Dahl, Jhon Durán e Prestianni, rspetivamente lateral-esquerdo, ponta de lança e extremo, festejam golo do Benfica - Foto: IMAGO
Dahl, Jhon Durán e Prestianni, rspetivamente lateral-esquerdo, ponta de lança e extremo, festejam golo do Benfica - Foto: IMAGO

O Benfica está a vencer, a praticar bom futebol e a somar argumentos para acreditar que pode ir longe nesta temporada. Além da qualidade individual do plantel e do trabalho da equipa técnica liderada por Marco Silva — que tem conseguido transmitir as suas ideias e obter respostas dos jogadores —, há um pormenor cada vez mais evidente e que poderá estar a fazer a diferença: a forte relação e a cumplicidade existentes no balneário encarnado, mesmo entre atletas que disputam diretamente a posição.

Essa união ficou clara em vários momentos da temporada, com o exemplo mais recente a chegar de Jhon Durán. O ponta de lança colombiano marcou dois golos na vitória do Benfica sobre o Celtic, por 4-1, em jogo da Liga Europa, mas, apesar de ter sido uma das figuras do encontro, continua a viver à sombra de Vangelis Pavlidis, o goleador das águias, que soma 15 golos em 15 jogos nesta temporada.

Contratado por empréstimo ao Al Nassr, Durán é conhecido por ter uma personalidade exigente de gerir, dentro e fora de campo, mas surpreendeu pelas declarações deixadas no final do desafio com os escoceses. «Dou tudo para ajudar a minha equipa, mas toda a gente sabe que Pavlidis é o primeiro. Ele merece tudo, jogou mais que eu, estou a chegar aqui, mas nos minutos que jogo tento dar tudo à equipa», afirmou o internacional colombiano, elogiando o concorrente direto pelo lugar no ataque.

Também Marco Silva só tem elogios para o avançado: «Durán tem feito o que é preciso para jogar, mas tem pela frente um ponta de lança em grande momento de forma», sublinhou o treinador do Benfica. Ainda assim, Jhon Durán já soma quatro golos em 412 minutos, distribuídos por 14 jogos, dos quais apenas três como titular, figurando como o quarto melhor marcador do plantel, atrás de Rafa, com cinco golos, Prestianni, com oito, e Pavlidis, com 15.

Os sinais de cumplicidade no balneário do Benfica não se esgotam, porém, nas palavras do sul-americano. Prestianni e Schjelderup, que lutam pelo lugar de extremo esquerdo, partilham nas redes sociais imagens abraçados e transmitem a imagem de uma concorrência saudável dentro do grupo. E os números comprovam que a disputa tem elevado o nível de ambos: Prestianni soma oito golos e cinco assistências em 14 jogos, 12 deles como titular, enquanto Schjelderup regista dois golos e três assistências em 15 partidas, apenas quatro na condição de titular.

A união e a amizade generalizada estendem-se ainda aos jogadores que têm enfrentado mais dificuldades para afirmação neste início da época, como Kaminski e Sudakov, apesar de este último ser aposta constante no onze.

O extremo polaco vê o seu caminho para a titularidade travado precisamente por Prestianni e Schjelderup, mas continua a lutar por protagonismo, numa temporada em que chegou ao Benfica no verão, por 17 milhões de euros, um valor que naturalmente aumenta a pressão sobre o seu rendimento. Em Itália, na vitória por 2-0 sobre o Milan, para a Liga Europa, Kaminski — que agora recupera de uma lesão — fez uma assistência e marcou um golo, tendo sido muito saudado pelos companheiros. No final do encontro, quando o grupo foi agradecer o apoio dos adeptos no estádio, o polaco foi empurrado para a frente por João Palhinha, num gesto que traduziu também o reconhecimento do plantel pelo seu contributo.

O mesmo espírito de grupo ficou evidente no golo que Sudakov marcou ao Vitória de Guimarães, na vitória por 2-0, pouco depois de ter entrado a partir do banco de suplentes. O ucraniano não marcava desde dezembro do ano passado e carrega o peso de ter custado 27 milhões de euros ao Benfica, além de vestir o número 10, uma responsabilidade que exige um rendimento desportivo diferenciado. Ainda assim, a euforia dos colegas com o seu golo revelou que o médio ofensivo continua a sentir o apoio do balneário.

Quem ficou da temporada passada e quem chegou no verão parece estar em sintonia, e esse é também um mérito de Marco Silva e da forma como o técnico tem gerido o grupo.

Claudio Echeverri, argentino de 20 anos contratado na última janela de transferências, por empréstimo do Manchester City, para disputar com Sudakov a posição de médio ofensivo, resumiu bem o sentimento que transparece no plantel: «Há uma competição muito boa e saudável no grupo [...] O mister dá-nos muita confiança, a equipa treina-se bem. Dificultamos um pouco a tarefa de escolher os titulares. Todos querem jogar, todos estão preparados e quem é escolhido responde da melhor maneira», afirmou o jovem reforço, que ainda não se estreou como titular.

Quando se joga bem e se ganha, é certo, tudo se torna mais fácil, mas uma das principais armas secretas do Benfica nesta temporada poderá estar mesmo na união, na confiança e na concorrência saudável que marcam o dia a dia do balneário das águias.

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