primeiro, Marco Silva: Barreiro por Aursnes e Schjelderup por Echeverri. Talvez para surpresa de muitos, o norueguês e o argentino estavam bem para jogar 30 minutos. E jogaram. Pouco depois de ter entrado, Echeverri isolou-se pela esquerda e, à saída de Zych, rematou forte, mas o guarda-redes defendeu para canto.

Tiago Margarido respondeu de pronto: Nogueira por Arcanjo e Doucet por Mukendi.

Mas foi, de novo, o Benfica a estar perto de outro golo, numa abertura de Pavlidis para a entrada, sobre a direita, de Prestianni, com o argentino a rematar por cima da barra vitoriana. Sentia-se, porém, que o Vitória andava perto de criar ainda mais perigo e, sobretudo, de marcar e igualar.

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Apercebendo-se disso ou por consequência do desgaste físico de alguns dos seus jogadores, Marco Silva voltou a mexer: Bah por Sudakov e Rafa por Lukebakio. Aursnes recuava para lateral-direito, Palhinha passava a estar mais fixo como número 6, com a dupla Sudakov-Echeverri à sua frente e atrás de Lukebakio, Pavlidis e Prestianni.

Até que Sudakov, pouco depois de ter entrado, viu o exemplar Prestianni a entrar pela direita, houve a cedência de bola ao leal Echeverri e este, por fim, colocou-a no pé direito do profissional Sudakov: remate, golo.

Faltavam 15 minutos para o final do jogo e, por entre mais trocas de Marco Silva e Tiago Margarido, Telmo Arcanjo rematou ao poste, na melhor hipótese de golo dos vitorianos. Pouco depois, o jogo acabou. A verdade ainda é a coisa mais importante na relação entre jornalista e leitor, por isso, aqui fica a verdade, por muito que doa aos vimaranenses: o Benfica foi justíssimo vencedor e o Vitória, tirando a bola ao poste já em cima dos 90’, nunca andou perto do golo.

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