Relatório Rio Ave vs Sporting maio 2026

Petrasso foi uma autêntica 'carraça' sempre agarrado a Luis Suárez e acabou por ser expulso na segunda parte do encontro - Foto: ESTELA SILVA/LUSA
Petrasso foi uma autêntica 'carraça' sempre agarrado a Luis Suárez e acabou por ser expulso na segunda parte do encontro - Foto: ESTELA SILVA/LUSA

Sporting feliz nos momentos certos ficou com vista para a Champions (crónica)

Vitória folgada num jogo que começou cheio de dificuldades para os leões. Antes de Trincão tirar um coelho da cartola, Suárez foi o Gyokeres de serviço, e o autogolo de Mancha também ajudou. Quenda, já a jogar contra nove, ainda fez o gosto ao pé…

Houve dois jogos, em simultâneo em Vila do Conde, um com os olhos no relvado do Rio Ave e o outro com os ouvidos na Luz. Feitas as contas, o Sporting recuperou a posição de privilégio para aceder à Liga Milionária, mas teve momentos de sofrimento e aflição, que não deveria esperar. Pode dizer-se, sem diminuir o mérito ao ainda bicampeão nacional, que foi feliz nas alturas certas, e soube, depois, controlar o jogo a seu bel-prazer.

Os jogadores do Rio Ave, já tranquilos na tabela classificativa, tiveram como principal incentivo mostrarem-se a Evangelos Marinakis, o ‘dono’ da SAD, que esteve em Vila do Conde a ver uma das equipas que possui na Europa (as outras são o Nottingham Forest e o Olympiakos), e as coisas até começaram por correr-lhes bem: conseguiram um arranque atrevido, baseado num 4x4x2 onde Blesa tinha muita mobilidade e confundia as marcações da defesa leonina, e foi sem surpresa que chegaram à vantagem aos 12 minutos, após uma perda de bola de Luís Guilherme para Tamble, que serviu Bezerra para um remate cruzado sem hipóteses para Rui Silva.

Até então, os donos da casa tinham sido a equipa mais esclarecida, apostada em dificultar as saídas de bola dos leões e, quando baixavam linhas nunca perdiam o sentido das transições atacantes, num jogo que se ‘partiu’ a meio da primeira parte, criando avenidas para os jogadores mais possantes.O Sporting, arrumado no seu habitual 4x2x3x1, com Quaresma a lateral direito, Bragança a fazer companhia a Morita no duplo-pivot, e Luís Guilherme na direita, onde costuma estar Catamo, paulatinamente foi ganhando superioridade na posse de bola, mas haveria de ser num lance com muito espaço que Luís Suárez vestiu o uniforme de super-herói de Gyokeres, e fez uma jogada que o sueco não desdenharia: foi mais forte num prolongadíssimo um-contra-um com o argentino Petrasso, e este, já dentro da área, derrubou o colombiano. Estavam jogados 35 minutos quando o próprio Suárez, dos onze metros, empatou um jogo que estava complicado para a equipa de Alvalade. 

Poder-se-ia pensar que as equipas recolheriam aos balneários, para o descanso, empatadas a um, mas Mancha marcou um autogolo para os apanhados (42), e colocou os leões, que agradeceram a benesse, na dianteira. Surpreendentemente, a reação da equipa de Sydailopoulos foi fortíssima e entre os 45+2 e os 45+4, criou três situações de golo, uma defendida por Rui Silva, a outra evitada por Quaresma e a derradeira, por Spikic, a acabar na malha lateral.

Do arrepio ao passeio

O segundo tempo começou como tinha terminado a primeira parte, com domínio evidente do Rio Ave, que voltou a rondar o golo, aos 49 minutos, por Blesa (salvou Diomande), obrigando o Sporting a baixar o bloco perante o atrevimento dos donos da casa. Apesar dos sistemas apresentados pelos técnicos serem muito semelhantes, o Rio Ave denotava maior frescura física, ganhava mais segundas bolas, e sentiu-se que o resultado podia estar em aberto.

Esta sensação durou precisamente sete minutos. Aos 52, Petrasso, que já tinha visto o cartão amarelo no lance da grande penalidade, teve uma entrada desmiolada sobre Suárez, - que lhe provocará pesadelos durante muito tempo - e foi muito justamente expulso.

O Rio Ave teve de reconfigurar a equipa, colocou um central (Brabec) e tirou um avançado (Tamble), e nunca mais foi capaz de ser adversário à altura dos leões. 

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O Sporting, como equipa experiente que é, passou a controlar a partida com segurança e já depois de Suárez ter estado perto de bisar (63), Rui Borges apertou o garrote no pescoço vilacondense, mandando Catamo a jogo (para a direita) e Quenda (para a esquerda), prescindindo de Luís GuilhermeMorita, e passando a ter no meio do meio campo Bragança e Pedro Gonçalves (65). 

Antes ainda de se verem os resultados destas alterações (ousadas q.b., e bem pensadas), Francisco Trincão teve o momento da noite quando aos 66 minutos, protagonizou uma jogada onde juntou movimentação rápida (da direita para o meio), jogo exímio de pés (ao passar por dois adversários) e remate forte e colocado, que deixou Miszta sem hipóteses de dizer não ao 1-3. Se as coisas, antes, já pareciam arrumadas, a genialidade de Trincão colocou uma pedra no assunto, garantindo que os leões iam regressar a Lisboa com os três pontos. 

Sydailopoulos ainda reagiu, mas faltaram-lhe argumentos e as entradas de Ntoi, Richards e Papakanellos, embora evitassem um maior declínio físico da equipa, não trouxeram nada de novo à capacidade de discutir o resultado. 

Rui Borges, para garantir que não haveria qualquer surpresa desagradável ainda mudou os dois médios do centro (Pedro Gonçalves e Bragança ) por Kochorashvili e Felicíssimo (82) e logo a seguir ainda viu a sua vida mais facilitada quando, em dois minutos (83 e 85), Ryan Guilherme viu dois cartões amarelos. Se a jogar contra dez já se tinha percebido que não havia Rio Ave que desse a volta ao Sporting, com nove do lado vilacondense os espaços foram ainda mais vastos e a turma da casa apenas tentava não acabar a partida vergada a uma punição maior.

Mesmo assim, uma excelente finalização de Quenda (90), a passe de Maxi, ainda deu para os leões chegarem ao ‘poker’.

Numa partida em que houve momentos de enorme dificuldade para o Sporting, os leões foram competentes no empate, felizes no 1-2, e novamente com a sorte do jogo do seu lado para não chegarem ao intervalo com um empate a dois; quando Petrasso foi expulso (que noite tremenda para os centrais rioavistas!) pode dizer-se que mais golo, menos golo, a história do encontro estava selada. Para o Sporting, a noite em casa do Rio Ave rendeu quatro golos, três pontosa mais na classificação, vantagem de dois pontos sobre o Benfica e a Champions de 2026/27 à distância de um triunfo caseiro sobre o Gil Vicente. Não pode dizer-se que os leões se tenham dado mal com os ares de Vila do Conde…  

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