O mais famoso aquecimento de sempre faz hoje 37 anos (veja com o volume bem alto!)
Há momentos no futebol em que o aquecimento se torna mais memorável do que os noventa minutos de jogo. No dia 19 de abril de 1989, o Estádio Olímpico de Munique foi palco de uma dessas raras exibições de puro génio e descontração. Correm hoje exatamente 37 anos desde que Diego Armando Maradona transformou uma rotina pré-jogo num espetáculo de culto ao som de «Live is Life», da banda austríaca Opus.
O cenário era de alta tensão: as meias-finais da Taça UEFA. O Nápoles de Maradona visitava o Bayern de Munique com uma vantagem de 2-0 conseguida na primeira mão. Enquanto os jogadores alemães realizavam exercícios rigorosos, fardados a preceito e focados na disciplina tática, Maradona decidiu quebrar o protocolo. Com os atacadores das suas botas Puma desapertados e um sorriso estampado no rosto, o astro argentino começou a dançar com a bola ao ritmo da música que ecoava no sistema de som do estádio.
O que se seguiu foi uma demonstração de controlo balístico que desafiava a gravidade. Maradona utilizava os joelhos, os ombros e a cabeça, mantendo a bola no ar com uma naturalidade hipnótica, balançando o corpo em perfeita harmonia com a batida pop-rock. O vídeo desse momento, captado pelas câmaras de televisão, tornou-se uma das peças de arquivo mais partilhadas da história do desporto, simbolizando a essência do futebol como diversão e arte, mesmo sob a pressão de uma eliminatória europeia.
Aquela exibição de confiança contagiou a equipa italiana. O Nápoles segurou um empate a 2-2 em Munique, com dois golos de Careca servidos por assistências de Maradona, garantindo o bilhete para a final, onde viriam a conquistar o troféu contra o Estugarda. Para a história, porém, ficou gravada a imagem de Diego a desfrutar da bola minutos antes do apito inicial, provando que, para os predestinados, o relvado nunca foi um local de trabalho, mas sim um recreio.